Construir a Greve Geral de 14 de junho contra a Reforma da Previdência

Rumo à Greve Geral, calendário unificado das centrais sindicais incorpora a Greve Nacional da Educação em 15/5 e a Plenária Nacional em 18/5

10 de maio de 2019

Prefeito de Jacareí Permite Destruição do Patrimônio Histórico

10/05/2019 - Prefeitura de Jacareí permite destruição de patrimônio histórico. Prédio que abrigava antiga fábrica de móveis é demolido, apesar de embargo judicial e processo de tombamento.

As edificações que abrigavam a Oca, uma das mais antigas e importantes fábricas de móveis do país, estavam em processo de análise de tombamento pelo Estado, por seu significado histórico, artístico e cultural. Ali foram fabricados móveis projetados pelo arquiteto Sérgio Rodrigues, que ganhou diversos prêmios internacionais, chegando, inclusive, a ter peças incorporadas ao Museu de Arte Moderna de Nova York.

Todo o complexo, por isso, fazia parte da memória da população de Jacareí, além de sua relevância em âmbito nacional.

O imóvel hoje pertence à empresa B.C. Empreendimentos e Participações Ltda., a qual, além de não conservar e evitar a deterioração desse patrimônio histórico, deu início à sua demolição.

Em vista disso, o Ministério Público ajuizou uma ação conta a empresa e Prefeitura, pedindo o embargo da demolição e, ainda, para obrigar a empresa a recuperar todas as edificações.

O embargo foi determinado pela justiça, mas, surpreendentemente, já no dia seguinte, todas as edificações estavam no chão, demolidas durante a noite.

A juíza do processo, então, determinou que a Prefeitura esclareça por que permitiu a demolição. Os responsáveis pela empresa, apesar de alegarem que não sabiam do embargo, por não terem sido intimados, vão sofrer inquérito policial por descumprimento de ordem judicial e destruição de patrimônio histórico.

O outro lado

Infelizmente, não é surpresa que, em uma época em que os governantes querem não apenas apagar a memória do povo, mas reescrever a história do jeito deles, um local histórico e cultural, parte da memória coletiva da cidade, tenha sido destruído.

E tudo isso por um único motivo: Permitir a instalação de uma loja Havan no local.

O próprio prefeito Izaias Santana veio a público defender a loja. E ficou irritadíssimo quando soube do embargo judicial, acusando a promotora que fez a ação de não querer o bem de nossa cidade.

O prefeito aliás, apareceu abraçado com o empresário Luciano Hang, dono das lojas Havan, em um vídeo anunciando o empreendimento na cidade (https://www.youtube.com/watch?v=8IrORP_N3Cs).

Esse empresário é um dos mais fervorosos defensores do livre mercado e da economia ultraliberal, sendo crítico feroz dos serviços públicos que, em sua visão, devem ser todos privatizados. No entanto, é um dos maiores tomadores de dinheiro público, com nada menos de 50 empréstimos junto ao BNDES, sem pagar nenhum. Além disso, já foi processado por sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Agora, negociou com o governo federal o pagamento das dívidas, em 115 anos!

Fora tudo isso, o competentíssimo empreendedor ainda foi processado pelo Ministério Público do Trabalho por coagir seus funcionários a votar em Jair Bolsonaro em 2018.

Em vez de acolher e dar uma solução adequada de moradia aos sem-teto do Quilombo Coração Valente, entre tantos outros necessitados, é gente do tipo do dono da Havan que o prefeito Izaias abraça.

Para o bem de nossa cidade?

Célio Dias, trabalhador da GM, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e região, da direção do PSTU

Foto: Instituto Sérgio Rodrigues/Acervo

17 de abril de 2019

É preciso barrar o aumento da passagem em São José

17/04/2019 - A justiça suspendeu o novo aumento da passagem de ônibus em São José dos Campos. Várias irregularidades são apontadas nesse processo pelo MP e Defensoria pública.

