Embraer: radiografia de uma operação criminosa

Artigo de Nazareno Godeiro, do Ilaese, detalha as consequências caso ocorra a venda da Embraer à Boeing

Manifesto: PSTU convida o ativismo à rebelião e à construção de um projeto socialista

Texto será discutido com ativistas para a definição de um programa socialista às eleições. PSTU abre legenda para lutadores

21 de maio de 2018

Devolução de reajuste ilegal: justiça dá prazo de 30 dias para Câmara e Prefeitura de SJC informarem evolução salarial desde 2009

21/5/2018 - A 1ª Vara da Fazenda Pública de São José dos Campos expediu ofício à Prefeitura de São José dos Campos e à Câmara de Vereadores para que informem, no prazo de 30 dias, a evolução salarial mês a mês do salário do prefeito, vice, secretários e vereadores, desde 2009. O prazo está contando desde o último dia 11 de maio.

A decisão é referente à ação ajuizada pelo PSTU em 2009, contra o aumento de salários recebido pelo então prefeito Eduardo Cury (PSDB), vice-prefeito, secretários de governo e vereadores naquele ano. Na época, os agentes públicos pegaram carona no gatilho de 5% concedido aos servidores municipais o que foi considerado ilegal pela Justiça.

O tema já foi julgado em todas as instâncias, até no Supremo Tribunal Federal (STF), não cabendo mais nenhum tipo de recurso.

Em recente decisão, em dezembro de 2017, o STF comunicou ao juiz da 1ª Vara da Fazenda de São José, Silvio José Pinheiro dos Santos, que a decisão para que os valores sejam devolvidos estava mantida e que não cabia mais nenhum recurso. O PSTU então peticionou ao juiz que fossem solicitados todos os dados à Prefeitura e à Câmara para o cálculo do dinheiro a ser devolvido.

Os ofícios despachados no último dia 11 dão prazo para que as partes informem esses dados, sob pena de desobediência à decisão.

“Cury e os demais envolvidos fizeram de tudo para não devolver esse dinheiro recebido indevidamente. Recorreram em todas as instâncias possíveis para protelar a devolução aos cofres públicos”, explicou Toninho Ferreira, presidente municipal do PSTU, autor da ação.

“Mas não tem jeito. Eles embolsaram um dinheiro indevido e vão ter de devolver. Que esses recursos sejam usados em prol da população”, defende Toninho.

Saiba mais
Em agosto de 2009, a Câmara Municipal de São José dos Campos editou duas leis que deram aumento de salários aos vereadores, prefeito, vice-prefeito e secretários. Além de reajustar os salários pela inflação acumulada desde a posse, uma das leis criou um gatilho salarial igual ao dos servidores municipais. Sempre que a inflação ultrapassasse 5% em doze meses, os salários já reajustados seriam corrigidos automaticamente.

O PSTU entrou com uma ação contestando a medida e, em primeira instância, a Justiça de São José entendeu que apenas o aumento dos vereadores era indevido. Posteriormente, o Tribunal de Justiça de São Paulo acolheu recurso do PSTU e ampliou a condenação para todos.


O ex-prefeito Eduardo Cury e a Prefeitura de São José dos Campos apresentaram recurso ao STF. Em novembro de 2016, o STF julgou improcedentes esses recursos, mantendo a decisão do TJ de São Paulo e em 14 de fevereiro de 2017 a 1ª Turma confirmou o julgamento. Os envolvidos recorreram novamente, e no final do ano o STF manteve a decisão.


Dados do Processo:
Ação Popular
Proc. nº 0567418-98.2009.8.26.0577
1ª Vara da Fazenda Pública de São José dos Campos

Artigo: 130 anos depois, refazer Palmares

13/5/2018 - Por Raquel de Paula, da secretaria de negras e negros do PSTU

No dia 13 de maio se completaram 130 anos que a escravidão foi legalmente abolida no Brasil. Mas o fato é que os negros saíram das senzalas, mas foram empurrados para as favelas. Nenhum tipo de reparação ocorreu e nenhuma garantia de direitos pelos 350 anos de escravidão. Até hoje continuamos lutando por igualdade.

