Embraer: radiografia de uma operação criminosa

Artigo de Nazareno Godeiro, do Ilaese, detalha as consequências caso ocorra a venda da Embraer à Boeing

Manifesto: PSTU convida o ativismo à rebelião e à construção de um projeto socialista

Texto será discutido com ativistas para a definição de um programa socialista às eleições. PSTU abre legenda para lutadores

17 de julho de 2018

Quem precisa de uma ponte estaiada?

17-07-2018 - Projeto da prefeitura de São José dos Campos é caro, desnecessário e integra modelo ultrapassado de mobilidade urbana


O anúncio da construção de uma ponte estaiada na zona oeste da cidade, sobre a rotatória entre as avenidas São João e Eduardo Cury e o Córrego Vidoca, pegou a população de surpresa, principalmente por suas grandes dimensões, completamente desproporcionais e exageradas.


A obra está orçada em cerca de R$ 63 milhões, com boa parte desse dinheiro vinda de empréstimo junto ao BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). A justificativa da prefeitura é desafogar o trânsito daquele ponto, principalmente em horários de pico.

O problema é que, no horário de pico, há vários pontos de engarrafamento na cidade e nenhum deles exige um tempo enorme para a travessia. Assim, o volume do trânsito de veículos não é motivo para construir uma ponte desse tamanho e com todo esse dinheiro.

Falando em dinheiro, lembramos que a cidade tem muitas prioridades antes de qualquer ponte, como saúde, moradia, educação e tantas outras.

Mas, mesmo entre os que reconhecem tudo isso, há aqueles que defendem o projeto da ponte, por considerá-lo um símbolo de progresso da cidade.

Modelo ultrapassado

Na verdade, esse projeto vem coroar um modelo já bastante antiquado de mobilidade urbana.

Nos anos 1920, o Engenheiro Francisco Prestes Maia elaborou um projeto de urbanização para a cidade de São Paulo, que tinha como foco a atração de investimentos, com prioridade no automóvel, que, naquela época, era o símbolo de progresso. Em 1930, foi publicado o projeto do engenheiro, com o nome de Plano de Avenidas para a Cidade de São Paulo (Ed. Melhoramentos, 1930).

E, até hoje, as cidades do país planejam a vida de seus habitantes considerando, em primeiro lugar, o tráfego de veículos individuais.

O projeto da ponte estaiada, então, não tem nada de moderno. Ao contrário, é pensado a partir de ideias velhas, de cerca de 100 anos, condensadas em um livro de 1930.

Novas propostas

No quesito mobilidade urbana, o atual transporte público, caro e ineficiente, incentiva as pessoas a usarem cada vez mais seus carros. Há hoje uma frota de cerca de 400.000 veículos na cidade, numa relação próxima a de um carro para cada dois habitantes. E a solução não é abrir avenidas e construir pontes.

A cultura do automóvel deve acabar. Aliás, o próprio automóvel como conhecemos hoje está com os dias contados. Existem já em testes serviços de transporte via aplicativos que usam carros autônomos, ou seja, sem motorista.

Mas, por enquanto, os nossos automóveis devem ser usados como exceção, não como regra. Para isso, deve-se municipalizar o transporte público urbano, sem empresas privadas prestando esse serviço e sim uma única empresa municipal. Consequentemente, haverá transporte em todos os horários, em todos os lugares e a baixo custo. Além disso, ciclovias e novas formas de transporte devem ser implementadas.

Há várias alternativas para a mobilidade urbana, que custam menos, são menos poluentes e tem como prioridade melhorar a vida das pessoas.

Portanto, não precisamos, absolutamente, dessa ponte ridícula.


De SJ Campos, por Denis Ometto, advogado e militante do PSTU.

6 de julho de 2018

Em acordo para criação de nova empresa, Embraer entrega aviação comercial à Boeing. É preciso impedir!

06-07-2018 - Depois de vários meses de negociações e suspense, finalmente as fabricantes de aviões Embraer e Boeing anunciaram nesta quinta-feira (5) o acordo para a criação de uma joint venture (empresa conjunta) que vai concentrar todos os negócios de aviação comercial da Embraer.
Em comunicado aos trabalhadores, a Embraer informa que a Boeing deterá 80% de participação na joint venture e a Embraer, os 20% restantes. A transação avalia a nova empresa em 4,75 bilhões de dólares. Pelo acordo, a Boeing pagará US$ 3,8 bilhões.
A Embraer continuaria nos mercados de defesa e segurança, aviação executiva, agrícola, serviços e suporte correlatos. Entretanto, de acordo com o comunicado, será criada outra joint venture para desenvolvimento de novos mercados e aplicações para produtos e serviços de defesa, em especial o KC-390, que é um dos principais projetos de defesa da Embraer dos últimos anos. As empresas não deram detalhes do que seria esse outro negócio.

Sob comando dos EUA

A nova companhia será comandada por uma equipe de executivos que ficará sediada no Brasil, mas respondendo diretamente ao presidente da Boeing, Dennis Muilenburg. O grupo americano terá o “controle operacional e de gestão” da nova empresa.
Quanto às unidades, segundo o comunicado da Embraer, ficarão com a joint venture da aviação comercial as unidades Faria Lima (São José dos Campos), EDE, Taubaté, Évora (Portugal) e Nashville (EUA). As unidades de Gavião Peixoto, Botucatu, Eugênio de Melo (São José dos Campos), OGMA e Melbourne ficam na Embraer. Com relação às demais unidades e escritórios, ainda está sendo definido.
A finalização dos detalhes financeiros e operacionais continuará nos próximos meses. Segundo as empresas, uma vez executados os acordos definitivos da transação, ela será sujeita “a aprovações regulatórias e de acionistas, incluindo a aprovação do governo brasileiro, bem como outras condições habituais pertinentes à conclusão de uma transação deste tipo“.
Caso as aprovações ocorram no tempo previsto, a expectativa é que a transação seja fechada até o final de 2019, ou seja, entre 12 a 18 meses após a execução dos acordos definitivos.

