10 de outubro de 2013

Estudantes ocupam USP e Unicamp: não é só por democracia, é por uma universidade sem catracas!

10/10/2013 - Acompanhamos nos últimos dias a ocupação por estudantes das reitorias das duas principais universidades públicas do estado de São Paulo. Na USP, a luta pela democracia na escolha do reitor e na Unicamp pela saída imediata da PM do campus são as pautas principais que movem os estudantes e a comunidade acadêmica.

Não nos surpreende, que mesmo em meio ao novo momento das lutas no país,  a falta de diálogo seja o estopim de ações mais radicalizados, principalmente da juventude. Contudo, é lamentável que as reitorias, representando os setores mais conversadores do governo, continuem intransigentes e alheias às demandas das ruas. Parece que as reitorias das universidades paulistas não aprenderam nada com as mobilizações de junho!

Na USP, a ocupação vem acompanhada de uma forte greve estudantil, votada e aprovada em diversos cursos da universidade. Na Unicamp a mobilização cresce a cada dia e ganha corpo o sentimento de rechaço à militarização do campus e as paralisações estudantis. Ontem mesmo, foi aprovado indicativo de greve do corpo docente na USP, o qual deverá ser confirmado na próxima terça, dia 15, demonstrando a união entre os setores da Universidade.

Além disso, já são diversas entidades e organizações do movimento estudantil nacional que enviam moções e realizam atividades de solidariedade ativa às lutas estudantis paulistas, demonstrando que cresce o sentimento de união entre a juventude que luta!

Desde a criminosa desocupação do Pinheirinho pela polícia de Geraldo Alckmin (PSDB), não é admissível fazer as reintegrações de posse pela via judicial, sem negociação ou consulta prévia ao movimento. Esta é uma importante conquista, fruto da mobilização e da luta dos movimentos sociais. Porém, em nada significa que o governo de SP não tentará de todas as formas derrotar o movimento por meio de ações violentas.

Portanto, é preciso ficar atento, cercando de solidariedade os estudantes destas universidades.

Na última terça feira, dia 8, após o ato em solidariedade aos educadores do RJ, dois jovens foram presos em SP e enquadrados na antiga lei de Segurança Nacional, um dispositivo legal que foi muito usado pela ditadura para reprimir os militantes que atuavam contra o regime.

Esta atitude demonstra que o aparato de segurança do estado não hesitará em valer-se dos meios mais ardilosos para derrotar aos que se opõe ao governo e seus aliados, em uma clara demonstração de que os anos de ditadura civil - militar ainda refletem em nosso país.

Mais de 2 mil em ato unificado da USP e Unicamp 
Na quarta-feira , dia 9, aconteceu um ato unificado entre os estudantes da USP e Unicamp que contou com a participação de mais de 2 mil pessoas e tomou a Av. Paulista e as ruas de São Paulo, chegando até às portas da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo).

Além das pautas específicas que movem os estudantes, é possível perceber um novo sentimento entre os jovens. Não aceitamos mais a política de sucateamento da educação imposta pelos governos estadual e federal. Lutamos por uma universidade sem catracas, onde o acesso e a permanência sejam tratados como prioridade pelos governantes. Não suportamos mais escolas e universidades onde faltam tudo: professores, estrutura, creches e onde os bandejões são inexistentes ou de péssima qualidade, faltam moradias estudantis, não há espaços autônomos de convivência, sobram estudantes e faltam vagas, e um longo etc.

É preciso exigir do governo que rompa com a política privatista da educação que beneficia somente aos barões do ensino e invista pesado na educação.

Não aceitamos a mentira dos royalties para a educação, onde uma pequena parte da compensação devida pela entrega de nossa riqueza natural às multinacionais estrangeiras irá para a educação. Queremos 10% do PIB investidos na educação pública já! E nada menos do que isto nos deterá!
Uma universidade sem catracas se constrói com inclusão e investimento!

O PSTU do Vale do Paraíba se coloca ao lado dos estudantes que lutam e ocupam as reitorias da Unicamp e da USP, fortalecendo o chamado para que a juventude entre novamente em cena, aliada aos funcionários e professores para promover uma paralisação nacional das escolas.

Chegou a hora de contagiar as universidades e escolas com a esperança das ruas. Vamos todos transformar a educação com uma jornada nacional de greves e ocupações!

- Todo apoio à luta dos estudantes da USP e da Unicamp
- Fora PM das universidades!
- Democracia nas universidades já!
- Fora Alckmin!


Por Edgar Fogaça, da juventude do PSTU