É verdade que houve pequenos avanços, também fruto da luta, mas o racismo e a desigualdade seguem oprimindo o povo negro. Somos minoria nas universidades; dos 700 mil encarcerados, 80% são negros; as mulheres negras continuam sendo as maiores vítimas da violência machista, entre tantos outros fatos.

O Estatuto da Igualdade Racial (lei 12.888/2010), que poderia ter sido instrumento de nossa luta para diminuir as diferenças sociais, foi enterrado num acordo entre o PT e o DEM, que retirou do texto original reivindicações históricas do movimento negro.

Como se não bastasse, se depender dos governos e patrões voltaremos de novo para as senzalas: a Reforma Trabalhista nos jogará ainda mais no subemprego, com salários ainda menores e tendo de trabalhar por mais horas para garantir a sobrevivência.

Precisamos refazer Palmares, organizar um levante negro para que haja reparações pela crueldade da escravidão, assim como para indígenas que foram assassinados.

Desmistificar a Lei Áurea é contar a história de fato como ela foi. É lembrar Zumbi, Dandara, João Cândido e tantos outros que deram suas vidas por liberdade.

Artigo publicado no jornal O Vale, 15 de maio de 2018




11 de maio de 2018

Por defesa de empregos e soberania, ato em São José dos Campos, na terça (15), exigirá do governo veto à venda da Embraer

11/5/2018 - Um protesto na próxima terça-feira (15), às 16h, em frente à Prefeitura de São José dos Campos (SP), vai cobrar um posicionamento do poder público local e estadual contra a venda da Embraer para a Boeing, transação que ameaça milhares de empregos e o futuro da companhia no país.

O protesto está sendo organizado pelos sindicatos dos metalúrgicos de São José dos Campos, Botucatu e Araraquara, que estão à frente da campanha “A Embraer é nossa. Não à venda da Embraer para a Boeing”.

Em fevereiro, o Sindicato de São José enviou cartas à Prefeitura e ao governo do Estado pedindo reuniões para discutir o tema, mas não obteve qualquer resposta. Na Câmara Municipal, os vereadores também se recusaram a realizar uma audiência pública para debater o tema com a sociedade.

Na visão das entidades sindicais, a compra da Embraer pela a Boeing, se concretizada, pode levar a companhia brasileira a ser reduzida a uma mera fabricante de componentes aeronáuticos. Isso fatalmente reduziria a importância da empresa, que é uma potência na indústria aeronáutica brasileira e está entre as maiores do mundo.

Esta transformação trará impactos negativos para a cidade e o Estado, com aumento do desemprego, da arrecadação de impostos e da atividade industrial.

Na terça-feira (8), o Ministério Público do Trabalho notificou Embraer e Boeing, cobrando que a negociação comercial entre as empresas contenha “salvaguardas trabalhistas”, com o objetivo de preservar os postos de trabalho no Brasil, onde a fabricante conta com 16 mil empregados.

O protesto desta terça-feira também está sendo convocado por federações e confederações de metalúrgicos, como a FEM/CUT (Federação dos Sindicatos Metalúrgicos do Estado de São Paulo), FITMetal (Federação Interestadual de Metalúrgicos e Metalúrgicas do Brasil/CTB) e CNTM (Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos/Força Sindical).

“É urgente que a Prefeitura de São José dos Campos e o governo do Estado rompam o silêncio e cobrem o governo de Michel Temer a usar seu poder de veto para impedir a venda da Embraer. A empresa tem papel fundamental na economia do país e o poder público não pode simplesmente ficar calado diante da possibilidade da Embraer deixar o Brasil”, afirma o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e região, Herbert Claros.

