19 de março de 2015

A classe operária e os trabalhadores precisam entrar em campo contra o governo do PT e contra o PSDB!

19/03/15 - A classe operária e todos os trabalhadores devem estar pensando e refletindo sobre os atos que ocorreram esses dias.
No dia 13, ocorreu um ato em apoio ao governo Dilma Rousseff (PT). Embora parte dos trabalhadores presentes neste ato tenha se manifestado contra a retirada dos direitos por parte do governo, o conteúdo do ato, dado pela sua direção, foi essencialmente em defesa do governo, contra um suposto golpe da direita.
Os atos do dia 15, apoiando-se no sentimento tremendamente majoritário e progressivo de oposição e de indignação contra o governo do PT, acabaram tendo na sua condução grupos de centro-direita e a participação explícita de partidos da oposição de direita como o PSDB e o DEM, que tentam se beneficiar da crise do governo para capitalizar eleitoralmente a insatisfação existente.
No dia 15 houve uma participação expressiva da classe média, em particular de seus estratos mais elevados, que foram às ruas contra o governo e a corrupção (22% dos manifestantes recebiam entre 10 e 20 salários mínimos, e 19% ganhavam mais de 20 salários mínimos por mês segundo pesquisa do jornal Folha de S. Paulo na Avenida Paulista). Uma parte desse setor social não esconde ter ódio e preconceito de classe contra os trabalhadores e o povo pobre do Brasil.
Impeachment não é solução
A classe operária deve estar refletindo por que os atos do dia 15 não falaram nada da retirada de direitos que o governo Dilma do PT está fazendo. Também não disseram nada sobre o aumento do preço das tarifas e dos alimentos. Tampouco mencionaram o ministro banqueiro da Fazenda, Joaquim Levy, nomeado pelo PT, ou a ministra dos ruralistas, Kátia Abreu. Enfim, as manifestações do dia 15 não reclamaram dos direitos trabalhistas surrupiados, do seguro-desemprego, do aumento das passagens, do preço dos alimentos, da luz e da água.
A razão disso foi que, quem esteve por trás da organização da manifestação e dos grupos que se diziam independentes e que a convocaram, era gente do PSDB, do DEM e até de grupos que reivindicam a volta do regime militar. O PSDB, o DEM e os grupos que estiveram na sua organização apoiam as medidas de ajuste fiscal do governo do PT contra a classe trabalhadora.  Ao mesmo tempo, a condição social de parte dos manifestantes, composta por estratos mais altos da classe média brasileira, não se ressente com a retirada do seguro-desemprego, da medida que dificulta o acesso ao PIS. Já os grupos que defendiam a volta do regime militar eram bem minoritários. De qualquer maneira, é repugnante ver essa gente que defende a tortura, a ditadura e a perseguição das lideranças da classe trabalhadora serem aceitos em manifestação. 
O PSTU chamou o voto nulo no segundo turno das eleições e defende que os trabalhadores devem sair às ruas e construir uma Greve Geral contra o governo Dilma e contra os governadores do PSDB, do PMDB e também contra a maioria do Congresso Nacional para defender nossos direitos. Por isso, não apoiamos a manifestação do dia 13, porque este era um ato de apoio ao governo Dilma. E não convocamos o dia 15 porque este foi chamado em defesa do impeachment, que é uma proposta que entrega o governo para o vice Michel Temer (PMDB) ou para o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (também PMDB), e por não haver, em sua convocação, a defesa das demais reivindicações da classe trabalhadora. Ou seja, impeachment é trocar seis por meia dúzia.
Golpe da direita?
Logo após o protesto do dia 15, militantes do PT e do PCdoB saíram com a tese de que o governo Dilma enfrenta uma tentativa de golpe da direita. Outros setores falam de onda conservadora.  Essa tese, porém, não encontram amparo na realidade. Vejamos: nem o PSDB, nem a Folha de S. Paulo, nem a Globo, nem os banqueiros, nem as empreiteiras e todos os grandes empresários e banqueiros do país, muitos dos quais apoiaram o dia 15, defendem golpe. Aliás, no momento, não defendem nem mesmo o impeachment.
Hoje, esses setores não querem dar um golpe porque estão empenhados, ao lado de Dilma, na aprovação do ajuste fiscal. Ou seja, apoiam as Medidas Provisórias que retiram o seguro-desemprego e dificultam o acesso ao PIS. Apoiam o aumento dos preços das tarifas de energia, de transporte e dos alimentos. Também apoiam as demissões e a venda de ativos da Petrobras. Defendem o corte de gastos sociais no orçamento (saúde, educação, moradia) para dar ainda mais dinheiro aos banqueiros com o pagamento da dívida pública. Todos estão a favor das demissões e de maior exploração: fazer os trabalhadores produzirem mais e ganharem menos.
Aliás, mesmo o imperialismo norte-americano não quer derrubar o governo. Longe disso, o presidente dos EUA, Barack Obama, inclusive adiantou a agenda para realizar um encontro com Dilma em abril, após o vice-presidente daquele país ligar renovando o apoio do governo dos EUA a Dilma. Como é que o PT e o PCdoB explicam esse apoio?
Os banqueiros e os grandes empresários, além disso, ganharam muito dinheiro em todos esses anos de governos do PT, muito mais do que os trabalhadores e o povo pobre. Agora, querem que a classe trabalhadora pague o preço da crise que eles criaram. Esses senhores não preparam nenhum golpe contra Dilma. O máximo que o PT pode dizer a eles é que são muito mal agradecidos.
