24 de novembro de 2015

Em ocupações, alunos e professores demonstram que outra escola, democrática e de qualidade, é possível

24/11/2015 - Na segunda-feira, dia 24, foi a vez dos alunos da E.E. Moabe Cury, localizada no Conjunto Residencial Elmano Veloso, na zona sul de São José dos Campos, também ocuparem a escola contra o projeto de reorganização do governo Alckmin (PSDB).

A mobilização teve início ainda pela manhã logo após uma assembleia dos estudantes. Pela proposta de divisão de ciclos de ensino do governo, a Moabe Cury deixará de ter os cursos de ensino médio, cujos alunos serão obrigados a se transferir para outras escolas.

Ao longo do dia, a ocupação já começou a receber o apoio de pais, professores e da comunidade em geral. Inclusive, alunos da Miguel Naked, primeira escola a ser ocupada em São José, no último dia 18, foram visitar e dar apoio aos colegas do Moabe.

“Ocupa Naked”


Confira um pouco do que está rolando na Naked

A ocupação da E.E. Miguel Naked, localizada no Morumbi, entrou no sexto dia de ocupação nesta segunda-feira e a data foi marcada por um ato em frente à escola. Às 17h, a manifestação reuniu alunos, pais, professores e apoiadores da comunidade e dos movimentos sindical e social.

Depois de quase uma semana, a ocupação está cada dia mais organizada. Os alunos e apoiadores realizam uma agenda diária com várias atividades educacionais e recreativas.

A exemplo das mais 150 escolas ocupadas em todo o país, na Naked, a juventude está dando uma verdadeira lição para os governos que tratam a educação pública como se fosse um lixo, com corte de verbas, escolas sucateadas, professores mal remunerados, salas superlotadas, etc.

Mesmo que de forma embrionária, as ocupações estão colocando em prática uma concepção de escola, de fato, a serviço da juventude da classe trabalhadora. Enquanto, a proposta de Alckmin, na prática, “desorganiza” a rede escolar e prejudica milhões de alunos, a juventude nas ocupações “organiza” as escolas.

Sob controle estudantil, os prédios têm se tornado um espaço onde os alunos, de fato, se veem como parte da escola. Os jovens cuidam, limpam, há programação cultural, artística e política.

Na Naked, por exemplo, já teve de tudo: saraus, aulas de ioga, fotografia, violão, palestras sobre racismo, machismo e homofobia, oficinas de dança, batalhas de MC’s e hip hop, aulas de literatura de cordel e reforço para alunos que vão prestar vestibular, entre outras. Equipes dividem-se entre tarefas de limpeza, segurança, preparação da comida, comunicação, organização e outras. Tudo é decidido coletivamente e em assembleias.

“A experiência das ocupações demonstra também que é possível romper com o modelo escolar neoliberal aplicado pelos governos, seja federal, estadual ou municipal, que impõe o sucateamento da escola pública, rebaixa o nível do ensino e veem a educação como uma mercadoria. A escola pode ser pública e de qualidade, sim”, afirma Ernesto Gradella, que é professor, ex-deputado federal e dirigente do PSTU de São José.

Abaixo a reorganização de Alckmin
O governo tucano vem sofrendo várias derrotas. Não bastasse o número de escolas ocupadas que aumenta diariamente, nesta segunda-feira, a Justiça, mais uma vez, se pronunciou contra a reintegração de posse das escolas ocupadas.

Contudo, apesar de estar perdendo a batalha junto à população e das mobilizações forçarem o governo a negociar, Alckmin e seu secretário Herman Voorwald segue com intransigência e, em vários casos, usando a PM para tentar intimidar e reprimir os alunos.

“Para a população já está claro que essa proposta do governo tucano nada tem a ver com melhoria do ensino e motivos pedagógicos. Trata-se do mesmo ajuste fiscal que Dilma está aplicando, com cortes na educação para garantir o ajuste fiscal e dinheiro para banqueiros. Por isso, precisamos fortalecer e ampliar essa mobilização contra todos os ataques que os governos estão fazendo”, afirma o presidente do PSTU e suplente de deputado federal Toninho Ferreira.