Para o presidente do PSTU de São José dos Campos, Toninho Ferreira, essa é uma luta que precisa ser assumida por todos os sindicatos, organizações e movimentos dos trabalhadores. "Trata-se de uma luta urgente em defesa dos empregos e da soberania nacional", disse.

O PSTU reafirma todo apoio aos trabalhadores da Embraer e estaremos juntos nessa luta.


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Embraer: radiografia de uma operação criminosa | Por Nazareno Godeiro


Negociação com a Boeing é golpe final para desnacionalização da Embraer. Nossa luta é pela reestatização!




Atividade na Ocupação Coração Valente marcará 13 de maio com denúncia do racismo

10/5/2018 - O movimento Luta Popular organiza neste sábado (12) um debate na ocupação Quilombo Coração Valente, em Jacareí, para marcar o dia 13 de Maio, quando se completará 130 anos da abolição da escravidão no país.

Mas longe de comemorar a data, a atividade pretende denunciar o racismo estrutural existente no Brasil até os dias de hoje e a falta de reparações ao povo negro.

A atividade, marcada para as 15 horas, contará com um debate e um café comunitário com os moradores.

“A luta do movimento negro combativo é para denunciar que houve uma abolição oficial, sem que tenha havido reparações ao povo negro depois de 300 anos de escravidão e, mais do que isso, mantiveram o sistema de opressão e racismo que impôs à população negra as piores condições sociais desde então”, explica Raquel de Paula, do Movimento Luta Popular e Quilombo Raça e Classe, filiados à CSP-CONLUTAS.

“Não é a toa que negros e negras são maioria entre desempregados, ocupam os postos de trabalho mais precários, recebem menos e são a maioria dos sem teto nesse país”, exemplificou.

“Nosso debate é para dizer que é preciso lutar por reparações históricas e também para destruir esse sistema que usa a opressão para explorar ainda mais”, concluiu.

A Ocupação Coração Valente fica na estrada do Rio Comprido, na divisa entre São José dos Campos e Jacareí.


21 de março de 2018

Vera Lúcia, pré-candidata do PSTU à Presidência, estará em São José nesta quinta (22)


21/3/2018 - O PSTU de São José dos Campos realiza nesta quinta-feira (22) a apresentação do manifesto “Um Chamado à Rebelião”, em que o partido trata da situação nacional e propõe o início de uma discussão sobre um programa socialista para o país e a crise.

Vera Lúcia, pré-candidata do partido à Presidência da República, estará presente e apresentará o documento, cujo objetivo é discutir com o ativismo, das fábricas, escolas e periferias, a construção de um programa socialista nas eleições de 2018.

Negra, operária e socialista, Vera é uma reconhecida ativista sindical e política de Sergipe e figura em primeiro lugar em pesquisa espontânea para o governo no estado.

“Chega de escolher entre a forca e a guilhotina para a classe trabalhadora! Só é possível garantir emprego, salário, saúde, moradia, acabar com as opressões, a violência e a corrupção, tomando medidas anti-imperialistas e anticapitalistas, afirma o Manifesto.

A atividade será realizada, às 18h, na sede do PSTU (Rua Romeu Carnevalli, 63, centro, São José dos Campos).

O Manifesto pode ser acessado na íntegra em: http://projetosocialista.com.br/







15 de março de 2018

Punição exemplar para todos os envolvidos nas execuções de Marielle e Anderson. Fim da intervenção no RJ!

15/3/2018 - O assassinato da vereadora do PSOL e ativista social, Marielle Franco, e do motorista Anderson Pedro Gomes, ocorridos nesse dia 14 de março, foi um acontecimento brutal em uma cidade já bastante abalada pelo caos social.

Tudo indica que se trata de uma execução. Esta inclusive é a principal linha de investigação da polícia. É necessária a mais ampla investigação e punição para os assassinos e seus mandantes.

