10 de setembro de 2014

Fala Toninho: Mais uma favela incendiada em São Paulo


10/9/2014 - Mais uma favela pegou fogo em São Paulo, no domingo, dia 7, provocando uma tragédia na vida de cerca de duas mil pessoas que perderem tudo que tinham. Coincidência ou não, a favela, que contava com 600 moradias, fica em uma região que é alvo de crescente especulação imobiliária, ao lado das obras da linha 17 Ouro do Metrô.

Outra estranha coincidência é que os hidrantes instalados pela Sabesp no local não estavam em operação. Isso porque a favela Buraco Quente, já havia sofrido incêndios em 2004 e 2012.

A desocupação em decorrência da destruição pelo fogo ocorre em meio à negociação entre governo estadual e moradores, que também pedem indenização pelas casas derrubadas para dar espaço à instalação das obras do Metrô.

Ao redor do Buraco Quente estão sendo construídos luxuosos prédios residenciais, hotéis, escritórios e supermercados que aguardam a conclusão das obras do Metrô para serem beneficiados por uma nova linha de transporte público.

A relação entre incêndios em favelas e crescimento do mercado imobiliário não é mera especulação. Segundo levantamento jornalístico relatado no documentário Limpa com Fogo, nos últimos 20 anos, foram registrados 1,2 mil incêndios em favelas da capital paulista, mais da metade deles entre 2008 e 2012. Segundo os jornalistas responsáveis pela produção, há uma relação direta entre os incêndios e as regiões que estão passando por valorização, seja pela realização de obras públicas ou empreendimentos privados.

O fato é que as cidades são governadas e planejadas para garantir os interesses de uma minoria representada pelas empreiteiras, imobiliárias e ricos proprietários de imóveis. Não podemos nos esquecer que são esses os principais financiadores das campanhas dos grandes candidatos ao governo de São Paulo que, justamente por isso, têm alto poder de influência.

É por isso que as políticas habitacionais não são pensadas para garantir o direito à moradia à população, principalmente mais pobre. Assim como em outros casos recentes, há fortes indícios de que esse incêndio foi criminoso e praticado com intenção de jogar os pobres cada vez mais para as periferias e abrir terreno para que a especulação imobiliária possa correr solta. É preciso um basta nesta situação, investigação rigorosa e punição de responsáveis. O Estado também não pode se omitir e tem de garantir o direito à moradia e condições dignas às famílias.

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