17 de agosto de 2015

Mais de cem mil pessoas tomam as ruas de Quito, no Equador, contra Rafael Correa

17/8/2015 - A capital equatoriana presenciou no dia de ontem (15/8) uma das maiores mobilizações populares dos últimos anos.

Mais de cem mil pessoas inundaram as ruas e as praças da capital equatoriana para protestar contra a política econômica e social do governo de Rafael Correa.

As distintas ações se deram no marco da nomeada “Paralisação do Povo”, convocada pelo Coletivo Unitário de Organizações de Trabalhadores, Indígenas, Professores e outros.

A jornada de protestos começou com fechamentos de estradas em quase todo o país. No entanto, o epicentro da luta se desenvolveu em Quito. Quando a multidão de trabalhadores e indígenas tentou acercar-se à sede do governo, foi duramente reprimida pela polícia de Correa.

Dois conhecidos líderes indígenas, Carlos Pérez Guartambel e Salvador Quispe, foram detidos e denunciaram  que foram maltratados. Depois da jornada, Jorge Herrera, presidente da Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (CONAIE), declarou: “Quito deve continuar, queremos derrotar este sistema de abuso”.

A marcha sobre Quito expressa a crescente insatisfação popular com as medidas de ajuste e repressivas de Rafael Correa, em uma situação de deterioração econômica no país.

As principais demandas que motivaram a Paralisação foram:

- Repúdio à insuportável criminalização dos protestos sociais. Pelo fim da perseguição e o encarceramento de dirigentes sindicais e populares por parte do governo de Correa.
- Repúdio à emenda da constituição que pretende eliminar o direito de sindicalização no setor público.
- Repúdio à lei trabalhista antioperária vigente. Pela vigência do direito de contratação coletiva, a estabilidade no trabalho e pelo incremento geral de salários.
- Oposição ao endividamento externo, aos tratados de livre comércio (TLC) assinados pelo governo, à concentração da terra em poucas mãos e à privatização da água.
- Repúdio à eliminação do subsidio ao gás e ao incremento de tarifas elétricas.

Depois de anos de relativa “estabilidade”, igual que em outros países latino-americanos, o governo “progressista” de Correa está sendo questionado nas ruas pelo movimento social e popular.

A crise econômica e os ataques à qualidade de vida e às liberdades democráticas, assim como as medidas de entrega da soberania nacional que tem implementado, foram se acumulando e geraram um justo e progressivo descontentamento na classe trabalhadora equatoriana, uma desilusão que está passando à ação.

Rafael Correa respondeu para a multidão mobilizada como sempre responde quando se vê confrontado com o movimento social: tentou desacreditar o protesto e acusou aos manifestantes de estarem sendo manipulados pela “direita desestabilizadora”.

Porém estes artifícios discursivos não podem esconder a realidade: tanto Correa como os demais governos “bolivarianos” tem servido durante todos esses anos a suas respectivas burguesias nacionais e aos interesses do imperialismo. Tampouco podem ocultar que o povo equatoriano, como seus irmãos no resto do continente, começa a expressar seu descontentamento nas ruas.

Informações: www.litci.org/pt