Ainda não sabemos qual foi a mão que puxou o gatilho e nem quem foram exatamente os mandantes deste crime, mas ao que tudo indica se trata de uma execução política devido à atuação da vereadora nas denúncias dos crimes de policiais e militância nos Direitos Humanos, e que integrava agora a comissão para acompanhar a intervenção no Rio.

Já podemos também dizer quem são os responsáveis pelo que aconteceu com Marielle e Anderson, e vem acontecendo com milhares de pessoas todos os dias no Rio de Janeiro.

As medidas sociais e políticas tomadas pelos governantes da cidade, do estado e do país, que aumentam o desemprego, retiram direitos, atacam os mais pobres, justificam o genocídio cometido contra mulheres, negros, LGBT’s e pobres, e os responsáveis por elas, Crivella, Pezão e Temer, são os que devem responder pela morte da militante e ativista Marielle Franco.


Não vemos a morte da vereadora, lutadora e ativista Marielle Franco como um acontecimento isolado.

A morte de Marielle demonstra a falência completa da segurança pública em nosso estado. Infelizmente, é mais um acontecimento brutal em um Rio de Janeiro marcado pelo caos social, onde há uma verdadeira guerra social contra os pobres.

São milhares de pobres e negros nas favelas cariocas assassinados pelo Estado, como o caso da favela de Acari denunciado pela própria vereadora.

Os trabalhadores ficam no fogo cruzado do tráfico, milícia e polícia. Atitudes como a militarização da cidade do Rio de Janeiro em nome de combater a violência endêmica na cidade, a invasão de morros e comunidades, ao invés de diminuir a violência só a aumenta.

Usar o Exército, ao invés de combater as causas estruturais que geram desespero social, ao invés de atacar o desemprego, a falta de saúde, educação, moradia, saneamento básico só aumenta a conflagração social e cria todos os dias os desesperados sociais capazes de qualquer ato.

Diante deste cenário achamos que os trabalhadores e trabalhadoras devem organizar sua defesa contra a violência da polícia, da milícia e do tráfico.

Nós do PSTU nos solidarizamos com os amigos, familiares e companheiros de partido de Marielle Franco e de Anderson. Desde nosso partido dizemos que este crime não pode ficar impune, que os mandantes e executores tem que receber punição exemplar.

Os assassinatos de mulheres, negras, LGBT’s e faveladas, como a própria Marielle, não vão parar se não nos rebelarmos contra aqueles que são os verdadeiros responsáveis por mais esta morte.

Toda a indignação, toda a dor e toda a tristeza que vivemos hoje deve se transformar em ação e organização para que os de baixos, a classe trabalhadora, negras e negros, pobres, faveladas e favelados, LGBT’s se rebelem e derrubem os de cima.

– Punição exemplar para todos os envolvidos no assassinato de Marielle Franco e Anderson.

– Abaixo a intervenção militar no Rio!

– Pelo fim da violência e da repressão contra os pobres e negros nas periferias!

– Que os trabalhadores organizem sua defesa contra a violência da polícia, milícia é do tráfico.

– Fora Temer, Pezão e Crivella!


PSTU Rio de Janeiro



Leia também: Intervenção federal no Rio de Janeiro vai aumentar violência contra pobres






27 de fevereiro de 2018

Eleição do Sindicato dos Metalúrgicos de São José tem início e agita cenário político

27/2/2018 - Teve início na madrugada desta terça-feira (27), a eleição que vai definir a próxima diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e região. A votação se encerra na noite de quarta-feira (28). Ao longo dos dois dias, 50 urnas irão recolher os votos nas fábricas da categoria, na sede e subsedes do Sindicato.

Duas chapas disputam o pleito. A Chapa 1 é a chapa da CSP-Conlutas, que representa a atual diretoria, e Chapa 2, da CUT, de oposição.