É preciso impedir esse crime lesa-pátria

Essa negociação é um verdadeiro crime lesa-pátria! Na prática, é a entrega completa do principal setor comercial da Embraer para a norte-americana Boeing, que vai ter graves consequências, com a ameaça a milhares de empregos e à soberania do país.
A Embraer, apesar de estar privatizada desde a década de 90, é estratégica para o Brasil, em relação a questões de desenvolvimento tecnológico e da soberania nacional. Mais do que isso, a empresa foi construída com dinheiro e suor dos trabalhadores e do povo brasileiro, sendo até hoje, inclusive, financiada com dinheiro público, por meio do BNDES e outros meios, mesmo depois de privatizada.
Só a mobilização dos trabalhadores pode impedir esse brutal ataque, pressionando o governo Temer e o Congresso a barrarem essa negociação e, mais do que isso, lutar pela reestatização da Embraer, sob controle dos trabalhadores.
“Fruto da luta contra a privatização, os trabalhadores garantiram uma ação especial chamada Golden Share, a chamada ação de ouro, que dá poder de veto ao governo federal em questões como a venda da empresa. Agora, é a soberania do país e milhares de empregos que estão em jogo. Portanto, temos de pressionar o governo a exercer esse poder de veto e barrar essa transação“, afirmou o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e região e trabalhador da Embraer, Herbert Claros.
“Esse crime contra o país e os trabalhadores não pode ir adiante. Não vamos aceitar demissão e ataques aos direitos. Exigimos estabilidade no emprego e a reestatização da empresa com controle dos trabalhadores, única forma de fazer com que a Embraer sirva aos interesses nacionais e não a acionistas estrangeiros e agora aos EUA”, disse Herbert.
Para o integrante da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas, Luiz Carlos Prates, o Mancha, é preciso uma forte mobilização. “Não dá para confiar que Temer e o Congresso sairão em defesa dos interesses nacionais e dos trabalhadores. É preciso muita pressão. Com luta, os trabalhadores podem barrar este ataque, defender empregos e direitos“, defende Mancha. “Os sindicatos de São José, Botucatu e Araraquara iniciaram uma forte campanha contra a venda e agora é hora de unidade de todos para barrar esse crime e defender os trabalhadores“, afirmou.

Não à aquisição da Embraer pela Boeing!

Não às demissões, pela garantia das convenções e dos direitos! Estabilidade no emprego para todos!

Pela reestatização da empresa com controle dos trabalhadores!

Por CSP-Conlutas
Link do artigo original

29 de junho de 2018

A farra com nosso dinheiro continua em São José dos Campos

29/06/2018 - A câmara municipal de São José dos Campos não para de surpreender, pressionados pela redução de gastos com cargos comissionados pelo Ministério Público e também pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado), qual foi a resposta dos “nobres” representantes da população joseense? Aumentar os gastos, é claro. A reforma administrativa aprovada agora na última semana por unanimidade pelos vereadores representará gasto extra de R$ 756.921,74 esse ano de 2018 e de R$ 1.551.500,11 em 2019.

O que são os cargos comissionados?

Cargo comissionado é um cargo ocupado de forma temporária (ou assim deveria ser) por uma pessoa que não faz parte do quadro de funcionários da administração pública, ou seja, quem não passou pela aprovação em concurso público e é escolhido por prefeitos, vereadores, deputados, governadores, senadores e presidentes. O cargo em comissão (assim chamado na Constituição), deveria ser exceção à regra de acesso aos cargos públicos, mas o que ocorre de fato é uma farra com dinheiro público com cargos bem remunerados à disposição para indicação dos governantes.

A hipocrisia dos “representantes do povo”

Num país onde o salário mínimo é de R$ 954,00 temos enormes gastos com os salários exorbitantes no judiciário, executivo e legislativo, onde muitos contam ainda com vários cargos comissionados à disposição além de benefícios e ajudas de custo de todo tipo, uma realidade bem diferente da dos trabalhadores do país. Existem estimativas de que só na cidade de São José cada vereador custa aproximadamente R$ 2.000, por dia!
Assim como a corrupção que rola solta país afora, também não é novidade o alto custo para o bolso dos brasileiros gerado por estes altos salários e regalias. O que mais chama atenção é a hipocrisia com a qual estes senhores, uns de forma mais envergonhada e outros descaradamente vem dizer que a crise que passa o país precisa ser resolvida pela aplicação da reforma trabalhista e aprovação da reforma previdenciária.

Entregar direitos garante emprego?

Estes senhores que na verdade só representam os interesses do capital, além de querer fazer com que os trabalhadores paguem pela crise enquanto continuam enchendo os bolsos,  vão na contramão da lógica econômica. Segundo recente estudo feito pelo ILAESE (Instituto Latino Americano de Estudos Sócio Econômicos) sobre as montadoras de automóveis, a redução de salários e direitos de forma nenhuma representa a garantia de empregos, apenas aumenta a taxa de lucro. Esta análise é relevante aqui na região, que dispõe de montadoras como a GM e a Cherry e muitas fábricas de autopeças, mas também é válido para a economia como um todo.
A cada dia que passa fica mais evidente para todos nós que não dá mais para esperar as mudanças que o Brasil precisa nesse jogo de escolher canalhas a cada eleição. Como disse bem nosso pré-candidato ao Senado Luiz Carlos Prates, o Mancha “a primeira bandeira que o PSTU defende no Senado, é acabar com o Senado”. E você, também defende o fim dessa farra com nosso dinheiro?

Site do ILAESE

Outro exemplo de farra com nosso dinheiro aqui em São José

Por: B. Mendes, de SJC.

20 de junho de 2018

Entrevista à Folha de S.Paulo: "Candidato do PSTU ao governo de São Paulo critica PT e PSOL"

20/6/2018 - Candidato do PSTU ao governo de São Paulo, o sindicalista Toninho Ferreira diz que os petistas fizeram um desserviço ao país e que o PSOL é uma espécie de  “PT piorado”.
Representante da esquerda radical, ele defende armar a população, é contra o Minha Casa Minha Vida e prega tarifa zero no metrô.

Como iniciou a sua trajetória na política?

Saí da pequena Guaranésia (MG) aos 18 anos em busca de trabalho em São José dos Campos (interior de SP). Como onde nasci não tinha universidade, nem nada, decidi ir embora. Fui trabalhar como almoxarife na General Motors (GM). Naquela época a gente trabalhava 48 horas semanais. Não consegui estudar, só trabalhei. Lembro que passava fome. Até sonhava com a comida dentro do ônibus, voltando para casa. A partir daí, comecei na militância do movimento operário, quando houve uma grande greve no Estado de São Paulo, em 1979.