Serviço caro e ineficiente

O prefeito queria que o preço da passagem do transporte público, já a partir da próxima segunda feira, fosse de R$ 4,90. Um valor absurdo, para um serviço ruim.

Isso porque, assim como outros serviços essencialmente públicos, o transporte é privatizado e, por isso, antes de atender às necessidades da população, tem como propósito a geração de receita para as empresas que exploram a atividade.

Salário e transporte

Veja por exemplo o que representa essa absurda passagem de R$ 4,90: uma pessoa que precisa trabalhar de segunda a sábado, utilizando o transporte público, vai gastar R$ 235,20, ou seja, quase 25% do salário mínimo atual, que é de R$ 998,00. Mesmo hoje, com R$ 4,10, o gasto é de R$ 196,80, o que significa quase 20% do salário mínimo gasto só em passagens de ônibus. É inviável. Não bastasse tudo isso, esse aumento da passagem em São José dos Campos vem no momento em que o governo Bolsonaro anuncia o fim da política de aumento real do salário mínimo, mais um duro golpe contra os trabalhadores brasileiros. Assim, todos os dias vemos nossos salários perderem poder de compra, e essa tendência vale tanto para quem ganha menos e tem um serviço precário, quanto para quem ainda tem um emprego registrado e recebe um pouco mais.

Falta de fiscalização e baixa qualidade

Apesar de legalmente ser obrigatória a fiscalização dos serviços, o governo municipal acaba sempre cedendo às pressões empresariais. Para a aprovação do preço da passagem, por exemplo, é necessário que as empresas encaminhem à Prefeitura uma planilha de custos, que justifique o valor pretendido. Essa planilha, por sua vez, não é questionada a fundo e, via de regra, é superfaturada.

Apesar da integração do sistema de transporte público e a criação dos corredores de ônibus, não há controle sequer sobre os horários e qualidade do serviço. As pessoas que utilizam o transporte público nos horários de maior movimento vão em ônibus lotados, as que precisam dele em outros momentos, como a noite e nos fins de semana, são seriamente prejudicadas pelos cortes de linhas, mudanças de horários e rotas, ou simplesmente a ausência do serviço em algumas regiões. Ademais, todos os passageiros são obrigados a ir em ônibus desconfortáveis e sem ar condicionado.

Com isso, cada vez mais as pessoas foram optando pelo transporte individual. Essa situação, contudo, leva a outros problemas. Em 2013, um levantamento do DENATRAM apontou que existia um veículo para cada 1,8 habitantes no município. Isso representava uma frota de cerca de 400.000 veículos, que veio a crescer.

Inviabilidade do sistema de transporte atual

A cada aumento de tarifa existe uma diminuição do número de usuários, que passam a não poder pagar ou encontram uma alternativa economicamente mais viável para se locomover. Isso diminui ou até anula o aumento da arrecadação esperado com o aumento da tarifa, fazendo com que o sistema fique cada vez menos viável, já que menos pessoas são obrigadas a pagar mais pelas mesmas viagens.
Fica claro que este modelo de transporte se mostra insustentável e torna-se necessária a criação de um sistema novo e mais moderno.

Novo modelo de transporte público

Se o transporte público fosse bom e barato, as pessoas certamente deixariam seus carros em casa e só os usariam de vez em quando. Isso, para começar, reduziria muito o custo gerado pelo tráfego intenso de veículos individuais, como o controle do trânsito, abertura de novas vias, asfalto, manutenção de asfalto e, principalmente, implicaria na redução significativa de acidentes, entre outros.
A partir daí, com a economia gerada, poderia ser iniciado um plano rumo à tarifa zero para todo e qualquer tipo de transporte coletivo, além da melhoria na qualidade do serviço. Isso, para quem não sabe, é realidade em várias cidades do mundo, principalmente na Europa e Estados Unidos.
As vantagens da tarifa zero são várias: justiça social para que desempregados, pobres e estudantes possam se deslocar com qualidade e segurança pela cidade; redução da emissão de poluentes; menos poluição sonora; redução do uso de combustíveis fósseis; diminuição dos gastos em obras viárias; entre outras.