Os rumos de um dos principais sindicatos do país
Com uma tradição combativa e classista, o Sindicato dos Metalúrgicos de São José é um dos principais do país. A categoria é conhecida pelas fortes lutas travadas ao longo de sua história, sempre com independência de governos e patrões.

A entidade teve papel de destaque nas lutas contra os ataques dos governos, sejam os do PSDB, PT ou PMDB, sempre em defesa dos direitos dos trabalhadores. Notadamente, no último período, os metalúrgicos de São José e região foram linha de frente da luta contra as reformas do governo Temer.

A entidade foi também a primeira a romper com a CUT, em 2004, por não aceitar o atrelamento da central cutista ao governo petista e seu abandono da luta independente em defesa dos trabalhadores.

Mesmo antes do início do processo eleitoral, a eleição mexeu com a região. Prefeitos ligados ao PSDB, em São José e Jacareí, vereadores e empresários se articulam para tentar tirar o Sindicato das mãos da atual diretoria, ligada à CSP-Conlutas. Para eles o sindicato precisa ser mais “moderno” e “flexível”, ou em outras palavras, aceitar abrir mão e rifar os direitos dos trabalhadores. O discurso foi adotado pela chapa de oposição ligada à CUT.

O jornal regional O Vale trouxe matérias sobre essa tentativa de influenciar as eleições dos trabalhadores e, nesta terça (27), nova matéria revela que o pleito está sendo acompanhado de perto por empresários e políticos, tendo ocorrido encontros no gabinete do prefeito de São José para discutir o tema.

Tirem as mãos do Sindicato dos trabalhadores!
A Chapa 1 repudia a tentativa da patronal influenciar o processo eleitoral da categoria. “Governos e patrões querem retirar a atual diretoria, ligada à CSP-Conlutas, do Sindicato pois sabem que não temos rabo preso com governo e patrões e nosso único compromisso com a defesa dos trabalhadores. Aqui não tem conchavo com patrão para rifar os direitos dos metalúrgicos”, afirma Weller Gonçalves, atual diretor e candidato da Chapa 1 a presidente.

“Ao longo da campanha recebemos o apoio de muitos trabalhadores e pesquisas mostram que a Chapa 1 é a preferida na categoria. Os metalúrgicos e metalúrgicas vão dar uma resposta com a vitória da nossa chapa”, disse.

Para Toninho Ferreira, presidente do PSTU de São José dos Campos, que também já foi presidente do Sindicato, a eleição em curso coloca em debate na categoria dois projetos opostos para o próximo período.

“A Chapa 1 representa a tradição combativa e independente dos governos e patrões da categoria. Aponta a necessidade de manter o Sindicato no caminho das lutas para combater a implementação da Reforma Trabalhista, a ampliação da terceirização e lutar contra a Reforma da Previdência. Defende também a construção de uma Greve Geral para derrotar Temer e os corruptos do Congresso. É a chapa que tem condições de manter o Sindicato como um instrumento para as lutas dos trabalhadores”, defende.

A apuração acontece na quinta-feira (1º), no Grupo Nova Era (Av. Vinte e Três de Maio, 950, Vila Maria).

19 de fevereiro de 2018

Intervenção militar no Rio vai aumentar a violência contra os pobres

19/2/2018 - Não é novidade para ninguém a violência generalizada que se abate sobre a população pobre do rio de Janeiro, notadamente as que vivem nas comunidades. Violência do tráfico, das milícias e, mais grave, violência da própria polícia, que deveria proteger as pessoas. Não é de hoje o verdadeiro genocídio contra a juventude negra e pobre das periferias que assistimos no Brasil.