Fui até uma assembleia onde o sindicato chamou e fui eleito pelos trabalhadores no Comando Geral da greve. Participei de muitas lutas contra a ditadura, a anistia, depois, atuei junto com Henfil, por Diretas Já. Depois fui para uma chapa do Sindicato dos Metalúrgicos, participei de muitas greves como a de 1985 pela redução da jornada de trabalho. Fui presidente do Sindicato por duas gestões (1990-93 e 1997-00), passei por demissões na GM e na Embraer. Me formei em Direito e hoje sou advogado dos movimentos sociais, da parte mais fraca. Luto por uma sociedade diferente desta que temos hoje. Em 2012, fui o quinto candidato a vereador mais votado de SJC [obteve 4.384 votos ] e, em 2014, como candidato a deputado federal, obtive 23 mil votos e tornei-me 1° suplente de deputado federal. Agora saio ao governo do Estado.


O senhor foi um dos fundadores do PSTU nos anos 1990. Quando começou sua história no partido?

Sim. Nós saímos do PT em 1992, na queda de Fernando Collor [ex-presidente]. Chamamos as mobilizações e o partido foi contra. José Dirceu, à época na direção do PT, disse que faria coligação para seguir. Nós decidimos não continuar e hoje o partido está envolvido em toda corrupção. O PT fez um desserviço enorme ao país. Ele não é de esquerda.

O que o programa do PT difere do PSDB? Na questão de economia é tão neoliberal quanto, assim como nas liberdades individuais. Fernando Henrique Cardoso é muito similar à Lula. Deixou de ser um partido socialista há muitos anos. A esquerda brasileira também caiu com a queda do Muro de Berlim. Ela acabou ficando “amassada”. Veja um exemplo recente da greve dos caminhoneiros. Nós achamos que os caminhoneiros tinham razão, porém, a “esquerda” ficou titubeando, e sindicatos acabaram defendendo Temer e não a categoria.

Continuamos sonhando com um novo mundo. Não perdemos a capacidade de sonhar. Isso é possível. Se não muda a sociedade a humanidade está fadada a se acabar.

Dizem que o PSOL pode ser um novo PT. Qual a sua opinião?

É um PT piorado. Muito pior do que quando o PT começou. Pega o que diz hoje o Guilherme Boulos [pré-candidato à Presidência pelo PSOL] .Qual a proposta efetiva dele, na essência? Ele apenas diz que vai cobrar impostos dos mais ricos para todo mundo ter oportunidades. Mas isso não muda nada, pois o capitalismo continua igual. Ele diz que vai fazer um plebiscito para saber se muda as reformas. Nós achamos que não. Se a Vera Lúcia [pré-candidata à Presidência pelo PSTU] for eleita, vai acabar com as reformas já, pois o povo falou que  não quer as reformas.

Não queremos uma sociedade em que tudo o que eles pensam e fazem [Temer, Alckmin, PT…] é servir aos acionistas e banqueiros. A questão da Petrobras é escandalosa. O cara da Shell estava no conselho da estatal. Isso não pode, pois são concorrentes e não vai querer o bem da empresa. E a questão dos preços?.A Petrobras tem que ter sua função social. Por isso, a defendemos 100% estatal. Nós queremos fazer com que todas as empresas estatais privatizadas a preço de banana sejam reestatizadas para terem suas funções sociais. Não podemos viver num país onde seis pessoas tem a riqueza de 100 milhões. Aqui em São Paulo acabaram com o Banespa. Vamos reestatizar tudo no estado. Pensamos em uma sociedade bastante diferente que está aí. Nossa ideia é moderna.


O que o senhor acha da candidatura à Presidência de Guilherme Boulos (PSOL)?

Ele tem todo direito de se candidatar. Não concordo com o programa que ele tem, que não se diferencia nada do resto. O que vi até agora foi o Guilherme tentando tirar o Lula da cadeia, falando em Lula Livre. Somos a favor de prender os corruptos e corruptores.  Pegaram o Lula, mas tem que prender outros como Aécio, Jucá, Renan Calheiros, entre outros.

Qual o diferencial de vocês em relação ao PSOL? 

Acho que o PSOL é mais do mesmo, diferente de nós. Mas o que o PSOL pensa? Na verdade é um guarda-chuva, tem de tudo. No Rio Grande do Norte, vão lançar um empresário a governador. O partido foi buscar o Guilherme que é de fora e apoia Lula. Para mim Lula perdeu a dignidade colocando a culpa na mulher dele no caso do triplex. Antigamente ele mantinha a dignidade, encontrei muito o Lula na época de lutas. A concepção do PT no início foi uma ideia nossa. Defendemos no começo, o que Lula era contra.

Você sempre foi a favor dos movimentos sociais por moradia. Quais são as suas propostas para a habitação?

Eu fui do movimento operário e moradia. Só não fui do movimento estudantil, porque não deu tempo. O Minha Casa Minha Vida nunca foi social e sim financeiro. Foi um acordo do PT com grandes empreiteiras. Se fosse um projeto social teria um banco de terras e não seria para dar lucro para empreiteiras. As casas não valem nada, tem muitas que foram entregues sem esgoto. O CDHU vive também na corrupção. Difícil saber qual é o maior. Todas as secretarias de habitação do país estão nas mãos do malufismo.

Entra governo, sai governo, malufismo é quem manda. Por que não fazem reforma urbana? Tem mais casas vazias do que ocupadas. O bandido é quem? É quem rouba dinheiro. Por que o pobre tem de morar cada vez mais distante do rico? Por que não pode transformar os prédios como os do Paissandú em moradia? Moradia é mais do que uma casa. É sim um lar. Quando estive na ocupação  Pinheirinho, uma das maiores da América Latina, as famílias que não pagavam aluguel tiveram mudanças físicas, passaram a comer melhor, ter dignidade.

O que acha de movimentos de moradia que cobram aluguel?

Tem gente que se aproveita porque o Estado se aproveita. O Estado poderia assumir isso. Eles vivem do pobre, vivem dessa maneira. Quer acabar com a corrupção?. Tem tanta gente desempregada, por que o Estado não pega esse pessoal e contrata para tocar as obras estatais?. O problema da habitação pode ser resolvido com pouco dinheiro. É preciso acabar com essa ideia que o MCMV é um programa social.

