9 de março de 2017

Artigo: 8 de março contra a violência e por direitos. Por Janaína dos Reis (MML)

8/3/2017 - Por Janaína dos Reis
Em uma ação sem precedentes, este ano, o Dia Internacional de Luta das Mulheres Trabalhadoras foi convocado por mulheres de mais de 30 países, como um dia mundial de greves, paralisações e protestos. Neste dia 8 de março iremos às ruas para combater o machismo, a violência e a retirada de direitos que afetam as mulheres da classe trabalhadora em todo o mundo.

É nossa resposta à violência machista que ainda mata uma mulher a cada dez minutos no mundo, segundo dados da ONU (Organização das Nações Unidas), e aos ataques aos direitos que estamos sofrendo em vários países.

As mulheres, principalmente as negras, são as que mais sofrem com a crise capitalista e os planos de ajuste fiscal que os governos estão impondo à classe trabalhadora para garantir os lucros de bancos e grandes empresas. Somos nós as primeiras a sentir o desemprego, a carestia, a piora nos serviços públicos, a violência doméstica e o genocídio existente nas periferias.

Temos assistido um forte ascenso das lutas da classe trabalhadora em todo o mundo, com o protagonismo das mulheres. Os exemplos são muitos, como as massivas manifestações “Ni Uma Menos”, que se iniciaram em 2015 na Argentina contra casos de feminicídio, a greve de mulheres na Polônia contra as mudanças na legislação do aborto, as mobilizações pela igualdade salarial na Islândia, por direitos reprodutivos na Coréia do Sul, bem como a marcha das mulheres nos Estados Unidos contra Donald Trump.

No Brasil, o cenário é semelhante. Desde 2013 assistimos um aumento das lutas em defesa dos direitos democráticos das mulheres e de outros setores oprimidos, como as manifestações pelo “Fora Feliciano”, contra o PL 5069, pelo “Fora Cunha” e as mobilizações contra a cultura do estupro. Ou ainda a recente participação ativa das mulheres familiares dos soldados da PM em frente aos quartéis em greve.

À luta contra o machismo e à violência, se soma também outro forte motivo para tomarmos as ruas: a reforma da Previdência que Temer quer empurrar goela abaixo dos trabalhadores e que representa um retrocesso histórico. Este 8 de março também será o momento de fortalecer a mobilização rumo à construção de uma Greve Geral no país para barrar os ataques desse governo corrupto.

Na prática a reforma da previdência significará o fim do direito à aposentadoria, afetando principalmente as mulheres. A proposta do governo é aumentar a idade mínima pra se aposentar para 65 anos tanto para homens, como para mulheres, e exigir 49 anos de contribuição para ter direito ao benefício integral. Ao igualar as regras de acesso, Temer prejudica ainda mais as trabalhadoras, muito mais sujeitas às desigualdades no mercado de trabalho, ao desemprego, sem falar na dupla jornada.
Estimativas apontam que, com essas regras, uma trabalhadora teria condições de se aposentar aos 84 anos!

Neste dia 8 estaremos nas ruas, mulheres e homens da classe trabalhadora, por que esta é uma luta de todos os explorados. Vamos parar e lutar contra o machismo, a violência e toda forma de opressão que usam para nos dividir e explorar. Vamos parar e lutar contra as reformas da Previdência e Trabalhista que ameaçam acabar com a aposentadoria e nossos direitos. Vamos dizer bem alto que não vamos aceitar nem uma a menos e nenhum direito a menos!






Janaína dos Reis é dirigente da Executiva Nacional do MML (Movimento Mulheres em Luta) e da direção do PSTU de São José dos Campos







Artigo publicado no jornal O Vale, de 8/3/2017