17 de fevereiro de 2016

Artigo: "A ofensiva para a privatização da Petrobrás"

17/2/2016 - Por Wesley Bastos e Reynaldo Sant´ana

Em meio ao esquema de corrupção que mergulhou a Petrobrás em uma de suas maiores crises, outro processo está se desenvolvendo e ameaça dar o golpe final na maior e mais estratégica empresa brasileira. É o avanço da privatização da estatal.

Há pouco mais de quinze dias, o governo Dilma (PT) e a direção da Petrobrás anunciaram a criação de uma Gerência Executiva para ser responsável pelo processo de venda de ativos da empresa. O presidente da companhia Aldemir Bendine foi categórico ao anunciar a medida: não há restrição ao tipo de negócio que a empresa está disposta a fazer. Poderão ser negociadas a venda parcial dos ativos da estatal ou a total perda de controle acionário.

Para a maioria da população, as denominações podem soar incompreensíveis. Desinvestimento, venda de ativos? Mas, em bom português, o que estão fazendo é simplesmente avançar o desmonte da maior e mais importante estatal brasileira.

Governo e empresa falam num plano para “reforçar o caixa” e arrecadar US$ 57,7 bilhões. Na prática, é a entrega de patrimônio ao setor privado, cujas consequências serão prejudiciais não só aos petroleiros, mas para todo país, com aumento das demissões, dos preços dos combustíveis e dos alimentos.

Segundo a Polícia Federal, o esquema de propinas descoberto na Operação Lava Jato pode ter desviado mais de R$ 40 bilhões. Querem que os trabalhadores paguem a conta deste rombo e aproveitar para entregar a estatal às multinacionais estrangeiras.

A lista de patrimônio à venda só cresce. A Petrobrás quer se desfazer de 21 usinas térmicas, gasodutos e terminais de regaseificação. Somam-se a isso, outras negociações em andamento, como a venda de importantes subsidiárias, como Transpetro, Brasken, BR Distribuidora e Gaspetro, sem contar a continuidade dos leilões de campos de petróleo e gás.  A direção da companhia estuda ainda criar uma holding, unindo o Comperj (RJ), a Reduc (RJ) e a Regap (MG) e abrir o capital das empresas.

Tudo para ser entregue a preço de banana. A Gaspetro foi negociada por R$ 1,9 bilhão, mas somente em 2014 lucrou R$ 1,5 bilhão. A venda só está suspensa por uma liminar judicial.
Aproveitando o momento, o PSDB, através de um projeto de lei do senador José Serra, também propõe a entrega do pré-sal às multinacionais.

Não temos como deixar de falar que essa política de cortes de custos também significa o aumento das demissões, ataques aos direitos dos petroleiros e a precarização das condições de trabalho.

A face mais perversa e trágica deste processo é o aumento das mortes e acidentes de trabalho. No início deste mês, morreu um petroleiro da Refinaria Duque de Caxias. Nos últimos 13 meses, foram 19 trabalhadores mortos. Mais de 350 mortes nos últimos 14 anos.

Assim como a quebra do monopólio do petróleo na década de 90 e o Leilão de Libra, em 2013, a venda de ativos e o corte de custos é um crime de lesa-pátria. O processo de privatização começou com o PSDB de Fernando Henrique e está avançando com o governo Dilma e o PT.

A Petrobrás foi construída com a capacidade e esforço de milhares de petroleiros e é um patrimônio nacional. Não podemos permitir que corruptos acabem com essa empresa estratégica para o país. Temos de unir a população com os petroleiros para acabar com essa roubalheira e impedir a privatização. A Petrobras é nossa!

Por Wesley Bastos, diretor do Sindipetro-SJC, e Reynaldo Sant´ana, trabalhador e cipeiro na Revap - Publicado no jornal O Vale, de 17 de fevereiro de 2016