Há corrupção tanto nas empresas privadas quanto  nas estatais… 

Eles alegam que as estatais são o problema. Bem, mas a Odebrecht e a OAS não são estatais. Paulo Preto não é fruto de estatal. Ao invés de ter um transporte decente no Estado de São Paulo, eles têm a Alston. A Alston tem uma corrupção enorme nos transportes. Quem faz corrupção no Rodoanel?

É muita bobagem o que se fala. Nenhum candidato traz nada de novo. Todos falam em privatizar. João “riquinho” [João Doria], Skaf, Márcio França, eles não conhecem as periferias. Veja que  a mulher do “riquinho” não sabe o que é o Minhocão. Mario Covas lá atrás dizia que metrô era muito caro e que deveria se investir em rodoviária.

O Bom Prato deveria existir mais nas periferias e cidades afastadas. Eles não fazem isso, mas roubam merenda da criançada. Mas o PSDB faz isso. Alckmin e Capez fazem isso. Alckmin sabe da roubalheira. Nas escolas se há dois irmãos, o mais velho não pode comer junto com o mais novo. Os professores não podem comer a mesma comida dos alunos. Tirar o suco da criançada eles fazem. Isso é PSDB. Filho de rico estuda em sala com 15 alunos e 2 professoras.  Já na escola pública estudam com 60. Depois falam que o aluno é violento, professor não trabalha.

Bota o João Doria ou a mulher dele para ver a situação como fica. O que o Estado oferece para a população da periferia? Só a repressão e o braço armado. Isso precisa mudar. Eles governam São Paulo há mais de 20 anos. Pergunte a algum deles se já bateram cartão na vida. Se sabem o que é sair da periferia de madrugada e trabalhar no centro, voltando no final dia.

Pergunte se sabem o que é insalubridade, periculosidade. Todos nasceram em berço de ouro. A reforma trabalhista é a volta ao século 19. É muito engraçado esse país. A gente ri da própria desgraça. Na periferia da cidade é pobre matando pobre. O policial que atira também é pobre.

Nós queremos fazer essa rebelião. Botar esses dois e somar. Vamos ver quem é o inimigo aqui.


Qual a sua proposta para segurança pública?

Acho que temos que rebelar, como foi com os caminhoneiros. Tem que “rebelar” a periferia. Acho que as empresas até começaram a greve, mas não souberam como terminar. Os caminhoneiros autônomos seguraram as empresas. É uma situação degradante para eles.

Delfim Netto disse que quando a economia cresceu  as pessoas compraram muito caminhão, mas que agora com a crise não sabem o que fazer. Ele não disse que isso é o capitalismo. Quando ele produz muito, entra em crise. Ela chega num ponto que não dá mais lucro. Delfim foi responsável pela crise de 1974 ele dizia que o bolo iria crescer, cresceu e não dividiram com ninguém.

Em 1982, teve a rebelião em Santo Amaro onde as pessoas pegaram laranjas num caminhão. As pessoas têm que se proteger.

Eles vêm de novo com o papo de que é preciso vender as estatais e fazer as reformas para a gente crescer. Crescer para quem? São 27 milhões de desempregados. Me entristece ver que as pessoas estão em desalento. Aí vem os riquinhos dizendo que são vagabundos. Não há trabalho. Daí muita gente vai para o alcoolismo, drogas….

Mas o que vocês pretendem fazer efetivamente pela segurança pública? Candidatos como Jair  Bolsonaro(PSL), por exemplo, são a favor da população andar armada…

Bolsonaro é um fanfarrão. A proposta que temos é desmilitarização das polícias. Eles miram no primeiro mundo em fechar as fronteiras. É resquício da ditadura militar. As próprias tropas militares defendem isso. O Estado só dá a repressão. A população precisa ter autodefesa, tem que ser armada. O Canadá é o país mais armado do mundo mas as pessoas não se matam.

Mas a população é armada nos Estados Unidos e eles  estão revendo isso… 

Não estou falando de gente louca. Defendemos que a população  tenha a posse de arma em casa. Bolsonaro não quer a população armada. Quando ele fala do campo, os fazendeiros já estão armados. Ele não conhece nada de campo. Acho que ele nunca viu uma vaca na vida. Sabe o percentual de crime que acontece no campo? Não chega a 5%. Quando tem ocupação de sem-terra no centro, quem anda armado? Eles pegam espingardinha  pica-pau que serve para caçar. Bolsonaro cria coisa em cima disso. Ele mente. Para a elite não interessa a população andar armada. A periferia não está armada.

Só o Estado pode ter o monopólio da violência?. Não concordamos. O Estado é muito violento. Um país que tem 62 mil mortes, vive uma guerra. Quem morre? População pobre. Guerra da Síria não mata isso. Um delegado de polícia poderia ser eleito pela população, por que não?A Polícia Militar deveria ter direito a ser sindicalizada e eleger seu comandante. Por que tem que ser o mais sanguinário? O barão do tráfico não está nas periferias. A grande maioria dos presos são por pequenos crimes. São mais de 640 mil presos. Professores e policiais precisam ser bem remunerados. Quem fez essa atual dívida do Estado? Essa chamada responsabilidade fiscal é a anti -responsabilidade social. Fiscal não faz sentido pois é para pagar bancos. O que é o superávit primário? Serve para quê e quem? Defendemos os mais pobres e queremos mudar a situação da sociedade.


Quais são as suas propostas para a educação? 

O que fizeram de correto foi universalizar a educação, mas, não deram ensino. Seria preciso uma reforma do primário às universidades.Tudo está em crise. Só não os acionistas dos bancos. Temos que valorizar os professores. Muitos centros de formação foram fechados pelo PSDB. É preciso investir na formação e dar condições de trabalho a eles. É um absurdo a Assembleia Legislativa de São Paulo votar o aumento dos salários em R$30 mil, onde o salário mínimo é menos de mil . Quando professores se manifestam mandam a polícia em cima, como Doria fez.


Qual sua opinião sobre as cotas sociais na educação?