Outro motivo econômico importante para a abolição das tarifas é que o sistema de cobrança custa muito dinheiro. Um estudo patrocinado pela Administração Federal de Transportes dos Estados Unidos mostrou que: gastos com o sistema de cobrança podem chegar a 20% de toda a renda com o pagamento de tarifas. Isso inclui gastos com máquinas de vendas, contagem do dinheiro coletado e custos afins. As pessoas nessas tarefas poderiam ser realocadas para outras funções que focassem na qualidade, como em um serviço eficiente de orientação dos usuários.

Municipalização do transporte

Municipalizar o transporte é mais econômico, eficaz, moderno e ambientalmente responsável. Então, por que não se aplica? Por que vai diretamente contra os interesses capitalistas e as negociatas entre as prefeituras e as empresas de ônibus. Assim, enquanto alguns levam vantagens e muito dinheiro nessa história, toda a sociedade e o meio ambiente são prejudicados severamente.

O segredo para o sucesso da gratuidade nas cidades que adotaram a alternativa é o planejamento anterior. Algumas delas fizeram investimentos maciços no transporte público antes de abolir as tarifas, para tornar o sistema atraente para um maior número de pessoas. Aqui em São José dos Campos, a incompetência do prefeito Felício Ramuth leva a uma preferência de investimentos maciços em obras faraônicas e ultrapassadas, como a milionária ponte estaiada.

Mas, antes de tudo, temos que romper com a ideia de que os transporte público deve ser uma atividade privada, realizado por empresas privadas que, antes de prestar um serviço público essencial, tem como meta a geração de receita e lucro para alguns empresários.

Por Antônio Macapá, da direção do PSTU e secretário geral do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e região.

12 de abril de 2019

PSTU pede investigação sobre Felício

12/04/2019 - PSTU pede abertura de CEI na Câmara contra o Prefeito Felício Ramuth

Prefeito é réu em ação de improbidade administrativa

O PSTU apresentou, na última quinta-feira (11), pedido ao presidente da Câmara, vereador Robertinho da Padaria (PPS), para que seja instaurada uma CEI (Comissão Especial de Inquérito) contra o Prefeito Felício Ramuth (PSDB).

O requerimento da CEI, se aprovado, servirá para apurar o envolvimento do prefeito de São José dos Campos, através das empresas em que é consultor e sócio, em licitações fraudulentas no município de Praia Grande (SP).

Por essas acusações, Ramuth é réu em uma ação de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público do estado de São Paulo. Na ação, o MP busca a declaração de nulidade de todos os contratos considerados fraudulentos e a restituição dos valores aos cofres públicos.

Apesar de versar sobre os mesmos fatos que motivaram a ação judicial, a CEI terá como propósito apurar crime de responsabilidade do prefeito, para dar suporte a uma futura responsabilização criminal e a consequente perda do cargo.

Para a instauração da CEI, serão necessárias as assinaturas de 1/3 dos vereadores e pode, desde sua aprovação, implicar no imediato afastamento do prefeito do cargo.

O PSTU entende que é dever dos vereadores investigar os fatos. "Não pode ser que a Câmara feche os olhos a essas denúncias. Esse é um dos principais deveres dos vereadores, investigar e acompanhar os passos do Executivo", afirma Antônio Macapá, da direção regional do PSTU São José dos Campos.

Foto: Danilo Sardinha/G1

26 de março de 2019

GM, montadoras, investimentos e Estado

26/03/2019 - A General Motors acaba de anunciar um investimento de 10 bilhões no estado de São Paulo. Para o investimento exigiu dos trabalhadores redução de direitos básicos, do poder público a redução de impostos, com argumento de que operava em prejuízo no Brasil.

As montadoras durante anos foram beneficiadas por políticas governamentais de incentivos fiscais. Eram chamadas de locomotivas da economia. Lucraram excessivamente durante todo este período, com o protecionismo do Estado brasileiro.
Nossos governantes nunca tiveram coragem para construir um carro nacional, sempre se submeteram ao capital destas montadoras.

