27 de fevereiro de 2018

Eleição do Sindicato dos Metalúrgicos de São José tem início e agita cenário político

27/2/2018 - Teve início na madrugada desta terça-feira (27), a eleição que vai definir a próxima diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e região. A votação se encerra na noite de quarta-feira (28). Ao longo dos dois dias, 50 urnas irão recolher os votos nas fábricas da categoria, na sede e subsedes do Sindicato.

Duas chapas disputam o pleito. A Chapa 1 é a chapa da CSP-Conlutas, que representa a atual diretoria, e Chapa 2, da CUT, de oposição.

Os rumos de um dos principais sindicatos do país
Com uma tradição combativa e classista, o Sindicato dos Metalúrgicos de São José é um dos principais do país. A categoria é conhecida pelas fortes lutas travadas ao longo de sua história, sempre com independência de governos e patrões.

A entidade teve papel de destaque nas lutas contra os ataques dos governos, sejam os do PSDB, PT ou PMDB, sempre em defesa dos direitos dos trabalhadores. Notadamente, no último período, os metalúrgicos de São José e região foram linha de frente da luta contra as reformas do governo Temer.

A entidade foi também a primeira a romper com a CUT, em 2004, por não aceitar o atrelamento da central cutista ao governo petista e seu abandono da luta independente em defesa dos trabalhadores.

Mesmo antes do início do processo eleitoral, a eleição mexeu com a região. Prefeitos ligados ao PSDB, em São José e Jacareí, vereadores e empresários se articulam para tentar tirar o Sindicato das mãos da atual diretoria, ligada à CSP-Conlutas. Para eles o sindicato precisa ser mais “moderno” e “flexível”, ou em outras palavras, aceitar abrir mão e rifar os direitos dos trabalhadores. O discurso foi adotado pela chapa de oposição ligada à CUT.

O jornal regional O Vale trouxe matérias sobre essa tentativa de influenciar as eleições dos trabalhadores e, nesta terça (27), nova matéria revela que o pleito está sendo acompanhado de perto por empresários e políticos, tendo ocorrido encontros no gabinete do prefeito de São José para discutir o tema.

Tirem as mãos do Sindicato dos trabalhadores!
A Chapa 1 repudia a tentativa da patronal influenciar o processo eleitoral da categoria. “Governos e patrões querem retirar a atual diretoria, ligada à CSP-Conlutas, do Sindicato pois sabem que não temos rabo preso com governo e patrões e nosso único compromisso com a defesa dos trabalhadores. Aqui não tem conchavo com patrão para rifar os direitos dos metalúrgicos”, afirma Weller Gonçalves, atual diretor e candidato da Chapa 1 a presidente.

“Ao longo da campanha recebemos o apoio de muitos trabalhadores e pesquisas mostram que a Chapa 1 é a preferida na categoria. Os metalúrgicos e metalúrgicas vão dar uma resposta com a vitória da nossa chapa”, disse.

Para Toninho Ferreira, presidente do PSTU de São José dos Campos, que também já foi presidente do Sindicato, a eleição em curso coloca em debate na categoria dois projetos opostos para o próximo período.

“A Chapa 1 representa a tradição combativa e independente dos governos e patrões da categoria. Aponta a necessidade de manter o Sindicato no caminho das lutas para combater a implementação da Reforma Trabalhista, a ampliação da terceirização e lutar contra a Reforma da Previdência. Defende também a construção de uma Greve Geral para derrotar Temer e os corruptos do Congresso. É a chapa que tem condições de manter o Sindicato como um instrumento para as lutas dos trabalhadores”, defende.

A apuração acontece na quinta-feira (1º), no Grupo Nova Era (Av. Vinte e Três de Maio, 950, Vila Maria).