Somos a favor das cotas pois achamos que precisa ter uma reparação porque nosso país teve 300 anos de escravidão. As cotas diminuem as desigualdades em partes. Para os negros chegarem até aqui foi muito difícil e o preconceito existe até hoje. Achamos que não repara tudo mas é uma parte importante. Não achamos que o Fies (Financiamento Estudantil do Governo Federal) resolve o problema dos pobres, mas sim o lucro dos donos das universidades. Precisamos acabar com o desalento dos jovens para não irem para o caminho do crime.

Na saúde vemos muitos hospitais em crise, como recentemente aconteceu com o Hospital Universitário, o Hospital das Clínicas… entre outros. O que precisa ser feito?

Nossa saúde é doente. As OSS (Organizações Sociais) e Oscips (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) são fontes de corrupção. Muitas vezes o profissional do Estado usa do bolso para poder repor. O Estado tem que servir aos mais pobres, quem realmente precisa. É preciso romper contratos com setor privado e há sim segurança jurídica. Vamos fazer discussão séria com esse setor. Os contratos são fraudulentos em relação à população. Aqui temos mais farmácias que mercados.

Os bons profissionais precisam ser aproveitados, não quem quer apenas lucro. Nós defendemos um SUS universal, onde um milionário tem direito a usar tal como um mendigo. Em relação ao transporte, a população reclama das condições na região metropolitana e das altas tarifas. Já no Metrô, chegaram a privatizar algumas linhas, além de obras atrasadas como as da Linha 6  Laranja. Se eleito, o que pretende fazer? Temos que reestatizar tudo e buscar a tarifa zero. Isso é fonte de corrupção. O transporte é um direito do cidadão. Quem se beneficia com transporte? Da mão de obra? O trabalhador que sai da periferia beneficia os empresários que lucram  em todos os sentidos. No primeiro mundo o transporte não é privatizado.


Em relação à crise da água, em 2015, como foi a postura de Alckmin?

Ele privatizou a Sabesp para dar lucro aos acionistas. O investimento é só para dar mais lucro. Eles querem privatizar mais. Nós queremos é estatizar mais. Água é um bem precioso e finito. Tudo serve ao mercado. Ele deu sorte porque houve chuva e logo recuperou. Eu vivi numa época em que tinha buscar água longe, não tinha água encanada. Saneamento básico é feito para dar lucro também. Eles acusam a população de poluir os rios e não as empresas. Se você vai na periferia, não tem lixo reciclável, tem esgoto a céu aberto.

Com a greve dos caminhoneiros, houve manifestações pedindo intervenção militar. O que acha?

O setor que era sério com isso é muito minoritário, a pesquisa que vocês mesmo publicaram disse que 1,4% pedia intervenção militar na internet, ou seja uma parcela muito pequena. Quando um setor pede intervenção militar, significa que quer mudança. Já um outro setor pediu intervenção militar por meio do voto. O povo está puto, já não aguenta mais a situação, da corrupção e tudo. É preciso combater a ideia perigosa de colocar o Exército nas refinarias. É um perigo, não concordamos de jeito nenhum. Temer colocou a polícia para reprimir os caminhoneiros. Tem que atender às reivindicações e não colocar o Exército em cima.

Quais são suas propostas para os pedágios?

Acho que tem que acabar com boa parte das praças de pedágio, que são para dar muito lucro. É um absurdo eles colocarem o Sem Parar, onde você paga muita taxa.  Tá certo o IDEC que fala para não fazer. Eles economizam na mão de obra. É como um banqueiro. Se você olhar a fachada do banco, você paga para eles. Não faz sentido. Como isso, se eles já economizam? As estradas tem que ser estatais. Acabando com tudo isso acabamos com toda história da corrupção de Alckmin, Paulo Preto, no Rodoanel, etc…

O partido vai se coligar com alguém ou continua independente?

 Você chegou a citar que somos parecidos com o PSOL, mas, ninguém pensa como nós. Luiza Erundina foi ministra do governo Itamar, governo burguês. Guilherme faz política para o PT, não tem nada a ver com PSOL. É um partido eleitoreiro, muito parecido com o PT, não do início, mas de agora. Eles só querem ter bancada, eleger deputados. Nós queremos transformação, apostamos nela e por não sermos um partido que vive de 4 em 4 anos e sim que luta diariamente. Eles são muitos parecidos com o PT.

Precisa ver se eles de fato vão reestatizar tudo como nós. Pergunte a eles se vão manter contratos, se não vão alegar problemas jurídicos. A Justiça serve a quem? A quem deve Gilmar Mendes. Quando a Justiça faz desocupação violenta como no Pinheirinho é uma ditadura dos milionários contra os pobres. Vamos lutar com a maioria contra minoria. É uma ditadura financeira. E precisamos acabar com isso.


Publicado no jornal Folha de S.Paulo, 20 de junho de 2018









18 de junho de 2018

Artigo: Argentina fora da Copa?

18/6/2018 - Nem todo mundo sabe, mas uma empresa israelense chamada Comtec pediu antes do início da Copa do Mundo a suspensão da participação da Argentina no torneio.

A alegação é de que houve discriminação religiosa dos argentinos que cancelaram o jogo contra Israel, que seria o último amistoso da seleção de Messi antes do início da competição mundial.

Como estamos vendo, a única coisa que pode inviabilizar a participação da Argentina na Copa é se o time não melhorar sua atuação e continuar a perder pênaltis como foi o caso no empate de 1 x 1 com a Islândia. Mas por que então tanta polêmica que levou cancelamento do jogo amistoso entre Argentina e Israel?


Até que não é difícil entender. Recentemente, o presidente dos EUA Donald Trump transferiu a embaixada americana em Israel para Jerusalém, cidade que é disputada por israelenses e palestinos. A mudança da embaixada é mais um sinal do apoio norte-americano para Israel, legitimando por tabela suas pretensões de manter o território.

O amistoso seria realizado no estádio Teddy Kollek, localizado não acidentalmente onde? Em Jerusalém. Por mais que Israel negue a escolha do local isso também tinha a ver com a necessidade de legitimar Israel e sua capital.

Mas por que Israel precisa tanto de ações políticas que lhe confiram legitimidade? A resposta é simples e lógica, Israel é um Estado ilegítimo.

