Embraer: radiografia de uma operação criminosa

Artigo de Nazareno Godeiro, do Ilaese, detalha as consequências caso ocorra a venda da Embraer à Boeing

Manifesto: PSTU convida o ativismo à rebelião e à construção de um projeto socialista

Texto será discutido com ativistas para a definição de um programa socialista às eleições. PSTU abre legenda para lutadores

18 de junho de 2018

Argentina Fora da Copa?

18/06/2018 - Nem todo mundo sabe, mas uma empresa israelense chamada Comtec pediu antes do início da copa a suspensão da participação da Argentina. A alegação é que houve discriminação religiosa dos argentinos que cancelaram o jogo contra Israel, jogo este que seria o último amistoso da seleção de Messi antes do início do torneio. Claro que, como estamos vendo, a única coisa que pode mesmo invibializar a participação da Argentina na copa é se o time não melhorar sua atuação e continuar a perder pênaltis como foi o caso no empate de 1 x 1 com a Islândia. Mas por que motivo tanta polêmica ao ponto de levar ao cancelamento do jogo entre Argentina e Israel?

Até que não é difícil entender. Recentemente o presidente dos EUA Donald Trump moveu a embaixada americana em Israel para Jerusalém, cidade que é disputada por israelenses e palestinos. A mudança da embaixada é mais um sinal de apoio norte americano para Israel legitimando por tabela suas pretensões de manter o território. Já o amistoso seria realizado no estádio Teddy Kollek, localizado não acidentalmente onde? Certo, em Jerusalém. Por mais que Israel negue a escolha do local também tem a ver com a necessidade de legitimar Israel e sua capital. Mas por que raios Israel precisa tanto de ações políticas que lhe confiram legitimidade? A resposta é simples e lógica, Israel é um Estado ilegítimo.
Construído artificialmente em 14 de maio de 1948 obrigando cerca de 750 mil árabes que viviam na região a fugir, Israel aproveita todas as oportunidades que pode até hoje para cada vez mais expandir seu território, expulsar mais árabes e tentar se legitimar de todas as formas que puder, não poupando nem eventos esportivos.
Para dar um exemplo de como foi a construção de Israel imagine o seguinte: alguém invade a sua residência, toma todos os seus bens, ocupa todos os cômodos e te obriga a viver no banheiro. A partir daí, toda vez que você precisa passar por algum cômodo da sua antiga casa você precisa pedir licença ao invasor, sem contar que agora tudo que você pode ou não pode fazer depende da autorização dele. Não seria revoltante? É por isso que os palestinos não se rendem e sempre há conflitos na região, pois a simples existência do Estado de Israel é inaceitável.
Com o apoio principalmente dos EUA, mas também outras nações que tem interesses políticos e econômicos na região, Israel vai acusando todos aqueles que não aceitam sua existência de terroristas e anti-semitas quando na verdade ser anti-sionista não tem nada a ver com isso, significa não aceitar o massacre de Israel contra os povos árabes na região. E, diga-se de passagem, segundo o jornalista sírio Victorios Shams que esteve em São José dos Campos para uma palestra sobre a guerra civil na Síria e lançamento do livro “País em chamas: sírios na revolução e na guerra”, da Editora Sundermann, Israel é quem persegue judeus de origem africana ou árabe, mostrando sua verdadeira face racista e anti-semita que quer imputar a outros. Além disso o método israelense é mais que lançar acusações, também é perseguir a todos que denunciam sua história construída sobre o sangue e sofrimento humano.
Infelizmente, o governo brasileiro que provou ser inimigo de seu povo na recente greve dos caminhoneiros também é inimigo da justiça internacional e mantém acordos de livre comércio legitimando esta aberração chamada Israel. Cabe a nós trabalhadores impulsionar campanhas de boicote contra as empresas e produtos israelenses que chegam ao Brasil, barrando nos portos e não comprando nas lojas. Seria bom também seguir o exemplo caso a seleção brasileira marque algum jogo contra Israel depois da copa, fazendo mobilizações para que não nos prestemos a este papel de legitimar este Estado sionista e racista. Embora não seja possível confiar nas boas intenções de instituições cercadas por denúncias de corrupção como é o caso da CBF e nem mesmo outras como a AFA que é a federação argentina e marcou o amistoso, a pressão pode forçar o cancelamento como foi no caso de Argentina x Israel. O que acaba sendo um merecido tapa na cara do sionismo perante o mundo todo.

