2 de junho de 2014

Livro “Anarquismo e Comunismo” terá lançamento e palestra em São José neste sábado, dia 7

O historiador Henrique Canary será o palestrante
2/6/2014 - A juventude do PSTU de São José dos Campos promove no  sábado, dia 7, palestra e lançamento do livro “Anarquismo e Comunismo”. A atividade acontecerá a partir das 16 horas, na sede do partido, na Rua Romeu Carnevalli, 63, centro.

De autoria do dirigente do partido bolchevique Evgueni Preobrazhenski, o livro é um dos trabalhos mais importantes do revolucionário e economista russo.

A palestra será feita pelo historiador e integrante da Secretaria Nacional de Formação do PSTU, Henrique Canary.

Partindo dos desafios que se apresentaram à classe trabalhadora russa após a revolução de 1917, a obra expõe as diferenças entre anarquistas e marxistas.

De forma clara e compreensível, o autor não só refuta os argumentos anarquistas contra a URSS, mas explica também a concepção marxista do Estado e as tarefas dos revolucionários frente a este.

O dirigente bolchevique acaba por demonstrar a incapacidade do pensamento anarquista em responder à complexa e contraditória realidade da revolução proletária.

Uma obra atual e indispensável
Em meio ao turbilhão de mudanças na situação política brasileira após a onda de manifestações de junho do ano passado, a leitura de “Anarquismo e Comunismo” torna-se atual e indispensável. É nesse sentido que a Editora Sundermann lançou o livro em dezembro do ano passado.

Nas manifestações pudemos assistir o surgimento de movimentos e ideias anarquistas, em toda uma camada de jovens e ativistas. Num momento em que táticas como a dos Black Blocs ganharam a simpatia de muitos lutadores, é fundamental entender os limites e as consequências práticas da teoria anarquista, bem como a necessidade da revolução socialista e do Estado proletário.

Compareça! Após a atividade, vai rolar uma confraternização!


Saiba mais sobre o autor:
Evgueni Alekseievitch Preobrazhenski nasceu em 15 de fevereiro de 1886, no vilarejo de Bolkhov, região de Oriol, Império Russo. Filho de um padre cristão ortodoxo, aos 17 anos se tornou membro da fração bolchevique do Partido Operário Social-Democrata Russo. 

Preobrazhenski teve um papel importante na revolução de 1905, assumindo tarefas de organização partidária nos montes Urais e Sibéria. Formado em Direito, estudou também economia, e em 1921 foi eleito presidente do Comitê Financeiro da República Soviética. 

Neste posto, se ocupou dos problemas do restabelecimento da produção e do abastecimento de grãos em todo o território russo. Com base nessa experiência, escreveu vários trabalhos sobre a planificação econômica e a necessidade de industrialização da URSS, sendo “A Nova Econômica” o mais importante deles. Neste livro, Preobrazhenski formula sua famosa teoria da “acumulação primitiva socialista”, que seria o resultado da luta estabelecida, nas sociedades de transição ao socialismo, entre a lei do valor como um resquício do capitalismo, e a planificação econômica como medida consciente do governo socialista.

Após a morte de Lenin, Preobrazhenski adere à Oposição de Esquerda e, junto com Trotski, se torna um dos mais consequentes defensores de uma linha industrializadora nas cidades e coletivista no campo. Em 1927, com o exílio de Trotski, passa a organizar clandestinamente o trabalho oposicionista. Posteriormente, é expulso do partido; e em 1929, exilado por organizar uma gráfica ilegal.

Com a coletivização forçada do campo e com a pesada campanha de industrialização do primeiro plano quinquenal conduzidas por Stalin, Preobrazhenski capitula e renega a Oposição de Esquerda. Porém, a perseguição stalinista continua, e em 1933 ele é novamente preso, expulso do partido e exilado, fazendo nova autocrítica em 1934. Em 1936, é mais uma vez preso; e em 1937, no auge dos processos de Moscou, executado. 

Diferente de muitos outros dirigentes assassinados por Stalin, Preobrazhenski jamais confessou qualquer crime, reduzindo suas “autocríticas” aos aspectos políticos. Provavelmente devido a esta recusa altamente incoveniente para a burocracia dirigente, Preobrazhenski não chegou a ser levado a julgamento público, tendo sido fuzilado às escondidas, em circunstâncias que só foram conhecidas muito tempo depois. Até hoje seu nome é uma das principais referências nos estudos de planificação e política econômica de Estados operários.