Construído artificialmente em 14 de maio de 1948, obrigando cerca de 750 mil árabes que viviam na região a fugir, Israel aproveita todas as oportunidades que pode até hoje para cada vez mais expandir seu território, expulsar mais árabes e tentar se legitimar de todas as formas que puder, não poupando nem eventos esportivos.

Para dar um exemplo de como foi a construção de Israel imagine o seguinte: alguém invade a sua residência, toma todos os seus bens, ocupa todos os cômodos e te obriga a viver no banheiro. A partir daí, toda vez que você precisa passar por algum cômodo da sua antiga casa você precisa pedir licença ao invasor, sem contar que agora tudo que você pode ou não pode fazer depende da autorização dele. Não seria revoltante? É por isso que os palestinos não se rendem e sempre há conflitos na região, pois a simples existência do Estado de Israel é inaceitável.

Com o apoio principalmente dos EUA, mas também de outras nações que têm interesses políticos e econômicos na região, Israel vai acusando todos aqueles que não aceitam sua existência de terroristas e anti-semitas, quando, na verdade, ser anti-sionista não tem nada a ver com isso. Significa apenas não aceitar o massacre de Israel contra os povos árabes na região.

Diga-se de passagem, como afirmou o jornalista sírio Victorios Shams - que esteve em São José dos Campos para uma palestra sobre a guerra civil na Síria e para o lançamento do livro “País em chamas: sírios na revolução e na guerra”, da Editora Sundermann-, Israel é que persegue judeus de origem africana ou árabe, mostrando sua verdadeira face racista que quer imputar a outros.

Além disso o método israelense é mais que lançar acusações, também é perseguir a todos que denunciam sua história construída sobre o sangue e sofrimento humano.

Infelizmente, o governo brasileiro que provou ser inimigo de seu povo na recente greve dos caminhoneiros também é inimigo da justiça internacional e mantém acordos de livre comércio legitimando esta aberração chamada Israel.

Cabe a nós trabalhadores impulsionar campanhas de boicote contra as empresas e produtos israelenses que chegam ao Brasil, barrando nos portos e não comprando nas lojas.

Seria bom também seguir o exemplo caso a seleção brasileira marque algum jogo contra Israel depois da Copa, fazendo mobilizações para que não nos prestemos a este papel de legitimar este Estado sionista e racista.

Embora não seja possível confiar nas boas intenções de instituições cercadas por denúncias de corrupção como é o caso da CBF e nem mesmo outras como a AFA que é a federação argentina e marcou o amistoso, a pressão pode forçar o cancelamento como foi no caso de Argentina x Israel. O que acaba sendo um merecido tapa na cara do sionismo perante o mundo todo.


B.Mendes, trabalhador em São José dos Campos

12 de junho de 2018

Artigo: Seis lições da greve dos caminhoneiros - Parte 3

12/6/2018 - O mito que o povo brasileiro não luta e aceita pacificamente ser governado pelos exploradores tem que ser desconstruído e para isso serve o estudo da história não só desta greve recente, mas de várias lutas e resistências populares ao longo da história do Brasil. Existe uma frase que define loucura e é frequentemente atribuída a Albert Einsten porém sem evidências que é dele mesmo. Seja como for é extremamente relevante e verdadeira ela diz “loucura é continuar fazendo a mesma coisa e esperar resultados diferentes”. E é para isso que serve também o estudo da história e dos fatos recentes e antigos, para que se extraiam as lições necessárias para não cometer os mesmos erros e assim poder fazer diferente. Aqui as últimas duas lições da mobilização da greve dos caminhoneiros que trataremos, mas certamente a reflexão sobre esta e outras mobilizações podem nos ensinar muito mais.


5-      Intervenção militar não é a saída

Com toda essa revolta do povo contra o regime e suas instituições e a desconfiança mais do que justificada da eficácia dos chamados três poderes (executivo, legislativo e judiciário) é claro que todos começam a pensar que isso tudo tem que ser derrubado pois ninguém aguenta mais esse mar de lama. Pensando bem, esse mar de lama pode ser tomado até no sentido literal quando lembramos da tragédia de Mariana no maior acidente ambiental da história do país, esse acidente é um duro golpe na tão defendida ideologia da privatização como solução e, para variar, continua impune. A partir daí, algumas pessoas começam a pensar: será que uma intervenção militar não seria a saída pra melhorar a situação? A resposta é não e a greve dos caminhoneiros ajuda a entender o porquê. Dentro das forças armadas não existe espaço para decisões democráticas e a hierarquia é tudo. Embora as baixas patentes tanto da polícia quanto do exército sejam compostas por elementos que vem da classe trabalhadora, as cúpulas destas corporações com seus generais, comandantes, coronéis, etc. são compostas por elementos que ou são de origem ou defendem a classe social que está no poder do Estado hoje, ou seja, a burguesia brasileira e que querem garantir a continuidade de seus privilégios na infame e já citada “ordem”. É por isso que quando a mentira e a manipulação não funcionam o governo não hesita em chamar o exército. Foi assim na grande mobilização em Brasília do dia 24 de maio de 2017 e foi da mesma forma um ano depois agora na greve dos caminhoneiros do fim de maio de 2018. Embora tenha existido certa hesitação das forças armadas em reprimir a greve o que poderia gerar uma divisão, a tendência nessas corporações é a hierarquia se impor e através de seus comandantes servirem de apoio à manutenção do sistema descendo o cacete e jogando bombas naqueles que almejam a mudança como de fato aconteceu em vários locais, portanto a lição é não se iludir com uma espécie de salvação da pátria por esse caminho, pois ele leva a mais do mesmo.

