18 de junho de 2014

Artigo: Financiamento privado e uso da máquina marcam eleições brasileiras

18/6/2014 - Atualmente, é impossível esconder a grande insatisfação popular com os políticos tradicionais e com os chamados “grandes partidos”, que se orientam sempre por defender os interesses das empresas privadas em detrimento às justas reivindicações dos trabalhadores, da juventude e da maioria do povo brasileiro.

Desde as grandes manifestações de junho do ano passado, que seguem agora principalmente com uma grande onda greves e mobilizações da classe trabalhadora e dos movimentos populares, vemos os “velhos políticos” preocupados em como se garantir no poder, mantendo seus mandatos e privilégios.

Por um lado, vemos a manutenção do financiamento privado de campanha eleitoral e, agora, a doação financeira de grandes empresas diretamente a estes partidos. No mês passado veio a público, pela grande imprensa, que o PT, PSDB, PMDB e PSB têm boa parte de seu orçamento pago por doações de grandes empresas, especialmente das famigeradas construtoras. Só no ano de 2013, que não é um ano eleitoral, o PT recebeu 79,8 milhões de reais, sendo 65% de construtoras, e o PSDB 20,4 milhões de reais, sendo 86% de construtoras.

O financiamento privado de campanha e diretamente aos partidos é uma das grandes fontes de corrupção da política brasileira. Na verdade, essas empresas fazem deste financiamento um grande investimento, pois quando estes políticos se elegem ou reelegem vão governar segundo os interesses de quem os financiou e os financiará em uma futura eleição. É a velha máxima: “quem paga a banda, escolhe a música”.

No caso das construtoras o esquema é muito fácil de ser entendido. O dinheiro investido na campanha destes partidos voltará para esses megaempresários em valores ainda maiores, através de obras faraônicas e superfaturadas, todas pagas com dinheiro público. Verbas que faltam para garantir moradia digna para o povo pobre, saúde, educação e um transporte público e de qualidade.

Meu partido, o PSTU, que completou 20 anos de fundação no último dia 5 de junho, tem entre um dos seus princípios de atuação não receber nenhum centavo de empresas privadas. Somos um partido de trabalhadores, é a eles que queremos representar.

Quando, por exemplo, conseguimos romper a barreira do poder econômico e elegemos parlamentares, como no caso dos mandatos de Amanda Gurgel e Cléber Rabelo, respectivamente, vereadores de Natal e Belém, nossos mandatos são 100% voltados para apoiar as mobilizações dos trabalhadores e da juventude, apresentando projetos de lei que expressem essencialmente suas reivindicações.

Por essa visão totalmente oposta aos dos “partidos da ordem”, nosso partido foi o primeiro a apoiar a Ação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que ainda tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), propondo a proibição do financiamento privado de campanha.

Mas, além do financiamento privado, vemos também o uso das máquinas governamentais e das verbas dos gabinetes parlamentares sempre a serviço da manutenção destes políticos em seus cargos.

O Jornal Folha de São Paulo divulgou recentemente o aumento de 46% no gasto das verbas dos gabinetes dos Deputados Federais com propaganda e publicidade de seus próprios mandatos.

Somente de janeiro a maio de 2014, juntos os “senhores deputados” consumiram 17,7 milhões de reais financiando a divulgação na imprensa e publicação de folhetos de suas míseras iniciativas parlamentares. Ou seja, usam o dinheiro do povo para enganar o próprio povo, tentando provar o que é impossível: que estão fazendo alguma coisa de bom para a maioria da população.

Com esse tipo de atitude buscam impedir o que já começa a ficar evidente em todas as análises políticas e pesquisas de opinião: existe uma grande insatisfação e um grande desejo de mudança na política brasileira. E o grande alvo desta indignação crescente é o Congresso Nacional.

Por isso, a classe trabalhadora e a juventude, que estão se mobilizando desde junho do ano passado, além de ampliar e unificar as suas lutas, precisam nas eleições de outubro repudiar esses grandes partidos burgueses, como PSDB, PMDB, PSB, entre outros e negar também o PT, que embora tenha uma origem próxima aos movimentos sociais, quando chegou ao governo acabou mantendo o mesmo modelo econômico aplicado historicamente pelos partidos da direita tradicional.

Mais do nunca é necessário fortalecer alternativas socialistas que sejam radicais contra as injustiças sociais, candidaturas realmente identificadas com os trabalhadores e suas reivindicações.

Por isso, o PSTU apresenta a pré-candidatura de Zé Maria, operário metalúrgico e socialista, à Presidência da República. E saúdo também a consolidação em São Paulo da Frente de Esquerda, que uniu o PSTU e o PSOL, com o lançamento de Gilberto Maringoni (PSOL) ao Governo do Estado e a camarada Ana Luiza (PSTU) ao Senado.

Estarei engajado na primeira linha destas campanhas e na tarefa de levar à Câmara de Deputados representantes legítimos da luta dos trabalhadores e da juventude.

Queremos conquistar mandatos que sirvam para denunciar o grande “balcão de negócios” que segue instalado no parlamento brasileiro, defender sempre os interesses da classe trabalhadora e apoiar as mobilizações que o nosso povo já está realizando de forma cada vez mais forte.


Por Toninho Ferreira
Presidente municipal do PSTU de São José dos Campos


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