2 de maio de 2016

Machista: deputado Flavinho (PSB) diz que “mulher de verdade” quer “somente ser cuidada e amada”

O deputado Flavinho, do PSB (na fila da frente, o 3° da esq. para a dir.)
2/5/2016 - Nós, do PSTU, repudiamos veementemente a declaração machista feita pelo deputado federal do Vale do Paraíba conhecido como Flavinho (PSB).

No mesmo dia em que o corrupto presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), mais uma vez, utilizou de manobras para criar uma Comissão da Mulher, cujo funcionamento não atende as reivindicações dos movimentos de mulheres e sequer tinha acordo por parte da bancada feminina, Flavinho também deu sua contribuição à ofensiva machista.

Em discurso no plenário, o deputado disse que mulheres não precisam de empoderamento, no sentido de que não precisam ter direitos iguais e suas reivindicações atendidas. “Precisam ser amadas e cuidadas”, disse.

"As mulheres, que estão lá fora e não são feministas como muitas aqui, as mulheres de verdade que estão lá fora, ralando para sobreviver, não querem empoderamento, elas querem ser amadas, elas querem ser cuidadas, elas querem ser respeitadas. Quem quer ser empoderada são as feministas”, disparou.

“Não venham me dizer que nós homens não entendemos de mulher; entendemos, sim. É que as senhoras, muitas vezes, não entendem o que é ser amada e acham que essas mulheres também não querem ser amadas como as senhoras. Respeitem as mulheres do Brasil que querem ser mães, que querem ser amadas e respeitadas", discursou.

A fala do deputado tem um claro conteúdo machista, que remonta ao século 18, a exemplo da polêmica e absurda capa “Bela, recatada e do lar”, da revista Veja semanas atrás. Ou seja, mulher é para ficar em casa, submissa, só que ser “amada”. Exigir direitos é coisa de feministas mal amadas. Um absurdo!

Integrante da chamada Bancada da Bíblia, não é a primeira vez que este deputado evangélico faz declarações e tem iniciativas contra as mulheres e LGBTs. No ano passado, Flavinho publicou um artigo infundado e preconceituoso contra a inclusão nos planos municipais de educação de políticas que discutam a questão de identidade de gênero, principalmente no que se refere ao combate à homofobia.

É inadmissível que um parlamentar utilize seu mandato para propagar ideologias machistas e de desrespeito às mulheres. O Estado e suas instituições deve ser laico, ou seja, sem tomar posição religiosa alguma, muito menos posições que levem à opressão e discriminação.

Mas esse é o retrato do Congresso atual: reacionário, atrelado à empreiteiras, banqueiros e grandes empresários e que só faz atacar os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, principalmente contra mulheres, negros e LGBTs, o que só reforça a necessidade da luta para por todos esses picaretas para fora. Fora Todos! Eleições Gerais já! Por um governo socialista dos trabalhadores!

Janaína dos Reis, da direção nacional do Movimento Mulheres em Luta e militante do PSTU

OBS: Vale ressaltar que discordamos do teor machista da fala do deputado, que entendemos ter inclusive usado o termo “empoderamento” de forma descontextualizada. Mas é importante ressaltar que não concordamos com a chamada “tese do empoderamento” existente em meios acadêmicos e em parte do movimento de mulheres, que defende que a saída para as mulheres combaterem o machismo é assumir cada vez mais postos de poder e cargos de direção, um meio de “empoderar” as mulheres. Para nós, o poder não é uma disputa de gênero, mas de classe. Não se trata apenas de ocupar cargos de direção. Trata-se de uma luta da classe trabalhadora, homens e mulheres, para derrotar o capitalismo e a burguesia, que exploram e oprimem em nome do lucro.