31 de agosto de 2015

Todos à marcha dos trabalhadores e trabalhadoras no dia 18 de setembro

31/8/2015 - Depois de uma forte greve de 12 dias, os operários da GM comemoraram com muita emoção o cancelamento, por cinco meses, das 768 demissões. Ganharam uma batalha numa guerra que continua. Saíram mais fortes, aprenderam e ensinaram: deram uma lição de luta e indicam caminhos. Mercedes, do ABC Paulista, e Volks, de Taubaté (SP), estão também em greve contra demissões.

Por que não unir todos os operários de montadoras num dia de greve pela estabilidade no emprego?

Já a indignação dos 26,5 milhões de aposentados do INSS impôs um recuo ao governo, que havia suspendido o pagamento da parcela do 13º em agosto. Dilma e seus ministros receberam metade de seu 13°, mas não queriam pagar aos aposentados para fazer caixa e pagar a dívida aos banqueiros.

As lutas se estendem por todo o país e em muitos setores. Alguns, como o funcionalismo federal, estão numa greve longa e numa queda de braços com o governo.

O governo Dilma, o Congresso Nacional, os governos estaduais e municipais e a patronal demitem, rebaixam salários e cortam verbas sociais em nome da crise econômica. Mas por que não atacam os grandes empresários e banqueiros que estão tendo os maiores lucros de sua história? Por que não suspendem o pagamento da dívida aos banqueiros, que consumirá 47% de todo o Orçamento? Nós respondemos: porque o governo do PT, da mesma forma que o PSDB, governa em prol do lucro dos banqueiros nacionais e internacionais, das multinacionais, do agronegócio e das grandes empresas.

A crise capitalista na China (e no mundo) pode piorar ainda mais a crise no Brasil. O desemprego já está atingindo 8,3% da população. Entre a juventude, o desemprego é de 19,6%.

Dilma declarou à imprensa que “não tem como garantir que a situação em 2016 vai ser maravilhosa”, dizendo que “demorou para ver a gravidade da crise”. Porém os bancos, por exemplo, estão tendo um 2015 maravilhoso e, pelo andar da carruagem, terão um 2016 ainda melhor: só os juros subiram 30% este ano.

A classe trabalhadora mobilizada e unida contra os patrões, o governo e o Congresso tem força para virar o jogo. Pode fazer com que os ricos paguem pela crise, botar para fora esse governo, junto com Temer, Cunha, Renan, Aécio e todos os corruptos.

O problema é que as maiores organizações dos trabalhadores hoje são um obstáculo para a unificação das lutas. Elas estão atreladas ao governo ou à oposição burguesa. CUT e outras organizações fizeram um ato pelo “Fica Dilma”. Força Sindical  se somou ao ato chamado pelo PSDB de Aécio.

Seria cômico, se não fosse trágico, assistir, em meio a tantas lutas e greves, ao presidente da CUT, Wagner Freitas, declarar que está disposto a pegar em armas para defender Dilma. Dias depois, a Força Sindical realizou um ato em defesa de Eduardo Cunha, corrupto de carteirinha, sob os gritos de “Cunha guerreiro do povo brasileiro”.

A decisão da CSP-Conlutas de chamar uma manifestação nacional para o dia 18 de setembro contra tudo isso, afirmando um campo da classe trabalhadora, é central.

A tarefa dos lutadores da cidade e do campo é construir essa manifestação. A CSP-Conlutas, o Espaço Unidade de Ação, a CGTB, o PSTU, o PCB, o PPL, parte do PSOL e todos aqueles que queiram lutar juntos podem construir uma alternativa para a maioria explorada do nosso país.


Editorial do Opinião Socialista nº 503
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