16 de fevereiro de 2017

Revap demite e cria clima de terror para avançar na privatização

16/2/2017 - Um verdadeiro clima de terror está se instalando na Revap, a refinaria da Petrobrás em São José dos Campos, elevando a tensão entre os funcionários e, com isso, os riscos de acidentes. Nos últimos dias foram emitidas várias punições (sanções disciplinares, advertências e suspensões), que culminaram em demissões, fruto das “novas” exigências de segurança que seriam parte da “Política de Tratamento de Conduta em SMS” e do “Sistema de Consequências” da empresa. Contudo, as “novas” exigências não estão contribuindo com a melhoria das nossas condições de segurança, tampouco com a diminuição do número de acidentes e emergências.

Lamentavelmente, essas punições não foram aplicadas aos responsáveis pelas recentes ocorrências, que gerou duas paradas totais da refinaria nos últimos dois meses e que geraram mais de R$ 1,5 milhão em multas, além dos graves riscos aos trabalhadores e à comunidade. Tampouco foram dadas aos responsáveis pela falta de manutenção e inspeção em equipamentos críticos, que acarretaram vazamentos de produtos inflamáveis e gases tóxicos como o gás sulfídrico (que matou 10 pessoas na REVAP em 1981). Muitos menos foram dadas aos envolvidos em casos de corrupção, recentemente denunciados na operação Lava Jato.

Ao contrário do que poderiam pensar os bem-intencionados, nenhum dos casos acima rendeu qualquer punição aos responsáveis, que são aqueles que gerenciam a empresa e que vêm aplicando à risca os planos de privatização e sucateamento da Petrobras, .

Os punidos são trabalhadores comuns do chão de fábrica que estão submetidos às piores condições de trabalho que se possa imaginar: jornadas excessivas, pressão das chefias e péssimas condições de segurança. O motivo alegado para algumas punições chega ao absurdo de um botão de camisa que não foi fechado ou da falta de uma das mãos em um corrimão de escada.

Estas punições são uma verdadeira cortina de fumaça para acobertar as verdadeiras causas da situação de insegurança que trabalhadores e comunidade estão submetidos: o sucateamento da refinaria e o avanço do processo de privatização da Petrobras.

Precisamos dar uma resposta à altura para reverter esses absurdos. É necessário que a indignação que os trabalhadores estão sentindo se transforme em luta e mobilização.

Chamamos todos os sindicatos que representam os trabalhadores da REVAP a se unirem para lutar contra o clima de terror que está sendo instaurado para facilitar os ataques de que somos vítimas. É necessário que toda a sociedade e os trabalhadores de outras categorias saibam e se somem à essa luta.

Precisamos barrar os ataques e punições contra os trabalhadores. Precisamos de melhores condições de segurança para os trabalhadores e para a comunidade. Precisamos barrar a privatização da Petrobras.

Acesse: Petroleiros de Luta SJC