6 de dezembro de 2016

Artigo: "Pinheirinho dos Palmares: a conquista de uma luta"

06/12/2016 - Por Toninho Ferreira
Há pouco mais de 12 anos começava a luta por um sonho, a luta por um direito. Em fevereiro de 2004, famílias sem-teto ocuparam uma área conhecida como Pinheirinho, na região sul de São José dos Campos, e deram início a uma história, marcada por muita mobilização, resistência, sacrifícios e esperança.

Hoje, essa história está prestes a ter mais um capítulo. As famílias brutalmente despejadas de suas casas em 2012 vão ter um teto para morar. O conjunto Pinheirinho dos Palmares, na região do Putim, tem previsão para ser entregue ainda no mês de dezembro. Esperamos que efetivamente seja entregue, pois já foi adiado várias vezes.

Sem dúvida, essa é uma vitória. Uma grande conquista, que só foi possível em razão da forte luta e organização protagonizadas pelas famílias do Pinheirinho desde o início da ocupação e que nunca parou, mesmo após a trágica desocupação, patrocinada pelos governos do PSDB, de Geraldo Alckmin e Eduardo Cury, em 2012.

A luta do Pinheirinho ganhou repercussão internacional e não foi à toa. Quem viveu e acompanhou o Pinheirinho tem gravado na memória do que é capaz a luta do povo.

Reuniões e assembleias discutiam toda a organização da ocupação; os acessos à água e à energia elétrica só vieram após muitas manifestações; uma “norma” na ocupação não permitia qualquer violência contra as mulheres; por vários anos, mobilizações impediram ordens de despejo; houve manifestações, inclusive, contra o aumento de salários de vereadores e no preço das passagens de ônibus. Desde a organização, que permitiu a construção de um bairro consolidado com cerca de 8.000 pessoas durante os oitos anos em que a ocupação existiu, passando pelas grandes mobilizações realizadas, as batalhas jurídicas travadas e a resistência após a desocupação, o Pinheirinho tornou-se um símbolo da luta por moradia.

A entrega do conjunto Pinheirinho dos Palmares é a concretização dessa luta. O PSTU e o movimento sindical, com destaque para o Sindicato dos Metalúrgicos, fazem parte dessa história e temos orgulho disso. Mas é preciso saber que ela não acaba aqui.

Quatro anos depois da desocupação, o conjunto habitacional, será entregue incompleto. Uma demonstração do desleixo dos governantes tanto do PT como do PSDB, quando se trata de ter política para o povo pobre. Depois de vários adiamentos desde a previsão inicial de entrega ainda em 2015, parte fundamental da infraestrutura, como creches, escolas, posto de saúde, áreas de lazer e comercial, não foi construída, o que vai causar muitas dificuldades às famílias, tanto do Pinheirinho, como dos bairros do entorno.

Os governantes não cumpriram o combinado e que não venham colocar a culpa no povo depois.
Ironicamente, será o governo de Felício Ramuth que terá de resolver os problemas sociais que essa falta de infraestrutura irá causar. Esperamos que o PSDB, que sempre se portou como inimigo das famílias do Pinheirinho, não haja com a mesma insensibilidade social, descaso e truculência como ocorreu no governo Cury.

As famílias do Pinheirinho ousaram desafiar os poderosos ao ocupar uma área improdutiva, do megaespeculador Naji Nahas, que continua abandonada até hoje, mostrando que o direito à vida vem antes do direito à propriedade. Essa lição nunca será esquecida.

Moradia e viver em condições dignas são direitos garantidos como preceitos fundamentais na Constituição brasileira e, enquanto os governos não respeitarem isso, nossa luta continua.

Por Toninho Ferreira, presidente do PSTU SJCampos, suplente de deputado federal
Artigo publicado no jornal O Vale, de 6 de dezembro de 2016