Durante a crise da GM nos EUA a filiais brasileiras garantiram o lucro dos acionistas do mundo todo. Agora alega prejuízo e pede sacrifício, mas não abrem os livros para comprovar tais prejuízos.

Novamente foram anunciados investimentos e com isso isenção, para a GM, de 25% do ICMS pelo governo do estado. O município deixa de arrecadar IPTU, ISS e outras taxas de serviços. Pode chegar ainda a isentar de pagamento de água e energia elétrica.

É importante frisar que a GM é um dos maiores conglomerados do mundo, detentora de um dos maiores capital do planeta.

Os governantes comemoram, mas quem tem vantagens é apenas a empresa. O dinheiro que o Estado deixa de arrecadar é o mesmo que falta na rede publica de saúde, nas escolas, nas creches, no saneamento básico, em moradia popular etc. A sociedade de conjunto perde, só os capitalistas ganham.

Os trabalhadores também comemoram, e tem suas razões, afinal o desemprego afeta fortemente o país e a região. Porém, na contrapartida de abrir mão de recursos públicos, nem o prefeito Felício Ramuth e nem o governador João Dória exigiram nada da empresa. O correto seria, no mínimo, exigir estabilidade para os trabalhadores e ampliação dos empregos com novas contratações.

Aqui no Brasil, aplica-se o capitalismo sem risco. Se o negócio der errado, o Estado arca com o prejuízo, os capitalistas ganham, e muito. O emprego é considerado uma dadiva dos grandes empresários, quando na verdade a logica é inversa, quem garante o lucro absurdo e avida nababesca dos empresários são os trabalhadores, aqueles que de fato produzem a riqueza.  A “lógica” de mercado é uma lógica incrivelmente perversa.

Em 2013 foi assinado um acordo em moldes parecidos, os direitos foram retirados, mas os investimentos não vieram. E nem sempre investimentos significam empregos.

Os governantes sabem que no futuro o carro será autônomo, compartilhado, que a frota mundial de automóveis vai diminuir drasticamente. Que o carro vai deixar de ser um bem durável e vai passar a ser um bem de serviço.

Ao nosso modo de ver a melhor política é a estatização da empresa e a construção de um carro nacional. Com isto, o investimento será na tecnologia de automação. Assim se estará de fato pensando, em vez de lucros, no futuro. Esta medida sim garantirá empregos hoje e amanhã.

Por Toninho Ferreira, presidente do PSTU São José dos Campos

15 de março de 2019

Câmara de São José dos Campos: 100% sem vergonha

15/03/2019 - Funcionários fantasmas e esquema de laranjas. Pode parecer, mas não estamos nos referindo ao clã Bolsonaro nem ao PSL. Nos referimos à câmara municipal de SJCampos e a continuidade da farra dos vereadores com o nosso dinheiro.

Não é novidade que a câmara municipal de SJCampos é uma vergonha para a cidade. Foi por unanimidade que mais uma vez nossos “representantes do povo” trataram de absolver seu colega Maninho Cem por Cento nesta última terça, 13 de março de 2019. Não foi a primeira vez que os “nobres” vereadores demonstraram sua covardia e falta de compromisso com o dinheiro do contribuinte, e certamente não será a última. Em 2017 já tinham absolvido Maninho por manter um funcionário fantasma. O Ministério Público (MP) já conseguiu condenação em primeira instância de Maninho Cem por Cento, entretanto, para os vereadores da cidade, parece não haver nenhum problema este tipo de prática.

A pergunta que fica é: podemos esperar algo de bom de pessoas que não se incomodam de agir assim com a maior cara de pau? A resposta é óbvia, evidente que não. Porém você pode aguardar, pois a mesma cara de pau será usada em breve para pedir votos e fazer promessas na eleição, onde cada um deles vai querer te “representar”.