Há muitas teorias da conspiração circulando nas redes sociais e nas declarações de algumas organizações políticas. E há mesmo aqueles que acham que é só mais uma ação atabalhoada de um governo que não encontra mais onde se sustentar. Para além de tudo isso, o que é certo é que estamos diante do aprofundamento de uma escalada repressiva e de criminalização das lutas dos trabalhadores e da pobreza em nosso país que, aliás, não é de agora. Lembremos que, ainda no governo anterior, tivemos a aprovação da Lei Anti-Terrorismo, Lei das Organizações Criminosas e decretos autorizando a utilização das Forças Armadas na garantia da “lei e da ordem” dentre outros.

E, se há outra coisa certa, é que Intervenção Militar Federal decretada por Temer, no Rio, não vai acabar com essa violência. Vai aumentá-la ainda mais. É para isso que o Exército é treinado. Foi para isso, entre outras coisas, que o governo brasileiro – à época o presidente Lula (PT) – mandou tropas brasileiras para ocupar o Haiti: treinar para dias como o que estamos vivendo agora. Foi isso que houve quando FHC (PSDB) usou o Exército para reprimir a greve dos petroleiros em 1995, e quando a presidenta Dilma (PT) usou o Exército para reprimir os manifestantes que lutavam contra o leilão do Campo de Libra, das reservas de petróleo do Pré-sal.

O objetivo do governo Temer e do governo Pezão (todos do MDB) é fortalecer o dispositivo de contenção social, para tentar evitar que fuja do controle a enorme revolta que se acumula na base da sociedade contra a desigualdade, a injustiça, a corrupção e os abusos dos grandes empresários e das próprias autoridades. Mais ainda porque agora essa revolta começa a se espraiar entre os próprios policiais militares e civis do estado que estão atirados em uma situação de total abandono pelo poder público (vejam exemplo recente no Rio Grande do Norte).

Legalização das Drogas, já!
Mas que não se iludam os setores de classe média, da população do Rio, porque esta operação tampouco está destinada a garantir a “sua” segurança. Os governos federal e do Rio, assim como qualquer pessoa medianamente informada, sabem muito bem que a política de “guerra contra as drogas” só tem gerado, onde foi aplicada, mais insegurança e violência que acaba se abatendo sobre todos.

Os policiais militares e civis lançados na tal “guerra às drogas” acabam sendo vítimas (veja o número de policiais mortos só no Rio) e promotores da violência, muitas vezes corrompidos e associados a atividades criminosas. A intensificação dessa política com a Intervenção Militar no Rio só vai levar a ampliar essa situação, O mesmo vai acabar ocorrendo com os militares que agora assumem esta função. É só uma questão de tempo…pouco tempo.

Debelar o problema da violência gerada pelo confronto das quadrilhas e destas com a polícia passa, em primeiro lugar, por uma política agressiva de legalização das drogas, e de centralizar nas mãos do Estado a sua distribuição. Os impostos arrecadados com a venda seriam destinados à adoção pelo Estado de medidas de acompanhamento e proteção/recuperação da saúde física e mental dos dependentes.

Fim dos privilégios dos capitalistas, por vida digna para quem trabalha
Mas as medidas para acabar com esse caos não se resumem ao problema das drogas. O pano de fundo que deixa a população pobre prisioneira desta situação – vítima do tráfico, das milícias, da polícia – é a falta de emprego decente, salário digno, direito à moradia digna, educação, saúde, oportunidade para seus filhos terem um futuro melhor.

E isso não vai mudar se não atacarmos os privilégios daqueles que tem construído sua fortuna com a miséria dos que trabalham. É preciso expropriar todas as empresas envolvidas em corrupção, confiscar a fortuna dos seus proprietários; estatizar as empresas que fecharam as portas no Rio demitindo trabalhadores; acabar com os subsídios com dinheiro público para grandes empresas; suspender o pagamento da dívida pública aos bancos…e usar estes recursos para assegurar emprego, salário e vida digna a todos e todas.

