5 de junho de 2014

#NaCopaVaiTerGreve: operários da RFCom completam uma semana de paralisação

Assembleia dos trabalhadores da RFCom. Foto: Sindmetalsjc/Tanda Melo
5/6/2014 - Uma pequena empresa de São José dos Campos, cuja produção tem previsão de ser utilizada pelo Exército no monitoramento durante a Copa do Mundo, completou uma semana de greve nesta quinta-feira, dia 5. São os trabalhadores da RFCom, empresa metalúrgica da região sul da cidade, que lutam pelo pagamento da PLR (Participação nos Lucros e Resultados).

Os operários estão parados desde o dia 30, em razão da intransigência da empresa, que se recusa a avançar nas negociações. Eles reivindicam uma PLR de R$ 5 mil, mas a RFCom oferece apenas R$ 2 mil e se nega a retomar as negociações.

Os trabalhadores estão revoltados com a ganância patronal. “O ano nem acabou e a gente já produziu quase três vezes mais do que foi feito durante todo o ano passado. O pior é que a empresa se nega a reconhecer o nosso trabalho”, disse Carlos(*), integrante da Comissão de Fábrica.

Ele se refere ao fato de terem produzido este ano cerca de 60 veículos, contra 24 produzidos durante todo o ano de 2013. No ano passado, a PLR paga foi de R$ 1.800.

A RFCom, que possui 230 funcionários, fabrica unidades móveis civis e militares, tendo clientes em vários segmentos como defesa, telecomunicações, redes de televisão, petróleo e mineração. Com a Copa, segundo os trabalhadores, parte da produção é destinada ao Exército, que utilizará as unidades na segurança durante o mundial.

Eles ganham dinheiro com a Copa e não querem dar o que é nosso”, disse um trabalhador.

As desculpas deles não convencem. Ficam ameaçando, mas estão fazendo investimentos, contratando e lucrando”, falou um cipeiro que está acompanhando as negociações. “A insatisfação é geral. Os salários estão defasados. Conseguir um aumento salarial é difícil, pois o Plano de Cargos não funciona. Por isso, estamos lutando”, disse.

Apesar da pressão da empresa, que chegou a acionar a PM para tentar intimidar os trabalhadores e conseguiu um interdito proibitório, os trabalhadores seguem firmes e têm se revezado na porta da fábrica. “Queremos mostrar que estamos unidos”, disse Carlos, da Comissão de Fábrica.

Ainda na zona sul, outra fábrica paralisou as atividades nesta quinta. Os trabalhadores da MSA aprovaram greve de 24 horas para pressionar a empresa a avançar nas negociações da PLR. Os metalúrgicos reivindicam R$ 6 mil, enquanto a empresa propôs R$ 2.400 vinculados a metas.

Conquista na GM
Na terça-feira, dia 3, os metalúrgicos da General Motors aprovaram, em assembleia, a proposta de PLR apresentada pela montadora e negociada pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos. Os trabalhadores receberão R$ 9.500 de antecipação e um total que pode chegar a R$ 19.450.
No início das negociações, a GM havia proposto uma PLR inferior à do ano passado, o que levou os trabalhadores a realizarem uma greve de 24 horas, no dia 27 de maio.


(*) os nomes foram trocados a pedido dos trabalhadores por motivo de segurança