30 de março de 2016

FALA TONINHO: “O PMDB, os ratos e o navio”

30/3/2016 - Por Toninho Ferreira

Com o naufrágio, os ratos abandonam o barco, afirma o ditado popular. Pode parecer clichê, mas não há nada melhor para expressar a decisão do PMDB de romper com o governo Dilma, oficializada nesta terça-feira, dia 29.

A decisão unânime, aprovada aos gritos de “Fora PT” e “Brasil, para frente, Temer presidente”, é um sinal de que o partido analisou todas as possibilidades e sabe que o governo da presidente Dilma acabou definitivamente.

Na mesa que coordenou a reunião, lá estava ele. Sorridente. Sorrateiro. O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha , afundado  até o pescoço em denúncias de corrupção. O vice-presidente Michel Temer e o presidente do Senado Renan Calheiros não compareceram. Mas é apenas um detalhe. Arquitetaram todos juntos. Negociaram, inclusive, com o PSDB de José Serra e Aécio.

Mas estão errados os governistas e o PT com a choradeira, quando dizem que o PMDB “traiu” o governo. O PMDB apenas cumpre sua política de fome insaciável por cargos.  O PMDB pode ser governo pela terceira vez sem ganhar uma eleição diretamente.

Quem na verdade traiu a confiança do povo foi o PT, quando se juntou a Sarney, Jader, Renan, Temer, velhos conhecidos por roubalheiras no país.

O governo Dilma e o PT colhem o que plantaram. Como bem resumiu um militante do PSTU, o governo vai definhar sozinho. Sem os porcos, com quem se juntou, e sem os trabalhadores, que abandonou.

Fora todos eles!
Oportunista e fisiológico como sempre foi, o PMDB está pulando do barco antes para tentar se salvar. Temer e o PMDB tentam se postular como a alternativa viável ao governo paralisado de Dilma. Está é a expressão da degeneração política do país.

Um dos partidos mais citados na Operação Lava a Jato, o PMDB tem vários políticos acusados de corrupção, inclusive Temer, Renan e Cunha que são a linha sucessória de Dilma. Mais do que parceiros na dilapidação do Estado, o PMDB é também avalista da mesma política econômica, que privilegia banqueiros e grandes empresas, em detrimento dos trabalhadores e da maioria do povo.

Oficialmente, o partido decidiu que nenhum filiado está autorizado a exercer qualquer cargo federal e em caso de descumprimento poderá ser expulso. O partido comandava seis ministérios importantes e milhares de cargos em 2° e 3° e escalões inferiores. Contudo, os pemedebistas não deram prazo para entregar os cargos e alguma saída mais amena, como pedidos de afastamentos do partido, pode acabar mantendo muitos no mesmo lugar.

O fato é que a crise política segue se aprofundando em velocidade impressionante.  A saída de Dilma deixou de ser apenas uma possibilidade, é uma hipótese cada vez mais provável, o que daria a Temer a presidência da República.

Nós, do PSTU, seguimos afirmando que apenas o impeachment não é a solução para a crise política, social e econômica instalada no país. Precisamos colocar todos pra fora.

Empossar Temer é a saída que os banqueiros e grandes empresários, juntamente com a elite política do país, estão buscando para tentar sair da crise e aplicar o mesmo projeto econômico contra os trabalhadores, o chamado ajuste fiscal.

Não basta tirar apenas Dilma e o PT. É preciso por todos para fora: Temer, Cunha e Renan, do PMDB, Aécio, do PSDB, e todo esse Congresso de picaretas. Aliás, vale ressaltar que dentre os 513 deputados da Câmara, segundo a Transparência Brasil, 303 são investigados por algum crime. No Senado, 49 dos 81 senadores estão envolvidos em investigações. Dos 65 membros da comissão do impeachment, 37 enfrentam acusações de corrupção ou outros crimes.

Nos estados a corrupção também corre solta. Em São Paulo, são os escândalos da merenda escolar, do Metrô e das obras do Rodoanel. O dinheiro que falta na saúde, no transporte público, nas escolas, na moradia popular, está sobrando no bolso deles.

Por isso, o FORA TODOS. A cada dia se faz mais necessário que os trabalhadores tomem as ruas. De imediato, vamos exigir eleições gerais, sem a participação desses corruptos. Eleições com outras regras, sem o financiamento privado, com tempo de televisão igualitário e mandatos revogáveis, sem qualquer tipo de privilégio e com salário igual ao de um operário ou professor.

Contudo, somente um governo socialista, com um projeto econômico voltado aos trabalhadores, poderá dar um basta a esse mar de lama de corrupção e atender as reivindicações e necessidades da maioria do povo.





Toninho Ferreira, é presidente do PSTU de São José dos Campos e suplente de deputado federal