22 de julho de 2015

Resistência: trabalhadores vão à luta contra arrocho e demissões

Trabalhadoras da Sun Tech em greve desde o dia 7 (Sindmetal/Tanda Melo)
22/7/2015 - Em meio a um cenário de aprofundamento da crise econômica no país, os trabalhadores estão indo à luta contra o arrocho salarial e em defesa dos empregos. Pelo país, várias categorias realizam mobilizações, seja por PLR, campanha salarial ou contra demissões.

A campanha pela PLR deste ano dos metalúrgicos de São José e região, por exemplo, tem sido marcada por uma forte mobilização. Na Blue Tech, uma metalúrgica do setor de eletroeletrônicos em Caçapava/SP, foram dez dias de greve. As trabalhadoras encerraram a paralisação na última sexta-feira, dia 17, após conquistarem R$ 5.500 de PLR (participação nos lucros e resultados) e uma estabilidade de 90 dias.

Na Sun Tech, metalúrgica de São José dos Campos, pelos mesmos motivos, as trabalhadoras também estão paralisadas desde o dia 7 e até esta terça-feira, dia 21, ainda não haviam retornado ao trabalho.

Na Latecoere, fábrica em Jacareí/SP, foram três dias de greve e, na MWL, em Caçapava, foram 20 dias, a maior realizada na categoria este ano. Além dos valores de PLR, os trabalhadores também conquistaram estabilidade por 90 dias.

 “Na Blue Tech, as meninas demonstraram muita garra e disposição. A empresa não queria pagar a PLR e ainda ameaçou demissões. Na hora, todas reagiram e partiram pra luta. Arrancamos R$ 5.500 de PLR e uma estabilidade de 90 dias. Na atual situação do país, repor o salário e garantir o emprego eram fundamentais. E todas sabem que vamos ter de manter a mesma garra na campanha salarial”, contou Isabel Cristina da Silva Oriolli, trabalhadora da Blue Tech e diretora recém-eleita do Sindicato.

Trabalhadoras da Blue Tech (foto: divulgação Sindmetalsjc)

Servidores federais durante ato em Brasília
Pelo país, outras categorias estão em campanha salarial e também realizam lutas. Rodoviários de Recife/PE fizeram dois dias de greve e derrotaram a intransigência patronal. Em campanha salarial, servidores públicos federais, como os funcionários do INSS, iniciaram uma greve por tempo indeterminado. Docentes e técnicos de universidades e instituições federais e trabalhadores do Judiciário também realizam paralisações.

O aumento do custo de vida é, de fato, um dos aspectos que atualmente mais penalizam os trabalhadores. Em junho, o índice oficial da inflação (IPCA) em 12 meses atingiu 8,89%, na maior alta desde dezembro de 2003. A alta no preço dos alimentos e nas tarifas públicas, como água e luz, são os maiores vilões. Somente a conta de luz teve aumentos de até 75% este ano. Segundo pesquisas, o endividamento das famílias chegou ao maior nível em dez anos, com o comprometimento de 46% da renda anual.

Emprego
Mas não é só contra o arrocho que os trabalhadores têm lutado. A defesa do emprego é outra motivação de várias mobilizações. No primeiro semestre deste ano, foram fechadas 345 mil vagas de trabalho em todo o país, o pior resultado desde 2002. Somente na indústria paulista foram 62.500 mil demissões, o maior número em dez anos.

É contra esse cenário que os trabalhadores têm resistido. Os trabalhadores das montadoras seguem em luta contra os cortes que avançam no setor. Somente em junho, foram 4.600 demissões na indústria automotiva. Em São Caetano do Sul, os metalúrgicos da GM estão acampados em frente à montadora contra as demissões de 550 trabalhadores.

Os metalúrgicos da Schrader, de Jacareí, e da Sany, em São José, estão em luta para impedir o fechamento das fábricas. A Sany anunciou que vai transferir parte da produção para a China, de onde passará a exportar os produtos de volta ao Brasil. A fábrica de 120 trabalhadores anunciou 50 demissões. Já a Schrader vai fechar a fábrica em outubro e demitir 190 trabalhadores.

Governo e patrões jogam crise sobre os trabalhadores
A crise econômica está se aprofundando e as estimativas é que o próximo período será de forte recessão. Mas em toda crise, a pergunta que sempre devemos fazer é: crise para quem e quem vai pagar a conta.

As empresas apesar da queda de vendas, por exemplo, continuam garantindo seus lucros (leia mais em: Mesmo com queda na economia, grandes empresas seguem lucrando muito). O fato é que governo e patrões querem que os trabalhadores paguem a conta e estão fazendo isso com o aumento da exploração, com ataques às condições de vida, direitos, salários e empregos.

Contudo, os trabalhadores estão mostrando disposição de luta. Por isso, ganha cada vez mais importância e necessidade o chamado feito pela CSP-Conlutas às demais centrais sindicais: é preciso convocar uma Greve Geral no país para derrotar os ataques feitos pelo governo e pelas empresas contra os direitos dos trabalhadores.