22 de outubro de 2013

Crime lesa-pátria: PT concretiza maior privatização do petróleo da história

22/10/2013 - O petróleo é nosso. Mas as multinacionais é que lucrarão com ele. Esse é o resultado do leilão do Campo de Libra concretizado nesta segunda-feira, dia 21, pela presidente Dilma. Foi a maior privatização do petróleo da história do país.

Um único consórcio, reunindo as multinacionais Total (francesa), Shell (anglo-holandesa), as chinesas CNPC e CNOOC e a Petrobras, participou do leilão e ganhou o direito de explorar e produzir o petróleo de Libra, a maior reserva de petróleo do pré-sal do mundo.

Um verdadeiro "negócio da China" para as multinacionais, que têm a certeza de que têm à disposição uma das maiores reservas de petróleo do mundo e com baixo risco, pois é garantida a existência dessa riqueza na bacia de Campos.

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) fixou em 41,65% a parcela mínima da União no leilão de um campo já perfurado, testado e comprovado que abriga reservas fantásticas. Enquanto as multinacionais ficaram com 60% da participação, restou à Petrobras 40%.

"Enquanto no resto do mundo os países exportadores de petróleo ficam com 80% do óleo-lucro – uma média de 72% do óleo produzido –, o governo brasileiro fixou para o leilão de Libra o pagamento mínimo de 41,65% à União. Em um campo sem riscos, de óleo de excelente qualidade, não seria razoável menos de 80%. Estamos leiloando um bilhete premiado. Nenhum país soberano e independente faz esse tipo de leilão", denunciou o vice-presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet), Fernando Siqueira.

Pressionada pela repercussão do leilão e pelos protestos, Dilma se viu obrigada a falar em rede nacional de rádio e TV. A presidente classificou o leilão como "um marco na história do país". Citou supostos ganhos que significarão uma "revolução" na educação.

Pura manipulação dos dados. Apesar da tentativa do governo em dar um tom de vitória, este leilão é o maior ataque à soberania e às riquezas do Brasil.

Estima-se que no Campo de Libra existe cerca de 15 bilhões de barris, o equivalente a R$ 3 trilhões.
Contudo, o governo ofertou a área por apenas US$ 15 bilhões para a assinatura do contrato. Nos próximos 30 anos, o governo prevê receber US$ 300 bilhões em royalties e US$ 600 bilhões em repasses (lucro-óleo). É como se o barril, que custa atualmente cerca de US$ 100, fosse vendido a preço de banana! É um verdadeiro crime de lesa-pátria!

A Petrobras tem condições e deveria assumir a exploração do pré-sal sozinha, como faz outros países produtores de petróleo, como a Arábia Saudita, por exemplo, onde empresas estrangeiras prestam serviço, mas o petróleo e o lucro é do país.

Segundo a Petrobras, o custo médio de extração em 2012 foi de US$ 13,92 por barril. Logo, para produzir toda a reserva do pré-sal existente no Brasil, estimada em 100 bilhões de barris, gastaríamos US$ 1,3 trilhão e arrecadaríamos US$ 10 trilhões. Isso renderia o equivalente a US$ 8,7 trilhões!

Leilão é privatização, sim!
Em seu pronunciamento ontem, Dilma fez questão de afirmar que o leilão não é privatização. Afinal, ela
fez sua campanha eleitoral criticando as privatizações do PSDB e prometeu que defenderia o patrimônio nacional e a Petrobras. Mas, ao contrário, o fato é que o PT avança na privatização do patrimônio nacional.

Uma riqueza do povo brasileiro, que deveria ser utilizada 100% para melhorar as condições de vida,
garantir saúde, educação, moradia de qualidade à população, foi apropriada por empresas estrangeiras e o dinheiro será usado para pagar a Dívida Pública, como manda o Fundo Monetário Internacional (FMI).

O mais lamentável ainda é que para garantir a entrega do patrimônio nacional, o governo transformou uma parte do Rio de Janeiro numa área sitiada, com mais de mil soldados do Exército e da Força Nacional.
Nem bem os manifestantes começaram a se concentrar para o ato, foram recebidos com extrema violência pelos policiais, com bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha e gás pimenta.

A luta continua
Os petroleiros realizam uma histórica greve nacional contra o leilão que já entra no sexto dia, nesta terça-feira, dia 22. Manifestações se espalharam pelo país.

Fazemos um chamado a todos os trabalhadores e à população para participar das mobilizações e exigir que
a presidente Dilma anule o leilão e pare a entrega de nossas riquezas às multinacionais.