As fortunas desviadas em esquemas deste tipo fazem falta na educação, na saúde, na segurança e em demais áreas. Este dinheiro que saiu do nosso bolso, está agora no bolso de corruptos que podem despreocupadamente contar com a conivência de seus pares na câmara municipal para saírem impunes.

A alegação do relatório apresentado por Juliana Fraga (PT), Calasans Camargo (PRB) e Dulce Rita (PSDB) é a de “falta de provas”. Considerando que Maninho é reincidente e já está condenado em primeira instância após denúncia do MP, é mais fácil acreditar em uma outra coisa: em vez de faltarem provas, falta vergonha na cara.

Este descaso com o dinheiro público que faz mais uma vez da nossa câmara municipal uma piada, além de ser um escárnio com a população joseense, revela a falta de decoro dos vereadores. 
A cada poucos anos trocamos as peças, mas não mudamos o jogo. Tiramos alguns incompetentes para colocar no seu lugar novos incompetentes.

Todos eles, desde o Maninho cem por cento a seus unânimes comparsas, fazem parte de um sistema, o sistema capitalista. E o funcionamento, a lógica capitalista, é esta mesmo. Uma espécie de máfia de parasitas que grudam nas esferas do poder defendendo interesses privados ao mesmo tempo que a si mesmos.

Se parece exagero, pense bem: o salário de um vereador em SJCampos é de mais de 10 mil reais por mês, fora diversos benefícios. Para quê? Para ficarem debatendo nomes de ruas. Que fazem estas pessoas sobre a tarifa de ônibus caríssima que a prefeitura ainda quer aumentar para R$ 4,90? Por que não compareceram às audiências públicas para defender os empregos da Embraer? Nesta câmara sem vergonha alguém já teve a decência de apresentar um projeto que iguala os salários dos parlamentares com a realidade brasileira, cortando privilégios, como o PSTU sempre defendeu? Sobre as grandes questões que afetam a vida da população, que exigem pulso firme, podemos contar com nossos vereadores apenas para se esconder embaixo da mesa.

Em vez de resolver o que interessa, nesse sistema basta que estas figuras continuem defendendo leis que garantam a continuidade da exploração. Nacionalmente, isto foi feito com a reforma trabalhista e o mesmo tenta-se agora com a reforma da previdência. Assim garantem o apoio dos poderosos, bancos e multinacionais e continuam seu serviço sujo. De vez em quando, um ou outro vai preso, são exceções. A regra é que nós trabalhadores fiquemos presos. Presos nesta sociedade decadente da qual só nos libertaremos com uma revolução, varrendo toda esta escória e fazendo da nossa cidade e do nosso país um lugar digno para nós e nossos descendentes. Esta é a tarefa mais importante nos dias atuais, e o PSTU luta todos os dias por sua realização.
Por Toninho Ferreira, presidente do PSTU São José dos Campos

26 de fevereiro de 2019

Nova juíza comprova toda denúncia no terreno do Pinheirinho

26/02/2019 - Prefeitura pode e deve desapropriar a área, que não cumpre nenhuma função social

A Dra. Adriana Bertier Benedito, nova juíza do processo de falência da Selecta, , suposta proprietária da área que, durante oito anos, serviu de moradia para as quase 2.000 famílias da Ocupação do Pinheirinho, comprova que é verdadeira toda denuncia que fizemos sobre as falcatruas na falência.

Não havia nenhum motivo para desocupação do terreno

Nunca houve dívida trabalhista na falência!

A dívida fiscal deverá ser cobrado e não anistiada!

A prefeitura precisa cumprir seu papel em cobrar a divida de IPTU e multas!

Não há credores pois era uma empresa de fachada, utilizada para especulação na Bolsa de Valores, atuação, aliás, que provocou a quebra da Bolsa do Rio de Janeiro. Até agora, somente apareceram dois credores que são empresas do mesmo grupo econômico da Selecta, todas de propriedade do megaespeculador Naji Nahas. Ou seja, falcatrua pura de milionários. 