B.Mendes, trabalhador em São José dos Campos

12 de junho de 2018

Artigo: Seis lições da greve dos caminhoneiros - Parte 3

12/6/2018 - O mito que o povo brasileiro não luta e aceita pacificamente ser governado pelos exploradores tem que ser desconstruído e para isso serve o estudo da história não só desta greve recente, mas de várias lutas e resistências populares ao longo da história do Brasil. Existe uma frase que define loucura e é frequentemente atribuída a Albert Einsten porém sem evidências que é dele mesmo. Seja como for é extremamente relevante e verdadeira ela diz “loucura é continuar fazendo a mesma coisa e esperar resultados diferentes”. E é para isso que serve também o estudo da história e dos fatos recentes e antigos, para que se extraiam as lições necessárias para não cometer os mesmos erros e assim poder fazer diferente. Aqui as últimas duas lições da mobilização da greve dos caminhoneiros que trataremos, mas certamente a reflexão sobre esta e outras mobilizações podem nos ensinar muito mais.


5-      Intervenção militar não é a saída

Com toda essa revolta do povo contra o regime e suas instituições e a desconfiança mais do que justificada da eficácia dos chamados três poderes (executivo, legislativo e judiciário) é claro que todos começam a pensar que isso tudo tem que ser derrubado pois ninguém aguenta mais esse mar de lama. Pensando bem, esse mar de lama pode ser tomado até no sentido literal quando lembramos da tragédia de Mariana no maior acidente ambiental da história do país, esse acidente é um duro golpe na tão defendida ideologia da privatização como solução e, para variar, continua impune. A partir daí, algumas pessoas começam a pensar: será que uma intervenção militar não seria a saída pra melhorar a situação? A resposta é não e a greve dos caminhoneiros ajuda a entender o porquê. Dentro das forças armadas não existe espaço para decisões democráticas e a hierarquia é tudo. Embora as baixas patentes tanto da polícia quanto do exército sejam compostas por elementos que vem da classe trabalhadora, as cúpulas destas corporações com seus generais, comandantes, coronéis, etc. são compostas por elementos que ou são de origem ou defendem a classe social que está no poder do Estado hoje, ou seja, a burguesia brasileira e que querem garantir a continuidade de seus privilégios na infame e já citada “ordem”. É por isso que quando a mentira e a manipulação não funcionam o governo não hesita em chamar o exército. Foi assim na grande mobilização em Brasília do dia 24 de maio de 2017 e foi da mesma forma um ano depois agora na greve dos caminhoneiros do fim de maio de 2018. Embora tenha existido certa hesitação das forças armadas em reprimir a greve o que poderia gerar uma divisão, a tendência nessas corporações é a hierarquia se impor e através de seus comandantes servirem de apoio à manutenção do sistema descendo o cacete e jogando bombas naqueles que almejam a mudança como de fato aconteceu em vários locais, portanto a lição é não se iludir com uma espécie de salvação da pátria por esse caminho, pois ele leva a mais do mesmo.