O PT sempre governou e continua governando para eles. Por isso, nomeou um banqueiro como ministro da Fazenda, um grande empresário como ministro da Indústria e uma latifundiária como o ministra da Agricultura. Na verdade, hoje, o PSDB, legítimo representante de banqueiros e multinacionais, prefere e quer voltar ao governo nas próximas eleições. Para isso, conta com o apoio dos patrões e da grande imprensa.
Todos têm acordo com a atual política econômica. É isso que faz com que banqueiros, multinacionais, agronegócio, FHC, Aécio Neves, PSDB, DEM, Globo, Folha de S. Paulo e toda a mídia queiram desgastar ainda mais o governo: para ter mais poder de chantagem sobre ele e tentar voltar à Presidência da República em 2018. Enquanto isso, apoiam o governo na aplicação das medidas contra a classe trabalhadora. Apoiaram o dia 15 e estimularam os grupos de centro-direita que estiveram por trás dessas manifestações contra o governo e contra a corrupção (embora eles também sejam corruptos). Mas eles não querem que a classe trabalhadora se mobilize para valer contra o governo Dilma e contra governadores e o Congresso e defendam seus direitos, porque eles têm acordo com o governo em jogar a crise sobre as costas dos trabalhadores.
A manifestação do dia 15, então, embora tenha por trás dos grupos que a organizaram a oposição de direita e tenham dela participado setores de classe média que respondem a um ideário de centro- direita, não inaugura uma onda conservadora no país. Ao contrário, a classe operária e toda a classe trabalhadora, que são a imensa maioria dos habitantes deste país, estão indignados com o governo federal do PT e com todos os governadores do PSDB, do PMDB e demais partidos que aplicam o ajuste fiscal, além do próprio Congresso Nacional e sua maioria de deputados corruptos.
A necessidade mais importante é que essa maioria entre em campo contra o governo e contra a oposição de direita, impondo suas reivindicações e não permitindo que joguem o preço da crise sobre suas costas. A classe trabalhadora, em ação contra o governo e contra a direita, pode também responder às angústias de um setor expressivo da classe média que está indignada e com razão. Afinal, nem todos os setores médios são reacionários por natureza.
Construir a Greve Geral: formar um bloco dos trabalhadores, contra o governo, os patrões e a direita
A saída da crise passa pela mobilização da classe trabalhadora contra o governo do PT e, também, contra o PSDB, e pela derrota do ajuste fiscal. É preciso se mobilizar contra o governo e contra a oposição de direita. É importante a classe operária tomar as ruas com suas bandeiras contra os patrões.
O PSTU entende que é preciso construir uma alternativa dos trabalhadores. A CSP-Conlutas, centenas de sindicatos, entidades estudantis e movimentos populares, além de outros movimentos reunidos no Espaço Unidade de Ação, que fizeram manifestações no dia 6 de março, agora vão realizar uma ampla reunião na próxima sexta-feira, 20, em São Paulo. Em pauta está a articulação de um plano de ação que busque romper esta falsa polarização entre o governo do PT, em aliança com a burguesia, e o PSDB.
O PSTU empenhará seu esforço militante na construção dessa reunião. Nosso partido faz um chamado às organizações da classe trabalhadora, ao MTST, aos partidos de esquerda que fazem oposição ao governo, como PSOL e PCB, e mesmo a setores da CUT ou da base do próprio PT, que concordam com a necessidade de formar um campo da classe trabalhadora contra o governo e a direita: vamos construir um processo de luta de massas, de ação, que busque romper a falsa polarização e criar um campo da classe trabalhadora e da juventude contra os patrões, o governo e a oposição de direita.
Ao mesmo tempo, fazemos um chamado às centrais sindicais e aos movimentos populares que estão contra a retirada de direitos: vamos preparar uma Greve Geral para derrubar as medidas do governo apoiadas pela oposição de direita. A CUT e o MST precisam romper efetivamente com o governo. A Força Sindical precisa romper com o PSDB.
Chamamos as centrais sindicais e os movimentos sociais e populares a construir uma Greve Geral com as seguintes reivindicações:
– Nenhuma demissão! Redução da jornada sem redução do salário! Estatização das empresas que demitirem!
– Retirada das MPs 664 e 665, em defesa do seguro-desemprego, do abono do PIS, da pensão por morte e dos direitos dos pescadores; retirada do PL 4330 (da terceirização)!
– Redução e congelamento dos preços dos transportes, das tarifas e dos alimentos!
– Petrobras 100% estatal sob o controle dos trabalhadores!
– Cadeia para todos os corruptos e corruptores e expropriação dos seus bens, ou seja, incluir a investigação e punição dos casos de corrupção também do PSDB e do HSBC, que envolvem inúmeras empresas e políticos, incluindo a Rede Globo.
– Suspensão imediata do pagamento da dívida aos banqueiros e auditoria, para que os trabalhadores não paguem o preço da crise!

O PSTU reafirma: nem PT, nem PSDB nos representam
É necessário construir nas lutas uma alternativa dos trabalhadores, operária e popular, a esse governo e à oposição patronal de direita. É preciso construir uma greve geral que derrube as medidas que atacam a classe trabalhadora. Só nessa luta podemos criar uma alternativa dos trabalhadores para a crise. A classe operária e toda a classe trabalhadora em luta têm mais força do que o governo, os patrões e a oposição de direita.
E será com essa força em ação que se poderá abrir o caminho para uma luta em prol de um governo dos trabalhadores sem patrões e sem corruptos.