A área deverá ser reavaliada, segundo a juíza, porque esse e outros bens já não pertencem mais à Selecta, que tem também um gigantesco passivo fiscal, incluindo os IPTU´s de São José dos Campos, que nunca pagou. Nem taxas de limpeza e multas pela não construção de calçadas foram pagas.

Desapropriação é possível e necessária

Toda a violência usada na desocupação para entregar o terreno para um megaespeculador, fraudador não precisaria ser empregada. Se as famílias fossem assentadas no terreno ficaria muito mais barato ao Estado. Mas assim é o capitalismo. Aos milionários tudo, ao povo a violência.

Mas ainda há tempo, a prefeitura pode adjudicar o terreno e construir moradia popular. Basta ter vontade politica.

A exigência que temos feito desde a época da ocupação, para que se desaproprie a área e a utilize para reduzir o déficit de moradias na cidade, agora é reforçada.



Por Toninho Ferreira, presidente do PSTU São José dos Campos



21 de fevereiro de 2019

Ocupação Pinheirinho: Luta e Memória

21/02/19 - São sete anos daquela madrugada de 22 de janeiro de 2012.

Operação de guerra contra o povo pobre e desarmado, que buscava apenas um pedaço de chão pra morar. Mais de dois mil policiais, cachorros treinados, cavalos, muitas viaturas, dois helicópteros e muita bala e bomba.

Em resposta um povo todo se levantou, no entorno da ocupação, no estado, no Brasil e no mundo. A solidariedade foi fantástica, nos emociona ainda, depois de tanto tempo.

Depois do ocorrido, quantas ocupações tiveram o Pinheirinho como referência por este país afora?

Mas as marcas ficaram, na memoria das pessoas, nas lembranças das lutas.Quase ninguém se lembra mais dos mandantes do feito, porque a historia não guarda lugar aos quebradores de espinha, mas no imaginário do povo aquela luta durará muitos anos.

Uma atrocidade do Estado contra o povo, mostrando seu caráter de classe. Desalojou 1800 famílias, quase 8 mil pessoas em nome de um suposto dono, o  milionário chamado Naji Najas, conhecido da população brasileira por fraude e escândalos.

 O pior é saber que após sete anos, o terreno ainda continua exatamente sem nenhuma função social. Abandonado, perdido. Assim é a sociedade capitalista.

Se contarmos o custo da desocupação, o pagamento do aluguel social e a construção das novas casas no longínquo bairro do Pinheirinho dos Palmares, fica evidente  que manutenção das famílias no terreno do Pinheirinho, ficaria mais barato. E muito mais legítimo.

Para os poderosos era necessário dar uma lição naqueles que tiveram a coragem, a ousadia de ocupar, parcelar o solo e construir um bairro bem planejado como foi o Pinheirinho.

Lembrar a ocupação Pinheirinho é a certeza que a luta deve continuar enquanto houver uma família sem teto neste país.

Por Toninho Ferreira, presidente do PSTU São José dos Campos

29 de janeiro de 2019

Crise na GM. Os trabalhadores e a política

29/01/2019 - Em 2018, a GM foi líder em vendas no Brasil com quase 20% do mercado, em segundo lugar ficou a Volkswagen com aproximadamente 15%.

A GM está em crise mesmo?

Foram licenciados mais de 300 mil veículos da General Motors no país em 2018, uma alta de cerca de 40% em relação ao ano anterior. Isso só no Brasil, pois no mundo entre 2013 e 2017 a média de lucro da GM é de 12,93%. Evidente que não se pode falar em crise, o que existe é extrema ganância. 

Veja abaixo alguns pontos do pacote de maldades proposto pela empresa:

A pauta apresentada pela GM inclui aumento da jornada de trabalho, implantação de banco de horas, liberação da terceirização em toda a fábrica, fim do transporte fretado, jornada intermitente e fim da estabilidade no emprego para lesionados.

Entregar direitos garante emprego?