6-      A rebelião é o caminho

Rebelião parece termo exclusivo de revolta nas cadeias não é? Então vou contar uma história que envolve presidiários. Numa certa fábrica do interior de São Paulo, uma das maiores metalúrgicas da região e que fabrica carrocerias de caminhão com unidades espalhadas por outras localidades do país trabalhavam alguns presos do regime semi-aberto do IPA (Instituto Penal Agrícola). Em certa conversa um deles fez uma comparação muito pertinente, disse que o ambiente que reinava na fábrica era igual ao que ele estava acostumado na cadeia com apenas uma diferença, o castigo. Segundo ele, enquanto na cadeia o castigo era físico, uma cotovelada, uma injeção dada com violência na enfermaria, uma borrachada, ali na fábrica o castigo era econômico, desconto de horas, perda da cesta básica ou benefícios e em último caso demissão. As fábricas tem seus carcereiros também, assim como as prisões. E se fizermos uma analogia com o regime que vivemos constatamos que essa chamada democracia não é bem de fato uma democracia mesmo, talvez uma democracia para os ricos, mas não para os trabalhadores. Vivemos presos nessa ideia de que controlamos a sociedade escolhendo nossos governantes de poucos em poucos anos mas de fato a política continua sempre a mesma e enquanto uns cada vez tem mais, nós que produzimos a riqueza e colocamos o Brasil pra rodar cada vez temos menos. Os caminhoneiros mostraram o caminho, chega de ilusões nessa falsa democracia onde só os ricos e corruptos levam vantagem! Não temos nada a perder nos rebelando contra este sistema, pelo contrário, temos tudo a ganhar! A greve dos caminhoneiros ainda não acabou, faremos dela nosso exemplo e aprenderemos suas lições para uma rebelião muito maior, uma que mude de uma vez por todas nosso país e que coloque no poder do Estado a classe social que realmente produz e transporta a riqueza do nosso país, nós trabalhadores!


B.Mendes, trabalhador em São José dos Campos

11 de junho de 2018

Artigo: Seis lições da greve dos caminhoneiros - Parte 2


 9/6/2018 - Por B. Mendes
Quem não aprende com a história não está bem preparado para enfrentar o presente e preparar o futuro. E sem dúvida a recente greve dos caminhoneiros além de mostrar que o caminho é a luta entrou para a história. Continuando este aprendizado, seguem aqui mais duas lições importantes que esta greve deixou para nós.


3-      A imprensa brasileira é extremamente manipuladora

Isto já é sabido há muito tempo e já está espalhado por todo o Brasil. Jargões como “o povo não é bobo, abaixo a rede globo” são bem conhecidos. Muitos como eu não viveram a época da ditadura, mas faz todo sentido saber que um comício das diretas já foi noticiado como aniversário da cidade de São Paulo a pouco mais de 30 anos atrás pela Globo. Mesmo assim, foi chocante o grau de manipulação das notícias por todas as emissoras de televisão, assim como também vários outros veículos de comunicação ligados a grandes grupos, sites, jornais e rádio. Foi feito um grande alarme sobre a falta de remédios nos hospitais, dificuldade de encontrar alimentos nos mercados, gente chorando por ter que desmarcar eventos e compromissos sem falar nas pessoas que precisam de tratamentos médicos contínuos como hemodiálise ou que necessitam de cirurgias com medo de morrer, e tudo jogado nas costas dos grevistas como se este fosse o grande problema do Brasil. Não foi por acaso que choveram memes na internet mostrando, por exemplo, ambulâncias paradas há tempos por falta de manutenção e ridicularizando as notícias da grande mídia, bem como o surgimento de correntes no whatsapp chamando a boicotar o Fantástico do dia 27 de maio. Após o fim da greve seguiram as ironias nas redes sociais comentando que agora todos estes problemas estavam resolvidos.

4-      O governo tem lado e não é o lado do povo

Outra lição extremamente importante. Existe um senso comum que o Estado é ou deveria ser imparcial e arbitrar os conflitos na sociedade de forma a conduzir todos ao bem comum. A forma que o governo agiu fazendo pronunciamentos mentirosos, divulgando acordos que supostamente acabavam com a greve e buscando de todas as maneiras ludibriar a população e enfraquecer o movimento dos caminhoneiros tornou evidente que o Estado nada tem de imparcial quando o assunto é garantir que os poderosos continuem no poder e que nada mude de verdade. A função do Estado é garantir este status quo que o governo chama de “ordem”, e nada mais didático do que o decreto G.L.O. de Temer, ou seja, decreto de garantia da lei e da ordem que venceu nesta segunda feira (04/06) e que colocou o exército em ação para portar fuzis durante assembleias de petroleiros dentro das refinarias como aconteceu aqui em São José dos Campos e tentar amedrontar os caminhoneiros pelas estradas do país. A história já provou que o Estado não é imparcial, pela sua própria natureza serve sempre a uma classe social que usa deste poder para manter as coisas em seu favor, primeiro com ideologias e manipulações e se for preciso com armas, porém nada melhor que uma lição recente como esta vivida pelos brasileiros no mês de maio para nos lembrar deste fato. Se prestarmos atenção a esta lição aprenderemos de uma vez que é necessário tirar o poder do Estado das mãos desta classe social burguesa, que aliás é a minoria do povo, para colocar esse poder a serviço da maioria do povo, nas mãos dos trabalhadores, nossas mãos.