A classe trabalhadora e o povo pobre precisam organizar sua autodefesa
Não haverá segurança para os trabalhadores e o povo pobre enquanto estes mesmos não tomarem em suas mãos a tarefa de garantí-la. É preciso que os moradores das comunidades se organizem e busquem os meios de se defenderem, seja da violência do tráfico, das milícias, ou da polícia. Os trabalhadores e o povo pobre somos a ampla maioria da população, temos mais força do que todos eles. Precisamos apenas nos organizar.

Parte importante desta organização é buscar e cobrar apoio dos próprios componentes das forças policiais, fazê-los ver que precisam repensar seu papel na sociedade. A situação de penúria que vive agora os policiais militares e civis do Rio que estão sem receber salários, sem as mínimas condições de exercer sua função por falta de equipamentos, é expressão de que os governos não querem assegurar segurança pública nenhuma. Quer apenas que os policiais atuem como braço armado para defender os privilégios dos ricos, massacrando os trabalhadores quando lutam e a população pobre para que ela não se revolte (muitas vezes batendo e atirando em seus próprios irmãos, pais e filhos).

E isso precisa e pode mudar. É preciso que os trabalhadores e o povo pobre se organizem, nas fábricas e nas comunidades; é preciso que os policiais se unam aos trabalhadores e suas lutas. Esse é o caminho para garantir uma verdadeira segurança para todos e todas que trabalham. Esse é o caminho para mudar a sociedade em que vivemos, para acabar com o capitalismo e construir uma sociedade socialista, que livre todos e todas que trabalham de toda forma de exploração, opressão, violência, abusos e humilhação a que estamos sujeitos hoje.

Fora Intervenção Militar Federal do Rio de Janeiro!

Fora Pezão e seu governo cheio de corruptos!

Fora Temer e toda sua quadrilha!

Fora todos eles!

Por um governo socialista dos trabalhadores, apoiado em conselhos populares organizados pelos operários e pelo povo pobre!



Por Zé Maria, presidente nacional do PSTU 
www.pstu.org.br




Contra Reforma da Previdência, trabalhadores realizam paralisações, atos e protestos pelo país

19/2/2018 - Manifestações pelo país desde as primeiras horas desta segunda-feira (19) colocam em xeque, mais uma vez, a nefasta proposta de reforma da Previdência do governo Temer.

Trabalhadores de várias categorias, aposentados, sem teto, sem terra e estudantes realizam paralisações, protestos e atos em várias cidades, que afetaram a produção de fábricas, o funcionamento de bancos, do transporte de ônibus, aeroportos e o tráfego em estradas.

É o Dia Nacional de Lutas convocado pelas centrais sindicais, entre elas a CSP-Conlutas, contra essa reforma que ameaça acabar com o direito à aposentadoria dos trabalhadores brasileiros.

Em São José dos Campos e Jacareí, metalúrgicos realizaram mobilizações em várias fábricas, entre as quais, GM, Chery, JC Hitachi, Eaton, Prolind e Famecânica.

Em votações, os trabalhadores repudiaram a proposta do governo de Michel Temer (MDB) e reafirmaram a necessidade de uma Greve Geral que paralise o país, no caso da reforma ser levada à votação na Câmara. A tramitação da proposta está suspensa em função da votação do decreto de intervenção federal no Rio de Janeiro.

Nas assembleias, o Sindicato também denunciou os deputados da região Eduardo Cury (PSDB), Marcio Alvino (PR) e Pollyana Gama (PPS), que defendem a reforma.

Ato reúne várias categorias no centro de São José

Ainda pela manhã, sindicatos de várias categorias, como metalúrgicos, químicos, petroleiros, servidores municipais, trabalhadores dos Correios, aposentados, entre outros, realizaram um ato unificado no centro de São José dos Campos.

A manifestação, organizada pelo Fórum de Lutas do Vale do Paraíba, percorreu em passeata as principais ruas do centro com faixas e cartazes.

Toninho Ferreira, presidente do PSTU de São José dos Campos falou durante o ato. Confira vídeo da manifestação em: https://goo.gl/TupsZY


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