29 de julho de 2014

A luta pela visibilidade lésbica e seus direitos

29/7/2014 - Diariamente, mulheres lésbicas e bissexuais passam por agressões verbais, psicológicas e físicas decorrentes do machismo e da lesbofobia. Essa opressão muitas vezes começa em casa com a família e continua nas escolas e faculdades, vida profissional e pessoal. A falta de apoio pode levar a problemas sérios, até mesmo ao suicídio, um fato que não é difícil de se ter notícias.

A chance de uma mulher sofrer um estupro é maior se ela for lésbica. Dentre as violências sofridas por essas mulheres, uma das mais crueis consequências do machismo e da homofobia é o "estupro corretivo", um crime cometido supostamente com a intenção de “corrigir” a orientação sexual de uma mulher.

Essa prática é realizada legalmente em alguns países da África e do Oriente Médio e, informalmente no Brasil, muitas vezes com apoio da própria família. Quando essas mulheres sofrem violência sexual e/ou física, encontram-se as mais diversas dificuldades para denunciá-las, prova mais revoltante do descaso do governo para com as mulheres lésbicas e bissexuais.

A lista de dificuldades que as lésbicas encontram em suas vidas é enorme, vindo desde a escola, onde sofrem assédio moral e psicológico, passando pelo mercado de trabalho, onde acabam trabalhando nas piores condições e sem poder viver sua sexualidade livremente sob a ameaça de perderem seus empregos e, inclusive na saúde pública, onde não há política específica para atender a mulher homossexual.

As lésbicas e bissexuais sofrem com chacotas machistas e lesbofóbicas cotidianamente. Muitos homens veem casais lésbicos como fetiche masculino, como se elas precisassem de uma presença masculina para se satisfazer. É fruto da cultura machista o pensamento de que uma mulher precisa de um homem para ser feliz, precisa do ‘príncipe encantado’ para se tornar completa. Essa ideologia é tão forte e absurda que desde crianças as meninas são educadas com estereótipos do que é ser mulher e, consequentemente, procurar o ‘homem de suas vidas’, através dos contos de fadas, livros infantis, propagandas e brinquedos infantis.

O que não se pode deixar de ressaltar é que essa opressão dupla de machismo e lesbofobia se potencializa com o capitalismo, sistema que depende também desta discriminação para continuar dividindo a classe e explorar cada vez mais @s trabalhador@s.

Quando se trata de uma mulher negra que é lésbica ou bissexual, essa opressão é tripla, pois além de sofrer com o machismo e a lesbofobia/bifobia, essa mulher também sofre cotidianamente com o racismo, tendo principalmente, seu trabalho ainda mais precarizado.

No dia 29 de agosto de 1996 aconteceu o 1° Seminário Nacional de Lésbicas (Senale). Durante esse evento, que foi realizado no Rio de Janeiro, mulheres lésbicas e bissexuais se reuniram para falar de suas questões específicas e nasceu o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica.

Um dia que representa a resistência ao machismo, ao patriarcado e à heteronormatividade. Significa dizer não à censura, a violência e à restrição dos desejos e afetos que essas mulheres sofrem cotidianamente.

Sabemos que a realidade de um LGBT pobre não é a mesma daqueles que tem mais dinheiro e, consequentemente, maior segurança, tendo mais chance de sobreviver aos ataques homofóbicos e transfóbicos.

O PSTU está presente nessa luta diária contra o racismo, machismo, homofobia e transfobia!

Defendemos a aprovação da PLC122/06 para a criminalização da LGBTfobia, além do incentivo para que kit’s anti-homofobia e transfobia sejam distribuídos nas escolas e que a educação seja voltada para a diversidade e o respeito.


Secretaria LGBT de São José dos Campos