No próximo post publicaremos outros dois ensinamentos deixados por essa poderosa mobilização


B.Mendes, trabalhador em São José dos Campos

8 de junho de 2018

Artigo: Seis lições da greve dos caminhoneiros

08/06/2018 - Por B. Mendes

Muitos brasileiros estão frustrados com o término da greve dos caminhoneiros e, até mesmo, torcendo para uma nova paralisação. Isso acontece pois este movimento foi além das justas reivindicações econômicas pedidas pelos grevistas.

A greve tornou-se a expressão da revolta generalizada que existe na população brasileira. Assim como em 2013, não foi apenas por 20 centavos na redução da passagem, agora também não foi por 46 centavos na redução no preço do óleo diesel que pararam os caminhões.

Existe sim uma indignação contra os preços dos combustíveis em geral, com a alta carga de impostos, com os pedágios caros e com as condições nas estradas brasileiras. Para além disso, o que tornou a greve muito forte e seu apoio tão expressivo foi o nojo da canalhice do presidente e sua mala de propina com 500 mil reais mostrada pelos noticiários; a revolta ao lembrar do apartamento de um ex-ministro com 51 milhões de reais que a Polícia Federal precisou de cerca de 14 horas só pra contar; a certeza de que somos governados por uma camarilha de bandidos em Brasília, mas também nos estados e municípios, bandidos estes que não se detêm nem em roubar o dinheiro da merenda das crianças. Todos esses sentimentos, compartilhados por todos nós que trabalhamos muito todos os dias, somados à constatação da impunidade que reina nas também corruptas esferas judiciárias são componentes essenciais deste barril de pólvora chamado Brasil.

Importante notar que embora tenha se perdido uma chance de ouro [vale destacar, por culpa das direções burocráticas] para unir a luta de todos numa Greve Geral que derrubaria esse governo e a partir daí abrir novas perspectivas, quem sabe até de reorganizar a sociedade fazendo uma limpa, a greve dos caminhoneiros não foi em vão e deixou importantes lições. Nós reunimos seis destas lições, vamos começar com as duas primeiras:

1-      Onde está o verdadeiro poder?

O impacto e alcance da greve provou como é central o papel que exercem na economia e na política aqueles que transportam a riqueza deste país pelas estradas afora. O mais importante é entender que nada vale o dinheiro se não há nada para comprar. A verdadeira riqueza de um país está na produção e ponto final, obviamente que o deslocamento das mercadorias é parte do processo produtivo. Aqueles que controlam e distribuem a verdadeira riqueza, ou seja, os bens produzidos por milhões de trabalhadores, têm o poder em suas mãos e podem de fato mudar a história mais facilmente do que pensam. Aviões não decolam, carros ficam na garagem, algumas cargas assim como as ambulâncias são liberadas de acordo com a vontade de quem deve exercer o poder nesse país: os trabalhadores. Esta é sem dúvida uma grande lição que a greve dos caminhoneiros deixou e certamente só não foi mais profunda apenas por que certos burocratas a frente de imensos aparatos e federações sindicais não tiveram a decência de fazer aquilo que seria sua obrigação, ou seja, unir todos nessa luta chamando uma greve geral que abalaria as bases deste sistema capitalista decadente. Se em alguns dias os caminhoneiros deixaram o governo de joelhos, já imaginaram o que não faria a união de quem produz com quem transporta numa possível greve geral?  E pra quem pensa que esse assunto está encerrado resta lembrar que esse acerto de contas foi feito exatamente na medida das concessões do governo, de forma provisória.

