20 de julho de 2015

Contra ataques e venda de ativos da Petrobras, petroleiros convocam greve na sexta-feira, dia 24

20/7/2015 - Os trabalhadores petroleiros programam para a próxima sexta-feira, dia 24, uma greve de 24h da categoria em todo o país. A mobilização é contra a venda de ativos anunciada pela direção da Petrobras, em defesa dos direitos dos trabalhadores efetivos e terceirizados e por uma Petrobras 100% pública e estatal.

Na última sexta-feira, dia 17, os trabalhadores petroleiros, junto com os movimentos sociais, realizaram um ato nacional em defesa da Petrobrás 100% estatal, contra o desinvestimento e a venda de ativos e em defesa dos direitos. O ato ocorreu na porta do Edise, sede administrativa da Petrobrás, centro do Rio de Janeiro.

Todas as falações dos presentes ressaltaram a necessidade de construir a unidade fazendo um chamamento aos 17 sindicatos dos petroleiros e aos demais setores organizados da sociedade, para fortalecer a luta contra o projeto da presidente Dilma (PT) e do presidente da empresa Aldemir Bendine, que anunciaram a venda de ativos da Petrobrás, dando início ao maior processo de privatização da companhia ocorrida nos últimos tempos.

Algumas intervenções ainda alertaram a categoria sobre o Projeto de Lei do Senado, do senador José Serra (PSDB), que acaba com a participação de 30% da Petrobrás no modelo de partilha e como operadora única do pré-sal.

O 9° Congresso da FNP (Federação Nacional dos Petroleiros), realizado no Rio de Janeiro, neste fnal de semana, aprovou a “Carta do Rio”, documento que explica a posição da FNP em relação à crise na Petrobrás e os ataques que vêm sofrendo a empresa, os petroleiros e os trabalhadores em geral.

Confira a Carta do Rio aprovada pelos sindicatos da FNP:


Unir os 17 Sindipetros contra a Venda de Ativos de Dilma/Bendine e o PLS de Serra. Nenhum emprego a menos!

Os trabalhadores da Petrobrás, diretos e terceirizados, estão diante de fortes ataques aos seus direitos.

Além dos ataques gerais que a classe trabalhadora vem sofrendo, com o PL 4330, o arrocho fiscal e agora mais um ataque à aposentadoria (o fator 95/100 – que aumenta o limite de idade para aposentadoria), há também a perspectiva do aprofundamento da privatização da Petrobrás, comprometendo a soberania nacional.

O primeiro ato desse ataque foi a desvalorização artificial da Petrobrás. O governo federal, repetindo a mesma fórmula usada pela direita na década de 90, fez um balanço artificial sobre o valor da empresa, desvalorizando-a.

Essa mesma história já foi utilizada para entregar a Companhia Siderúrgica Nacional-CSN, a Vale do Rio Doce – CVRD, e boa parte da Petrobrás, com a extinção de empresas do sistema (ex.: Petromisa e Interbrás) e a privatização de outras partes, inclusive a petroquímica (ex.: Petroquisa – participação em 90 empresas a exemplo de Copene, Copesul e Petroflex). Primeiro foram desvalorizadas, para depois serem vendidas a preço de banana.

A segunda parte desse ataque são as demissões que já ocorrem em grande escala sobre os petroleiros terceirizados. Esses companheiros, que já são os que estão sob uma condição de altíssima exploração e de maior exposição aos riscos, agora vêm pagando com seus empregos a conta de uma crise que não deram causa, não são responsáveis. São dezenas de milhares de pais e mães de família que estão agora no olho da rua, muitas vezes recebendo calote no pagamento de seus direitos. Fala-se em uma perspectiva de 100 mil demitidos, mas a julgar pelas mais de 85 mil já concretizadas, as demissões podem ultrapassar em muito estes valores.

O maior projeto de privatização da Petrobrás já está em curso
Os maiores ataques, infelizmente, ainda estão por vir. Bendine já anunciou um plano de venda de ativos que pretende entregar o equivalente a mais de 40 bilhões de reais. É o maior ataque direto à Petrobrás, desde o fim do monopólio estatal. Muitas especulações estão na imprensa.
Em que pese algum exagero, é certo que vem chumbo grosso. Dia 26/06 o CA da Petrobrás se reúne para definir uma reestruturação. Fingir que isso não é uma realidade e não se mobilizar, desde já, é o pior que podemos fazer nesse momento.

No mesmo sentido dos ataques desferidos pelo governo do PT, PMDB e PP, e pelo Congresso, a oposição de direita (PSDB, DEM etc) quer desferir mais um golpe sobre a soberania nacional e os trabalhadores, com o PLS 131, de José Serra. Esse projeto consegue piorar a já entreguista lei da partilha, pois propõe retirar a participação de 30% da Petrobrás, bem como seu papel como operadora única do Pré-sal. Isto é, além de entregar nos leilões nossas reservas a preços de banana, iriam retirar qualquer chance de controle sobre a produção.

Os trabalhadores têm de se opor a todos esses ataques, tendo a ciência que defender a Petrobrás e o Brasil é lutar pela volta do monopólio, com uma Petrobrás 100% estatal sob controle dos trabalhadores. Derrotar o PSDB/Serra não basta, pois ministro do governo (Minas e Energia)  e diretora da ANP defenderam este PLS 131 e a culpa da crise e da corrupção é do governo e de sua base de sustentação.

Reconhecer os fatos e estas duras ameaças é fundamental para que os trabalhadores respondam à altura. Os petroleiros que já enfrentaram Collor, FHC e até o exército agora precisam estar organizados para fazer as manifestações e paralisações nos locais de trabalho, bem como ir às ruas com o conjunto da classe trabalhadora para lutar contra a venda de ativos, a privatização, o desmantelamento da Petrobrás.

Construir, pela base, a unidade entre todos os petroleiros do país, dos 17 sindicatos
Por isso, chamamos a mais ampla unidade em defesa da Petrobrás e contra esses ataques.
É importante incentivar as OLTs, os Comandos de Greve e outras organizações de base para tomarmos em nossas mãos esta campanha, com toda a força da classe.

Chamamos os 17 sindicatos petroleiros do país, FNP e FUP, a organizarem um comando de greve e calendário de lutas unificado para derrotar a privatização da Dilma, o PLS de Serra, o desinvestimento, a parada das obras, a venda de ativos, o desmantelamento da Petrobrás. Nesta luta também chamamos a se incorporarem a AEPET, FENASPE, associações de aposentados e todas as entidades comprometidas com a defesa da Petrobrás.

Além de fazer mesa única, na campanha salarial que se aproxima, com as duas federações, para que os trabalhadores façam o embate, em unidade, frente à gerência da Petrobrás. As manifestações e paralisações dos dias 15/04 e 29/05, contra as MP’s 664 e 665 do governo, e a PL 4330, da terceirização/precarização, foram construídas dessa forma por diferentes centrais sindicais.

Negar essa unidade de ação, com autoproclamação ou qualquer outra desculpa, significa, na prática, fazer o jogo do governo, o jogo da direita, e enfraquecer a luta da categoria e da classe trabalhadora.

Para além das ações sindicais nas galerias ou gabinetes, somente pressionaremos o governo e o Congresso, de fato, organizando a categoria para se defender com manifestações, paralisações, com greve. É nesse mesmo sentido que chamamos a que todos os sindicatos comecem a discutir e a aprovar nas suas bases o Estado de Greve, para, desde já, indicar ao governo e à empresa a disposição de luta dos trabalhadores.

Informações: FNP