1 de abril de 2014

Nenhuma mulher merece ser estuprada! Somos parte dos 35%!

1/4/2014 - Na última semana, o IPEA divulgou uma pesquisa estarrecedora. A maioria das pessoas entrevistadas, por volta de 65%, concordou, total ou parcialmente, com a frase: "mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”. Esse virou um dos assuntos mais comentados nas ruas e nas redes sociais, pois foi de certa forma chocante ver concretizado em números o grau de degeneração moral da sociedade burguesa, que, ainda hoje, culpabiliza as mulheres vítimas de um dos piores ataques que um ser humano pode sofrer: o estupro.

Apesar de chocante, a pesquisa é um reflexo da vida das mulheres de nosso país. A cada 12 segundos, uma mulher é estuprada. E 15 mulheres morrem por dia, vítimas de violência machista. Isso sem falar do assédio no transporte coletivo, da violência doméstica cotidiana, das diferenças salariais em relação aos homens, da falta de creches e de um longo eticetara. Isso tudo ocorre em um país que é governado pela Dilma, uma mulher, que, infelizmente, não atendeu às expectativas dos setores oprimidos, pois preferiu manter como aliados os setores conservadores e a burguesia. É por isso que a vida das mulheres trabalhadoras, especialmente as jovens, as negras e as lésbicas, é cada vez mais dura.

Os governos do PSDB nunca se preocuparam com as mulheres. Quando o PT assumiu o governo federal, houve uma grande expectativa das mulheres e também dos outros setores oprimidos, de que haveria melhorias concretas em suas condições de vida. Especialmente a partir de 2010, quando Dilma, uma mulher, assumiu a presidência as expectativas cresceram. Mas pouco foi feito e os dados só confirmam a realidade... Mesmo a importante Lei Maria da Penha mostrou sua insuficiência por não estar atrelada a políticas efetivas de combate ao machismo e assistência às vítimas de violência.

E isso tem suas razões. O governo gastou o equivalente a 11 mil reais por assento de estádio, nos investimentos para a Copa do Mundo. Essa mesma Copa que sabemos que incentiva o repugnante turismo sexual.  E sabem quanto se gastou nos últimos 10 anos no combate a violência à mulher? Foram apenas 26 centavos por mulher, em 10 anos! Onze mil reais por assento e vinte e seis centavos por mulher. E assim o PT vai demonstrando suas prioridades, que são as empreiteiras e os banqueiros, e não as mulheres.

Dilma prontamente declarou sua opinião sobre a pesquisa do IPEA, afirmando que “a sociedade brasileira tinha ainda muito a avançar”. Como assim, a “sociedade brasileira”? O que precisa avançar são as políticas efetivas de combate à violência. Não basta se declarar contra o machismo, Dilma. Você tem que investir mais dinheiro e promover reais campanhas para coibir a violência.

Nós temos orgulho de lutar coerentemente contra a violência à mulher, fazendo as exigências necessárias para que as mulheres sejam melhor tratadas no país. Nunca tivemos medo de ser minoria, por isso não nos assusta fazer parte dos 35%. Pelo contrário, também muito nos orgulha de estarmos do lado certo. Estamos incondicionalmente ao lado das mulheres em sua luta pelo direito ao próprio corpo. De burca, saia, short, vestido curto ou calça jeans, não importa, todas as mulheres devem ser respeitadas e não tratadas como objetos sexuais.

E o que os homens têm a ver com isso?
O machismo é uma ideologia reacionária que transforma as diferenças entre homens e mulheres em desigualdades, que geram ganhos imediatos aos homens, como a menor responsabilização sobre o trabalho doméstico e privilégios sexuais. Mas mesmo que objetivamente os homens de fato tenham vantagens concretas no momento em que a desigualdade é exercida, esses ganhos são relativos e parciais. Na verdade, são falsos privilégios, pois eles reafirmam e fortalecem o machismo e ajudam a dividir a classe trabalhadora e a juventude. Colocam os homens e mulheres em trincheiras opostas, como se eles tivessem que lutar entre si e não juntos contra os patrões e os governos. Dessa forma, o que parece ser uma vantagem aos homens acaba se voltando contra ele próprio, pois o machismo favorece aos patrões e faz aumentar a exploração do conjunto da classe, homens e mulheres.

Dessa forma, nós, da juventude do PSTU, queremos dialogar com os homens, nossos amigos, colegas de estudo e camaradas de movimento estudantil. Queremos fazer um chamado a todos vocês a que rompam com seus privilégios imediatos por ser homem. Entendam que o machismo exercido por vocês, além de fortalecer essa ideologia reacionária e burguesa, destrói as mulheres que estão a sua volta. Os estupros, assédios sexuais, as mortes e as agressões físicas são as expressões mais bárbaras do machismo em nossa sociedade e, acertadamente, condenadas pela maioria de vocês. Porém, o machismo se revela em muitas outras ocasiões e situações corriqueiras, aparentemente inofensivas e sutis, mas que provocam a mesma opressão.

As cantadas, piadas, as grosserias, gritos, o descaso e desatenção diante das opiniões e dos trabalhos das mulheres, ações cometidas de forma cotidiana, conscientemente ou não, formam também um comportamento machista. Por outro lado, é igualmente machista quando se encaram as mulheres, primeiramente, enquanto possíveis parceiras sexuais e não como sujeitos políticos e sociais independentes e autônomos.

As mulheres são, sem dúvida, a vanguarda do combate ao machismo, mas acreditamos que essa luta é de mulheres e homens, do conjunto da classe trabalhadora e da juventude. Chegou a hora dos homens passarem totalmente para o lado certo da trincheira, combatendo, ao mesmo tempo, o machismo da sociedade e o seu próprio.

Não se pode mais ter um comportamento que crie ambientes hostis às mulheres e permissíveis à violência machista. Se os homens conscientes lutam contra outras ideologias reacionárias, como o individualismo, por que não podem lutar contra o machismo? O resultado da pesquisa do IPEA deve nos fazer refletir. Quem é da turma dos 35% deve e pode dar um passo à frente. Não é livre quem oprime!

Nota da Juventude do PSTU
www.pstu.org.br