2-      É preciso romper com o individualismo

Não resta dúvida sobre a força que exercem os caminhoneiros sobre a economia do país. Existem categorias que tem a mesma centralidade na economia, petroleiros, metalúrgicos, operários em geral, que são os que produzem a riqueza. Entretanto, enquanto profissão, não há comparação em alcance e impacto. Mesmo assim restou evidente que por mais forte que seja um setor isolado não é suficiente para fazer a mudança que o Brasil precisa. Se queremos que a transformação aconteça temos que estar dispostos a agir, por mais cômoda que seja a ideia de acompanhar tudo passivamente e ver caírem do poder todos estes parasitas que nos governam já deu pra ver que sem sacrifício e contribuição de todos para isso não vai rolar. Aliás, o individualismo é uma ideologia que antes de tudo ajuda a sustentar os privilégios, dividindo justamente aqueles precisam se unir para revolucionar a sociedade e colocar no devido lugar estes bandidos de terno que teimam em continuar aí fingindo que falam em nome do povo.


No próximo post publicaremos outros dois ensinamentos deixados por essa poderosa mobilização


B.Mendes, trabalhador em São José dos Campos




21 de maio de 2018

Devolução de reajuste ilegal: justiça dá prazo de 30 dias para Câmara e Prefeitura de SJC informarem evolução salarial desde 2009

21/5/2018 - A 1ª Vara da Fazenda Pública de São José dos Campos expediu ofício à Prefeitura de São José dos Campos e à Câmara de Vereadores para que informem, no prazo de 30 dias, a evolução salarial mês a mês do salário do prefeito, vice, secretários e vereadores, desde 2009. O prazo está contando desde o último dia 11 de maio.

A decisão é referente à ação ajuizada pelo PSTU em 2009, contra o aumento de salários recebido pelo então prefeito Eduardo Cury (PSDB), vice-prefeito, secretários de governo e vereadores naquele ano. Na época, os agentes públicos pegaram carona no gatilho de 5% concedido aos servidores municipais o que foi considerado ilegal pela Justiça.

O tema já foi julgado em todas as instâncias, até no Supremo Tribunal Federal (STF), não cabendo mais nenhum tipo de recurso.

Em recente decisão, em dezembro de 2017, o STF comunicou ao juiz da 1ª Vara da Fazenda de São José, Silvio José Pinheiro dos Santos, que a decisão para que os valores sejam devolvidos estava mantida e que não cabia mais nenhum recurso. O PSTU então peticionou ao juiz que fossem solicitados todos os dados à Prefeitura e à Câmara para o cálculo do dinheiro a ser devolvido.

Os ofícios despachados no último dia 11 dão prazo para que as partes informem esses dados, sob pena de desobediência à decisão.

“Cury e os demais envolvidos fizeram de tudo para não devolver esse dinheiro recebido indevidamente. Recorreram em todas as instâncias possíveis para protelar a devolução aos cofres públicos”, explicou Toninho Ferreira, presidente municipal do PSTU, autor da ação.

“Mas não tem jeito. Eles embolsaram um dinheiro indevido e vão ter de devolver. Que esses recursos sejam usados em prol da população”, defende Toninho.

Saiba mais
Em agosto de 2009, a Câmara Municipal de São José dos Campos editou duas leis que deram aumento de salários aos vereadores, prefeito, vice-prefeito e secretários. Além de reajustar os salários pela inflação acumulada desde a posse, uma das leis criou um gatilho salarial igual ao dos servidores municipais. Sempre que a inflação ultrapassasse 5% em doze meses, os salários já reajustados seriam corrigidos automaticamente.

O PSTU entrou com uma ação contestando a medida e, em primeira instância, a Justiça de São José entendeu que apenas o aumento dos vereadores era indevido. Posteriormente, o Tribunal de Justiça de São Paulo acolheu recurso do PSTU e ampliou a condenação para todos.


