4 de abril de 2016

1° de abril: manifestantes vão às ruas em quinze capitais contra o governo Dilma e a oposição de direita

4/4/2016 - As ruas de quinze capitais do país foram novamente palco de manifestações na sexta-feira, dia 1° de abril. Mas diferente de atos ocorridos nas últimas semanas, não foram manifestações para defender Dilma e Lula (PT) ou muito menos para se somar à oposição de direita (PSDB-PMDB) no pedido de impeachment.

A data, popularmente conhecida como Dia da Mentira, foi escolhida simbolicamente para dizer não às mentiras e ataques que governos, sejam do PT, PSDB, PMDB e o Congresso, estão aplicando contra os trabalhadores.

Convocados pela CSP-Conlutas e organizações do Espaço Unidade de Ação, houve atos em São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG), Florianópolis (SC), Fortaleza (CE), Natal (RN), São Luís (MA), Belém (PA), Aracaju (SE), Maceió(AL), Recife(PE), Curitiba(PR), Teresina(PI), Macapá (AP) e Porto Alegre (RS).

Os protestos repudiaram também a corrupção e o ajuste fiscal dos governos, a reforma da Previdência, o desemprego, a inflação e exigiram medidas como estabilidade no emprego, moradia, saúde, educação, entre outras pautas em defesa dos trabalhadores, da juventude e do povo pobre.

Não ao golpe contra os trabalhadores
Apesar de, em números absolutos, as manifestações terem reunido uma quantidade menor de pessoas em comparação com as manifestações realizadas pela oposição de direita (13 de março) e por governistas (dias 18 e 31 de março), os protestos deste dia 1° de abril apontaram outro caminho, um terceiro campo: uma mobilização independente dos trabalhadores contra todos eles: governo e oposição de direita.

De norte a sul do país, foram às ruas, trabalhadores de várias categorias, como metalúrgicos, petroleiros, químicos, bancários, servidores públicos, professores, trabalhadores rurais, trabalhadores dos Correios, servidores municipais da saúde, aposentados, além da juventude e militantes de movimentos sociais e de luta contra as opressões. PSTU e setores do PSOL também marcaram presença.

Em contraposição ao discurso do “golpe”, que setores governistas, inclusive a CUT e o MTST, têm utilizado para sair em defesa do governo Dilma, os protestos reafirmaram que o golpe que existe no país atualmente tem sido contra os trabalhadores e vem sendo dado pelo próprio governo do PT, assim como pelo PMDB, PSDB e o Congresso.

 “Não aceitamos essa ladainha de golpe. Golpe é quando cortam nossos salários e colocam nas costas dos trabalhadores o ajuste fiscal. PT, PMDB, PSDB, DEM, todos esses partidos querem aplicar esse plano de ajuste”, discursou em São Paulo, na manifestação que reuniu cerca de cinco mil pessoas, o membro da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas, Luiz Carlos Prates, o Mancha.

“Não adianta um impeachment para colocar Temer no poder. Queremos apontar uma nova alternativa. Dilma, Temer, Cunha e todos eles têm que ser derrubados pela ação dos trabalhadores. É hora de levantarmos nossas bandeiras por um governo socialista dos trabalhadores, sem patrões, e sem corruptos, apoiados em governos populares”, disse.

No Rio de Janeiro, manifestantes se concentraram em frente à Assembleia Legislativa e pediram “fora todos”, inclusive do governador Luiz Fernando Pezão, responsável pela grave crise no estado. Pela manhã, ainda na capital carioca, operários demitidos da Petrobrás fizeram um ato no Museu do Amanhã.

Em Porto Alegre, o ato foi na Esquina Democrática, tradicional ponto de protesto na capital gaúcha.

Em Fortaleza, professores e estudantes realizaram uma passeata, assim como ocorreu em Macapá.



Veja a cobertura completa das principais mobilizações pelo país.

Em sua fala, no ato em SP, o presidente nacional do PSTU, José Maria de Almeida, ressaltou a importância dos atos realizados naquele dia pelo país, numa demonstração de que é possível realizar uma mobilização classista, independente e de luta dos trabalhadores em contraposição ao governo e a oposição de direita.

“Os trabalhadores tem de ir às ruas para botar pra fora todos eles. Botar para fora o governo da presidente Dilma, mas também seu vice Michel Temer, Eduardo Cunha, Renan Calheiros do PMDB. Botar para fora Aécio Neves do PSDB e toda a corja do Congresso Nacional que aí está. É dessa forma que iremos construir uma saída para a crise que o nosso país vive, que possa atender os interesses da classe trabalhadora”, disse Zé Maria.

Dia 1° de Maio vai ser maior
Para o presidente do PSTU de São José dos Campos e suplente de deputado federal, Toninho Ferreira, que participou do ato em São Paulo, é cada vez maior a indignação dos trabalhadores e do povo pobre com o governo do PT, mas também com o Congresso Nacional e os partidos da oposição de direita, PMDB e PSDB.

“Na Paulista, vimos o apoio e a simpatia da população que assistia a passeata. As pessoas estão cansadas dessa falsa polarização. Não acreditam mais no governo do PT, mas também sabem que PMDB e PSDB não são alternativa para a classe trabalhadora. Estão todos metidos na corrupção e defendem medidas contra o povo. É por isso também que a campanha do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, com protestos nas fábricas e distribuição de adesivos do Fora Todos, tem tido tanto apoio”, avaliou Toninho.

“Este é o caminho. Só a unidade dos trabalhadores, da juventude e do povo pobre pode oferecer uma alternativa neste país. No dia 18 de setembro do ano passado e neste 1° de abril mostramos que é possível construir uma mobilização independente, classista e de luta. Dia 1º de Maio, vamos voltar às ruas pelo Fora Todos, por eleições gerais e por um governo socialista dos trabalhadores. Vai ser maior”, afirmou.