1 de março de 2016

Nem dia 13, nem dia 31/3: trabalhadores precisam construir mobilização independente para barrar ataques e defender direitos

1/3/2016 - Depois de uma aparente calmaria durante o recesso de final de ano, a prisão do marqueteiro João Santana voltou a jogar lenha na fogueira do impeachment. Neste mês de março, movimentos pró e contra o afastamento da presidente Dilma (PT) tem manifestações programadas.

Dia 13, são os movimentos liderados pelos partidos de oposição de direita (PSDB, DEM e Solidariedade à frente) que planejam realizar protestos em todo o país. A manifestação está sendo convocada pelo MBL e o Vem pra Rua e tem eixo definido pela saída da presidente Dilma.

Já os movimentos e organizações que compõe a Frente Brasil Popular (CUT, CTB, UNE, MST) e Frente Povo Sem Medo (MTST, Intersindical e setores do PSOL) estão convocando uma manifestação no dia 31 de março, data que relembra o golpe militar no Brasil.

A manifestação tem cinco eixos, sendo a luta contra o desemprego, o ajuste fiscal, a reforma da previdência e pelo Fora Cunha, mas ao mesmo tempo, destaca o repúdio ao impeachment de Dilma. A escolha simbólica do dia 31 de março não deixa dúvida de que o centro da manifestação é contra o suposto “golpismo” da direita.

É preciso lutar, mas saber contra quem estamos lutando
Intensificar e unificar a mobilização contra os ataques dos governos, do Congresso e dos patrões é uma necessidade urgente para a classe trabalhadora.

Governos e patrões estão jogando a crise sobre o povo, seja com o desemprego, a alta da inflação, o arrocho nos salários, os cortes nos recursos dos serviços públicos ou os ataques aos direitos. Sem contar, os escândalos de corrupção que drenam o dinheiro público para encher o bolso de políticos e empresários corruptos.

Só com mobilização poderemos barrar esses ataques e a classe trabalhadora está dando heroicas demonstrações de disposição de luta, como por exemplo, na ocupação em curso das fábricas da Mabe, em Campinas e Hortolândia.

Lá, a multinacional mexicana, fabricante de fogões das marcas Dako e Continental, quer dar o golpe nos trabalhadores. Abriu falência, demitiu quase 2 mil pessoas, não pagou salários e direitos trabalhistas, mas pretende reabrir a empresa com outro CNPJ sem recontratar os atuais funcionários.

A ocupação das plantas da empresa, desde o dia 15, merece o apoio e a solidariedade de todos os trabalhadores. A exemplo da Mabe, outras lutas também ocorrem em todo o país, contra demissões, contra o atraso nos salários e sucateamento dos serviços públicos.

Entretanto, como bem afirma a nota política aprovada na última reunião da CSP-Conlutas, “não é possível fazer a luta contra os ataques do governo e ao mesmo tempo defender esse governo. Isso leva os trabalhadores ao engano”.

É o governo Dilma e o PT, em conjunto com o PSDB, o PMDB e o Congresso, que estão aplicando o ajuste fiscal com tantos ataques aos trabalhadores e ao povo.

Por isso, é um grande erro realizar atos para defender o governo Dilma, em contraposição aos atos da oposição da direita que defendem o impeachment.

Os trabalhadores não podem apoiar nem o governo, nem a oposição burguesa. As mudanças que queremos não virão com a continuidade do governo Dilma (PT), e muito menos com Michel Temer, Eduardo Cunha, Renan Calheiros, do PMDB, ou Aécio Neves e José Serra, do PSDB.

O recente acordo entre Dilma e Serra para aprovar a entrega do pré-sal e avançar a privatização da Petrobrás é mais uma demonstração que eles brigam, mas na hora de jogar a crise para os trabalhadores, estão juntos.

É preciso formar um polo alternativo, um terceiro campo – dos trabalhadores, classista e independente – para lutar contra o governo, a oposição de direita e os patrões, como propõe a central sindical e popular CSP-Conlutas e as entidades combativas que formam o “Espaço Unidade de Ação”.

Essas entidades estão convocando um dia nacional de lutas no dia 1° de abril contra as mentiras do governo Dilma (PT), dos governadores e dos prefeitos. Vamos dizer não ao desemprego, à inflação, à Reforma da Previdência e às privatizações. No dia 1° de Maio, a proposta também é realizar um ato nacional em São Paulo, independente do governo e dos patrões.

Fora todos eles!
Precisamos intensificar e fortalecer as lutas, rumo à construção de uma Greve Geral para derrotar o ajuste fiscal, o governo, a oposição burguesa e o Congresso de corruptos. Por para fora todos eles.

Os trabalhadores não podem confiar nem no governo do PT, nem na oposição burguesa do PSDB e PMDB. Precisamos de um governo socialista dos trabalhadores, sem patrões e sem corruptos, baseado em Conselhos Populares, em que classe trabalhadora e o povo possam controlar e decidir sobre os rumos do país.

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Nota do PSTU diante do agravamento da crise política: Fora todos eles!