O ex-prefeito Eduardo Cury e a Prefeitura de São José dos Campos apresentaram recurso ao STF. Em novembro de 2016, o STF julgou improcedentes esses recursos, mantendo a decisão do TJ de São Paulo e em 14 de fevereiro de 2017 a 1ª Turma confirmou o julgamento. Os envolvidos recorreram novamente, e no final do ano o STF manteve a decisão.


Dados do Processo:
Ação Popular
Proc. nº 0567418-98.2009.8.26.0577
1ª Vara da Fazenda Pública de São José dos Campos

Artigo: 130 anos depois, refazer Palmares

13/5/2018 - Por Raquel de Paula, da secretaria de negras e negros do PSTU

No dia 13 de maio se completaram 130 anos que a escravidão foi legalmente abolida no Brasil. Mas o fato é que os negros saíram das senzalas, mas foram empurrados para as favelas. Nenhum tipo de reparação ocorreu e nenhuma garantia de direitos pelos 350 anos de escravidão. Até hoje continuamos lutando por igualdade.

É verdade que houve pequenos avanços, também fruto da luta, mas o racismo e a desigualdade seguem oprimindo o povo negro. Somos minoria nas universidades; dos 700 mil encarcerados, 80% são negros; as mulheres negras continuam sendo as maiores vítimas da violência machista, entre tantos outros fatos.

O Estatuto da Igualdade Racial (lei 12.888/2010), que poderia ter sido instrumento de nossa luta para diminuir as diferenças sociais, foi enterrado num acordo entre o PT e o DEM, que retirou do texto original reivindicações históricas do movimento negro.

Como se não bastasse, se depender dos governos e patrões voltaremos de novo para as senzalas: a Reforma Trabalhista nos jogará ainda mais no subemprego, com salários ainda menores e tendo de trabalhar por mais horas para garantir a sobrevivência.

Precisamos refazer Palmares, organizar um levante negro para que haja reparações pela crueldade da escravidão, assim como para indígenas que foram assassinados.

Desmistificar a Lei Áurea é contar a história de fato como ela foi. É lembrar Zumbi, Dandara, João Cândido e tantos outros que deram suas vidas por liberdade.

Artigo publicado no jornal O Vale, 15 de maio de 2018




11 de maio de 2018

Por defesa de empregos e soberania, ato em São José dos Campos, na terça (15), exigirá do governo veto à venda da Embraer

11/5/2018 - Um protesto na próxima terça-feira (15), às 16h, em frente à Prefeitura de São José dos Campos (SP), vai cobrar um posicionamento do poder público local e estadual contra a venda da Embraer para a Boeing, transação que ameaça milhares de empregos e o futuro da companhia no país.

O protesto está sendo organizado pelos sindicatos dos metalúrgicos de São José dos Campos, Botucatu e Araraquara, que estão à frente da campanha “A Embraer é nossa. Não à venda da Embraer para a Boeing”.

Em fevereiro, o Sindicato de São José enviou cartas à Prefeitura e ao governo do Estado pedindo reuniões para discutir o tema, mas não obteve qualquer resposta. Na Câmara Municipal, os vereadores também se recusaram a realizar uma audiência pública para debater o tema com a sociedade.

Na visão das entidades sindicais, a compra da Embraer pela a Boeing, se concretizada, pode levar a companhia brasileira a ser reduzida a uma mera fabricante de componentes aeronáuticos. Isso fatalmente reduziria a importância da empresa, que é uma potência na indústria aeronáutica brasileira e está entre as maiores do mundo.

Esta transformação trará impactos negativos para a cidade e o Estado, com aumento do desemprego, da arrecadação de impostos e da atividade industrial.

Na terça-feira (8), o Ministério Público do Trabalho notificou Embraer e Boeing, cobrando que a negociação comercial entre as empresas contenha “salvaguardas trabalhistas”, com o objetivo de preservar os postos de trabalho no Brasil, onde a fabricante conta com 16 mil empregados.