As fábricas que fecharam nos EUA e Canadá aceitaram todo tipo de redução de direitos e mesmo assim os trabalhadores ficaram desempregados. Em São Caetano, as coisas foram feitas nesse sentido e já foi noticiado que agora a GM quer redução de mais 10% nos salários. É claro que isso não vai parar por aí. Temos que nos perguntar: de que adianta aceitar passivamente o pacote de maldades da GM se isso não garante os empregos? Tudo que virá em troca são mais promessas vazias, como em 2013.

As atitudes covardes dos “nossos representantes”

Felício Ramuth já lançou vídeo na internet e declarou o de sempre: NADA. Entre trivialidades como “não mediremos esforços” e “situação complicada” afirmou confiar no esforço conjunto para reverter a situação. Por esforço “conjunto” ele quer dizer jogar nas costas dos trabalhadores da GM menores salários e menos direitos. Ele mesmo vai continuar ganhando seus mais de R$ 22 mil mensais tranquilamente, com todos os benefícios.

João Dória por sua vez tratou de chamar o Meirelles (aquele mesmo que você está pensando) e decidiram juntos socorrer a GM através do ICMS. Seria bom se o governador ajudasse com a mesma rapidez os trabalhadores. Porém, detentor de um patrimônio de R$ 189 milhões, Dória entende melhor o “sofrimento” dos patrões.

Jair Bolsonaro, que se reuniu com a GM através do Ministério da Fazenda, mostrou uma postura diferente: “Se precisar fechar [a fábrica] fecha”. Aparentemente corajosa, a declaração na verdade é a mais covarde. Baixa a cabeça e lava as mãos para a possibilidade de ver pais e mães de família desempregados, mesmo sabendo que o Brasil disponibilizou quase R$ 35 bilhões nos últimos 10 anos em renúncia fiscal para o setor automotivo segundo dados da própria Receita Federal.

E os sindicatos nessa história?

Os sindicatos no Brasil foram tomados por pessoas que fizeram dele um meio de vida e ascensão social. Isso se agravou mais ainda depois que o PT subiu ao poder e domesticou entidades que antes eram de luta. Obviamente, existem ainda pessoas e organizações que não se burocratizaram a este ponto, porém não se trata aqui de defender ninguém. Os sindicatos nada mais são que os próprios trabalhadores, manter uma organização sindical do lado certo depende da participação dos trabalhadores na vida do sindicato, fiscalizando e fazendo destes o que nasceram para ser, sua ferramenta de luta contra as chantagens dos patrões.

O sistema e a GM. Estatizar a empresa é o único caminho para garantir os empregos

No capitalismo o Estado é um balcão de negócios. Os interesses da sociedade são identificados com os interesses das empresas. Por exemplo, nos EUA quando a GM abriu concordata em 2009, Barack Obama salvou a empresa com dezenas de bilhões de dólares dos contribuintes norte-americanos. Veja o que disse 9 anos depois o atual presidente Donald Trump:

"Os EUA salvaram a General Motors, e esse é o obrigado que recebemos! Nós estamos agora considerando cortar todos dos subsídios”.

Apesar da ameaça, a empresa anunciou o fechamento de mais 4 fábricas no EUA. Este é o caráter patético dos governantes diante das empresas no capitalismo. O Estado praticamente comprou a GM falida e devolveu para os donos, mesmo assim vieram as demissões. Mais coerente seria estatizar a GM e garantir empregos dignos e estáveis, livrando os trabalhadores deste ambiente de insegurança que a empresa insiste em trazer. Mas não, no capitalismo é privilegiado o sistema privado de produção, inclusive se privatiza o que antes era público. Foi assim que, por exemplo, aqui no Brasil se privatizaram a EMBRAER e agora pretendem entrega-la de bandeja à BOEING. Da mesma forma a VALE foi privatizada e em dois acidentes (Mariana e agora Brumadinho) vem destruindo o meio ambiente em Minas Gerais e matando trabalhadores. É inaceitável um sistema como esse, não podemos permitir o que a GM vem fazendo com os trabalhadores. SE A CHANTAGEM CONTINUAR, TEM QUE ESTATIZAR!