6-      A rebelião é o caminho

Rebelião parece termo exclusivo de revolta nas cadeias não é? Então vou contar uma história que envolve presidiários. Numa certa fábrica do interior de São Paulo, uma das maiores metalúrgicas da região e que fabrica carrocerias de caminhão com unidades espalhadas por outras localidades do país trabalhavam alguns presos do regime semi-aberto do IPA (Instituto Penal Agrícola). Em certa conversa um deles fez uma comparação muito pertinente, disse que o ambiente que reinava na fábrica era igual ao que ele estava acostumado na cadeia com apenas uma diferença, o castigo. Segundo ele, enquanto na cadeia o castigo era físico, uma cotovelada, uma injeção dada com violência na enfermaria, uma borrachada, ali na fábrica o castigo era econômico, desconto de horas, perda da cesta básica ou benefícios e em último caso demissão. As fábricas tem seus carcereiros também, assim como as prisões. E se fizermos uma analogia com o regime que vivemos constatamos que essa chamada democracia não é bem de fato uma democracia mesmo, talvez uma democracia para os ricos, mas não para os trabalhadores. Vivemos presos nessa ideia de que controlamos a sociedade escolhendo nossos governantes de poucos em poucos anos mas de fato a política continua sempre a mesma e enquanto uns cada vez tem mais, nós que produzimos a riqueza e colocamos o Brasil pra rodar cada vez temos menos. Os caminhoneiros mostraram o caminho, chega de ilusões nessa falsa democracia onde só os ricos e corruptos levam vantagem! Não temos nada a perder nos rebelando contra este sistema, pelo contrário, temos tudo a ganhar! A greve dos caminhoneiros ainda não acabou, faremos dela nosso exemplo e aprenderemos suas lições para uma rebelião muito maior, uma que mude de uma vez por todas nosso país e que coloque no poder do Estado a classe social que realmente produz e transporta a riqueza do nosso país, nós trabalhadores!


B.Mendes, trabalhador em São José dos Campos

11 de junho de 2018

Artigo: Seis lições da greve dos caminhoneiros - Parte 2


 9/6/2018 - Por B. Mendes
Quem não aprende com a história não está bem preparado para enfrentar o presente e preparar o futuro. E sem dúvida a recente greve dos caminhoneiros além de mostrar que o caminho é a luta entrou para a história. Continuando este aprendizado, seguem aqui mais duas lições importantes que esta greve deixou para nós.


3-      A imprensa brasileira é extremamente manipuladora

Isto já é sabido há muito tempo e já está espalhado por todo o Brasil. Jargões como “o povo não é bobo, abaixo a rede globo” são bem conhecidos. Muitos como eu não viveram a época da ditadura, mas faz todo sentido saber que um comício das diretas já foi noticiado como aniversário da cidade de São Paulo a pouco mais de 30 anos atrás pela Globo. Mesmo assim, foi chocante o grau de manipulação das notícias por todas as emissoras de televisão, assim como também vários outros veículos de comunicação ligados a grandes grupos, sites, jornais e rádio. Foi feito um grande alarme sobre a falta de remédios nos hospitais, dificuldade de encontrar alimentos nos mercados, gente chorando por ter que desmarcar eventos e compromissos sem falar nas pessoas que precisam de tratamentos médicos contínuos como hemodiálise ou que necessitam de cirurgias com medo de morrer, e tudo jogado nas costas dos grevistas como se este fosse o grande problema do Brasil. Não foi por acaso que choveram memes na internet mostrando, por exemplo, ambulâncias paradas há tempos por falta de manutenção e ridicularizando as notícias da grande mídia, bem como o surgimento de correntes no whatsapp chamando a boicotar o Fantástico do dia 27 de maio. Após o fim da greve seguiram as ironias nas redes sociais comentando que agora todos estes problemas estavam resolvidos.

4-      O governo tem lado e não é o lado do povo

Outra lição extremamente importante. Existe um senso comum que o Estado é ou deveria ser imparcial e arbitrar os conflitos na sociedade de forma a conduzir todos ao bem comum. A forma que o governo agiu fazendo pronunciamentos mentirosos, divulgando acordos que supostamente acabavam com a greve e buscando de todas as maneiras ludibriar a população e enfraquecer o movimento dos caminhoneiros tornou evidente que o Estado nada tem de imparcial quando o assunto é garantir que os poderosos continuem no poder e que nada mude de verdade. A função do Estado é garantir este status quo que o governo chama de “ordem”, e nada mais didático do que o decreto G.L.O. de Temer, ou seja, decreto de garantia da lei e da ordem que venceu nesta segunda feira (04/06) e que colocou o exército em ação para portar fuzis durante assembleias de petroleiros dentro das refinarias como aconteceu aqui em São José dos Campos e tentar amedrontar os caminhoneiros pelas estradas do país. A história já provou que o Estado não é imparcial, pela sua própria natureza serve sempre a uma classe social que usa deste poder para manter as coisas em seu favor, primeiro com ideologias e manipulações e se for preciso com armas, porém nada melhor que uma lição recente como esta vivida pelos brasileiros no mês de maio para nos lembrar deste fato. Se prestarmos atenção a esta lição aprenderemos de uma vez que é necessário tirar o poder do Estado das mãos desta classe social burguesa, que aliás é a minoria do povo, para colocar esse poder a serviço da maioria do povo, nas mãos dos trabalhadores, nossas mãos.


No próximo post publicaremos outros dois ensinamentos deixados por essa poderosa mobilização


B.Mendes, trabalhador em São José dos Campos

8 de junho de 2018

Artigo: Seis lições da greve dos caminhoneiros

08/06/2018 - Por B. Mendes

Muitos brasileiros estão frustrados com o término da greve dos caminhoneiros e, até mesmo, torcendo para uma nova paralisação. Isso acontece pois este movimento foi além das justas reivindicações econômicas pedidas pelos grevistas.

A greve tornou-se a expressão da revolta generalizada que existe na população brasileira. Assim como em 2013, não foi apenas por 20 centavos na redução da passagem, agora também não foi por 46 centavos na redução no preço do óleo diesel que pararam os caminhões.

Existe sim uma indignação contra os preços dos combustíveis em geral, com a alta carga de impostos, com os pedágios caros e com as condições nas estradas brasileiras. Para além disso, o que tornou a greve muito forte e seu apoio tão expressivo foi o nojo da canalhice do presidente e sua mala de propina com 500 mil reais mostrada pelos noticiários; a revolta ao lembrar do apartamento de um ex-ministro com 51 milhões de reais que a Polícia Federal precisou de cerca de 14 horas só pra contar; a certeza de que somos governados por uma camarilha de bandidos em Brasília, mas também nos estados e municípios, bandidos estes que não se detêm nem em roubar o dinheiro da merenda das crianças. Todos esses sentimentos, compartilhados por todos nós que trabalhamos muito todos os dias, somados à constatação da impunidade que reina nas também corruptas esferas judiciárias são componentes essenciais deste barril de pólvora chamado Brasil.