O protesto desta terça-feira também está sendo convocado por federações e confederações de metalúrgicos, como a FEM/CUT (Federação dos Sindicatos Metalúrgicos do Estado de São Paulo), FITMetal (Federação Interestadual de Metalúrgicos e Metalúrgicas do Brasil/CTB) e CNTM (Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos/Força Sindical).

“É urgente que a Prefeitura de São José dos Campos e o governo do Estado rompam o silêncio e cobrem o governo de Michel Temer a usar seu poder de veto para impedir a venda da Embraer. A empresa tem papel fundamental na economia do país e o poder público não pode simplesmente ficar calado diante da possibilidade da Embraer deixar o Brasil”, afirma o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e região, Herbert Claros.

Para o presidente do PSTU de São José dos Campos, Toninho Ferreira, essa é uma luta que precisa ser assumida por todos os sindicatos, organizações e movimentos dos trabalhadores. "Trata-se de uma luta urgente em defesa dos empregos e da soberania nacional", disse.

O PSTU reafirma todo apoio aos trabalhadores da Embraer e estaremos juntos nessa luta.


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Embraer: radiografia de uma operação criminosa | Por Nazareno Godeiro


Negociação com a Boeing é golpe final para desnacionalização da Embraer. Nossa luta é pela reestatização!




Atividade na Ocupação Coração Valente marcará 13 de maio com denúncia do racismo

10/5/2018 - O movimento Luta Popular organiza neste sábado (12) um debate na ocupação Quilombo Coração Valente, em Jacareí, para marcar o dia 13 de Maio, quando se completará 130 anos da abolição da escravidão no país.

Mas longe de comemorar a data, a atividade pretende denunciar o racismo estrutural existente no Brasil até os dias de hoje e a falta de reparações ao povo negro.

A atividade, marcada para as 15 horas, contará com um debate e um café comunitário com os moradores.

“A luta do movimento negro combativo é para denunciar que houve uma abolição oficial, sem que tenha havido reparações ao povo negro depois de 300 anos de escravidão e, mais do que isso, mantiveram o sistema de opressão e racismo que impôs à população negra as piores condições sociais desde então”, explica Raquel de Paula, do Movimento Luta Popular e Quilombo Raça e Classe, filiados à CSP-CONLUTAS.

“Não é a toa que negros e negras são maioria entre desempregados, ocupam os postos de trabalho mais precários, recebem menos e são a maioria dos sem teto nesse país”, exemplificou.

“Nosso debate é para dizer que é preciso lutar por reparações históricas e também para destruir esse sistema que usa a opressão para explorar ainda mais”, concluiu.

A Ocupação Coração Valente fica na estrada do Rio Comprido, na divisa entre São José dos Campos e Jacareí.


21 de março de 2018

Vera Lúcia, pré-candidata do PSTU à Presidência, estará em São José nesta quinta (22)


21/3/2018 - O PSTU de São José dos Campos realiza nesta quinta-feira (22) a apresentação do manifesto “Um Chamado à Rebelião”, em que o partido trata da situação nacional e propõe o início de uma discussão sobre um programa socialista para o país e a crise.

Vera Lúcia, pré-candidata do partido à Presidência da República, estará presente e apresentará o documento, cujo objetivo é discutir com o ativismo, das fábricas, escolas e periferias, a construção de um programa socialista nas eleições de 2018.

Negra, operária e socialista, Vera é uma reconhecida ativista sindical e política de Sergipe e figura em primeiro lugar em pesquisa espontânea para o governo no estado.

“Chega de escolher entre a forca e a guilhotina para a classe trabalhadora! Só é possível garantir emprego, salário, saúde, moradia, acabar com as opressões, a violência e a corrupção, tomando medidas anti-imperialistas e anticapitalistas, afirma o Manifesto.

A atividade será realizada, às 18h, na sede do PSTU (Rua Romeu Carnevalli, 63, centro, São José dos Campos).

O Manifesto pode ser acessado na íntegra em: http://projetosocialista.com.br/