É interessante notar que Barack Obama e Donald Trump são considerados extremamente diferentes nos EUA. Aqui no Brasil acontece o mesmo entre Lula/Dilma e Bolsonaro. Mas tanto lá quanto aqui os governos entregam recursos públicos na forma de isenções e subsídios e aceitam retirada de direitos e de empregos. O lado deles não é o nosso.

Fala Toninho - “A GM não respeita os trabalhadores, mas isso não é apenas aqui. O mais recente crime em MG, agora na barragem de Brumadinho, mostra como para as empresas nossas vidas não significam nada. O que importa para eles são os dividendos para os acionistas e o bônus aos diretores das empresas no final do ano. Ou seja, retira dos pobres para entregar aos ricos. Assim é também sobre a questão da taxa de lucro, não importa se entregar todos os direitos ou não entregar nenhum, a empresa vai sempre querer mais lucro e fechará as portas quando bem quiser, com a conivência dos seus políticos capachos. Não podemos esquecer que o dinheiro que o Estado dá a grandes empresas é o que falta na saúde, na educação, na aposentadoria, dinheiro do povo que é entregue para milionários. Reduzindo direitos, até as rescisões ficam mais baratas se chegar nesse ponto. Apenas uma força pode impedir o fechamento: os trabalhadores. Para isso será preciso uma união na luta sem precedentes, na sociedade e toda a classe trabalhadora. A força dos trabalhadores quando colocada em ação é irresistível e passa por cima de empresas e governos, tomemos por exemplo os coletes amarelos na França. Com tantos bilhões que já foram entregues à GM e todo o lucro que ela já retirou do país, se ela insistir na chantagem é preciso estatizá-la para que os trabalhadores e suas famílias não fiquem sem nada e o Brasil possa ter um carro nacional”.

21 de janeiro de 2019

Violência no Pinheirinho faz 7 anos

21/01/2019 - São sete anos daquela madrugada de 22 de janeiro 2012.

Operação de guerra contra o povo pobre e desarmado, que buscava apenas um pedaço de chão pra morar. Mais de dois mil policiais, cachorros treinados, cavalos, muitas viaturas, dois helicópteros e muita bala e bomba. 

Em resposta um povo todo se levantou, no entorno da ocupação, no estado, no Brasil e no mundo. A solidariedade foi fantástica, nos emociona ainda, depois de tanto tempo. Depois do ocorrido, quantas ocupações tiveram o Pinheirinho como referência por este país afora?

As marcas ficaram, na memória das pessoas, nas lembranças das lutas.

Quase ninguém se lembra mais dos mandantes do feito, porque a história não guarda lugar aos quebradores de espinha, mas no imaginário do povo aquela luta durará muitos anos.
Uma atrocidade do Estado contra o povo, mostrando seu caráter de classe. Desalojou 1800 famílias, quase 8 mil pessoas em nome de um suposto dono, o milionário chamado Naji Najas, conhecido da população brasileira por fraude e escândalos.

O pior é saber que após sete anos, o terreno ainda continua exatamente sem nenhuma função social. Abandonado, perdido.  Assim é a sociedade capitalista.

Se contarmos o custo da desocupação, o pagamento do aluguel social e a construção das novas casas no longínquo bairro do Pinheirinho dos Palmares, fica evidente  que manutenção das famílias no terreno do Pinheirinho, ficaria mais barato. E muito mais legítimo.

Para os poderosos era necessário dar uma lição naqueles que tiveram a coragem, a ousadia de ocupar, parcelar o solo e construir um bairro bem planejado como foi o Pinheirinho.

Lembrar a ocupação Pinheirinho é a certeza que a luta deve continuar enquanto houver uma família sem teto neste país.

Por Toninho Ferreira, presidente do PSTU São José dos Campos

Imagem retirada clipe da música Boca de Lobo, do cantor Crioulo
link do clipe: https://www.youtube.com/watch?v=jgekT-PEb6c