Importante notar que embora tenha se perdido uma chance de ouro [vale destacar, por culpa das direções burocráticas] para unir a luta de todos numa Greve Geral que derrubaria esse governo e a partir daí abrir novas perspectivas, quem sabe até de reorganizar a sociedade fazendo uma limpa, a greve dos caminhoneiros não foi em vão e deixou importantes lições. Nós reunimos seis destas lições, vamos começar com as duas primeiras:

1-      Onde está o verdadeiro poder?

O impacto e alcance da greve provou como é central o papel que exercem na economia e na política aqueles que transportam a riqueza deste país pelas estradas afora. O mais importante é entender que nada vale o dinheiro se não há nada para comprar. A verdadeira riqueza de um país está na produção e ponto final, obviamente que o deslocamento das mercadorias é parte do processo produtivo. Aqueles que controlam e distribuem a verdadeira riqueza, ou seja, os bens produzidos por milhões de trabalhadores, têm o poder em suas mãos e podem de fato mudar a história mais facilmente do que pensam. Aviões não decolam, carros ficam na garagem, algumas cargas assim como as ambulâncias são liberadas de acordo com a vontade de quem deve exercer o poder nesse país: os trabalhadores. Esta é sem dúvida uma grande lição que a greve dos caminhoneiros deixou e certamente só não foi mais profunda apenas por que certos burocratas a frente de imensos aparatos e federações sindicais não tiveram a decência de fazer aquilo que seria sua obrigação, ou seja, unir todos nessa luta chamando uma greve geral que abalaria as bases deste sistema capitalista decadente. Se em alguns dias os caminhoneiros deixaram o governo de joelhos, já imaginaram o que não faria a união de quem produz com quem transporta numa possível greve geral?  E pra quem pensa que esse assunto está encerrado resta lembrar que esse acerto de contas foi feito exatamente na medida das concessões do governo, de forma provisória.

2-      É preciso romper com o individualismo

Não resta dúvida sobre a força que exercem os caminhoneiros sobre a economia do país. Existem categorias que tem a mesma centralidade na economia, petroleiros, metalúrgicos, operários em geral, que são os que produzem a riqueza. Entretanto, enquanto profissão, não há comparação em alcance e impacto. Mesmo assim restou evidente que por mais forte que seja um setor isolado não é suficiente para fazer a mudança que o Brasil precisa. Se queremos que a transformação aconteça temos que estar dispostos a agir, por mais cômoda que seja a ideia de acompanhar tudo passivamente e ver caírem do poder todos estes parasitas que nos governam já deu pra ver que sem sacrifício e contribuição de todos para isso não vai rolar. Aliás, o individualismo é uma ideologia que antes de tudo ajuda a sustentar os privilégios, dividindo justamente aqueles precisam se unir para revolucionar a sociedade e colocar no devido lugar estes bandidos de terno que teimam em continuar aí fingindo que falam em nome do povo.


No próximo post publicaremos outros dois ensinamentos deixados por essa poderosa mobilização


B.Mendes, trabalhador em São José dos Campos




21 de maio de 2018

Devolução de reajuste ilegal: justiça dá prazo de 30 dias para Câmara e Prefeitura de SJC informarem evolução salarial desde 2009

21/5/2018 - A 1ª Vara da Fazenda Pública de São José dos Campos expediu ofício à Prefeitura de São José dos Campos e à Câmara de Vereadores para que informem, no prazo de 30 dias, a evolução salarial mês a mês do salário do prefeito, vice, secretários e vereadores, desde 2009. O prazo está contando desde o último dia 11 de maio.

A decisão é referente à ação ajuizada pelo PSTU em 2009, contra o aumento de salários recebido pelo então prefeito Eduardo Cury (PSDB), vice-prefeito, secretários de governo e vereadores naquele ano. Na época, os agentes públicos pegaram carona no gatilho de 5% concedido aos servidores municipais o que foi considerado ilegal pela Justiça.

O tema já foi julgado em todas as instâncias, até no Supremo Tribunal Federal (STF), não cabendo mais nenhum tipo de recurso.

Em recente decisão, em dezembro de 2017, o STF comunicou ao juiz da 1ª Vara da Fazenda de São José, Silvio José Pinheiro dos Santos, que a decisão para que os valores sejam devolvidos estava mantida e que não cabia mais nenhum recurso. O PSTU então peticionou ao juiz que fossem solicitados todos os dados à Prefeitura e à Câmara para o cálculo do dinheiro a ser devolvido.

Os ofícios despachados no último dia 11 dão prazo para que as partes informem esses dados, sob pena de desobediência à decisão.

“Cury e os demais envolvidos fizeram de tudo para não devolver esse dinheiro recebido indevidamente. Recorreram em todas as instâncias possíveis para protelar a devolução aos cofres públicos”, explicou Toninho Ferreira, presidente municipal do PSTU, autor da ação.

“Mas não tem jeito. Eles embolsaram um dinheiro indevido e vão ter de devolver. Que esses recursos sejam usados em prol da população”, defende Toninho.

Saiba mais
Em agosto de 2009, a Câmara Municipal de São José dos Campos editou duas leis que deram aumento de salários aos vereadores, prefeito, vice-prefeito e secretários. Além de reajustar os salários pela inflação acumulada desde a posse, uma das leis criou um gatilho salarial igual ao dos servidores municipais. Sempre que a inflação ultrapassasse 5% em doze meses, os salários já reajustados seriam corrigidos automaticamente.

O PSTU entrou com uma ação contestando a medida e, em primeira instância, a Justiça de São José entendeu que apenas o aumento dos vereadores era indevido. Posteriormente, o Tribunal de Justiça de São Paulo acolheu recurso do PSTU e ampliou a condenação para todos.


O ex-prefeito Eduardo Cury e a Prefeitura de São José dos Campos apresentaram recurso ao STF. Em novembro de 2016, o STF julgou improcedentes esses recursos, mantendo a decisão do TJ de São Paulo e em 14 de fevereiro de 2017 a 1ª Turma confirmou o julgamento. Os envolvidos recorreram novamente, e no final do ano o STF manteve a decisão.


Dados do Processo:
Ação Popular
Proc. nº 0567418-98.2009.8.26.0577
1ª Vara da Fazenda Pública de São José dos Campos