20 de maio de 2016

Pedro Parente, ex-ministro de FHC e alvo da Justiça, é o novo presidente da Petrobrás

20/5/2016 - O governo interino de Michel Temer segue montando seus ministérios e as direções de bancos e empresas públicas com “a mais fina flor da burguesia”. Depois de reunir no primeiro escalão, nada menos que sete ministros alvos de inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), incluindo a Lava Jato, nesta quinta-feira foi anunciado o presidente da principal estatal brasileira, a Petrobrás. Trata-se de Pedro Parente.

Ex-ministro de FHC, um dos governos mais privatistas da história, Parente é alvo da Justiça por despejar dinheiro público a bancos privados, através do antigo Proer (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional).

Engenheiro formado pela Universidade de Brasília (UnB), Parente foi três vezes ministro no governo Fernando Henrique Cardoso, comandando o Planejamento, Minas e Energia e a Casa Civil. Passou a atuar no setor privado e foi presidente da Bunge Brasil e da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (ÚNICA). Atualmente, ocupa a presidência do Conselho de Administração da BM&F Bovespa, mandato para o qual foi eleito em março do ano passado.
 
Além de ministro de FHC com o nome sujo na Justiça por beneficiar bancos privados, Parente foi um dos principais defensores de Henri Reichstul, ex-presidente da Petrobrás (1999 a 2001), quando este teve um dos seus períodos mais sombrios como presidente da Petrobrás, em 2001. Para quem não se lembra, Reichstul foi o pai da famigerada tentativa de alteração do nome da Petrobrás para Petrobrax, símbolo da tentativa de privatização da companhia.

Foi também durante sua gestão que a empresa viveu dois dos seus episódios mais trágicos da história: o acidente da P-36 na Bacia de Campos, que resultou na morte de 11 trabalhadores, em março de 2001, e o vazamento de 1,3 milhão de litros de óleo na Baía de Guanabara, em 2000. Na época do acidente da P-36, pressionado pelo movimento sindical e até mesmo pela classe política, Reichstul estava com a cabeça a prêmio e teve como um dos seus principais aliados e defensores justamente Pedro Parente, na época conselheiro diretor remunerado da Petrobrás.

Privatização sob o véu de uma “gestão profissional”
Em palestras ministradas por ele, não foram poucas vezes em que criticou a "ineficiência do Estado" e a "inatividade do funcionalismo", assim como não foram poucas vezes que defendeu o estabelecimento de metas rígidas, argumentos que sabemos serem utilizados por todos aqueles que defendem o Estado mínimo e o “deus mercado”.

Privatização que, lembremos, já está em curso desde o governo Dilma com a venda de ativos, a terceirização, a manutenção dos leilões de petróleo e o recente projeto de lei que aprofunda ainda mais a entrega do pré-sal ao estrangeiro ao tirar a exclusividade de operação da Petrobrás sobre o pré-sal, assim como sua participação (obrigatória) de ao menos 30% nos campos de exploração.

A estratégia de Temer, neste caso, é diferente daquela adotada por Dilma quando nomeou Aldemir Bendine como presidente. Ao menos na aparência. Por ter sido muitos anos atrás funcionário de carreira do Banco do Brasil, Bendine teve sua chegada celebrada por alguns setores do movimento sindical. Na época, chegou-se a afirmar que ele fortaleceria o caráter nacional da empresa.

Grande engano. Foi pelas mãos de Bendine que o governo implantou na Petrobrás a política de desinvestimentos, iniciando uma triste temporada de venda de ativos e tentativas de retirada de direitos, que levou a categoria a responder com uma das maiores greves de sua história – certamente a maior desde 1995. Foram 23 dias de greve contra o desinvestimento e os ataques aos nossos direitos.

Agora, sem cerimônia, Temer irá tentar impor para a Petrobrás não apenas a manutenção de todos os ataques iniciados no último governo, mas se possível aprofundá-los. Em todas as entrevistas dos ministros nomeados por ele, ficou nítida a intenção de agradar ao mercado com fortes ataques aos direitos da classe e ao patrimônio púbico do país.

O que fica de lição dos ataques que a categoria já vem enfrentando, e daqueles que certamente Temer tentará aplicar com ainda mais força, é a necessidade de enfrentar qualquer governo que insista em entregar o pré-sal e privatizar a Petrobrás.

Não importa a forma como os ataques são desferidos, não importa se a tentativa de privatizar a empresa é a conta-gotas ou numa tacada só. Em qualquer uma das alternativas, é preciso lutar. O que está em jogo não são apenas nossos direitos e empregos, são os maiores patrimônios deste país: o pré-sal e a Petrobrás.

Informações: Sindipetro-LP