4 de abril de 2016

Repúdio à desocupação da Mabe, de Campinas: toda solidariedade aos trabalhadores!

4/4/2016 - O PSTU de São José dos Campos vem expressar total repúdio à ação policial realizada neste domingo, dia 3, para a reintegração de posse da Mabe, em Hortolândia. A fábrica, que teve a falência decretada pela justiça, estava ocupada desde o dia 15 de fevereiro.

A ação foi marcada pela truculência por parte da polícia. Segundo informações do Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas, a PM invadiu a fábrica pelos fundos e usou até helicópteros para que policiais descessem de rapel. Os trabalhadores foram arrancados da fábrica e tiveram de deixar todos os
PM jogou bombas de gás lacrimogêneo sobre trabalhadores
seus pertences para trás.

A Oficial de Justiça, de maneira totalmente arbitrária, impediu o Sindicato de acompanhar o ato de reintegração como forma de impedir abusos e violência contra os trabalhadores. Um advogado do Sindicato, ao tentar dialogar com a oficial, foi atingido no rosto por um jato de gás de pimenta jogado pela PM.

A massa falida colocou cerca de 50 seguranças privados dentro da fábrica. No local, além dos pertences dos trabalhadores, ficaram alimentos e leites recebidos de doações, que seriam entregues a gestantes de Hortolândia.

Todo apoio aos trabalhadores!
É inadmissível tamanha truculência e desrespeito aos direitos dos trabalhadores que nada mais fazem do que lutar por um direito.

A Justiça e a PM agiram para garantir a reintegração de posse, mas não fazem o mesmo para obrigar a empresa a pagar o que deve. Como sempre, o aparato repressor do Estado e a Justiça estão a serviço de garantir os interesses dos poderosos acima de tudo.

A Mabe é uma multinacional mexicana, fabricante de fogões e geladeiras da marca Dako e Continental, que decretou falência no mês de fevereiro e demitiu 1.800 funcionários, sem pagar salários e direitos trabalhistas, numa dívida de aproximadamente R$ 19 milhões. Desde o dia 22 de dezembro, os metalúrgicos acampavam em frente às unidades da empresa em Campinas e Hortolândia, em protesto aos salários atrasados.

Numa demonstração da cara de pau e ganância sem limites da multinacional, os planos da empresa é dar o calote nos trabalhadores com a falência, mas retomar a produção com um novo CNPJ, como uma nova empresa, sem recontratar ninguém e com salários mais baixos.

Nesta segunda-feira, um ato de solidariedade aos trabalhadores e repúdio à reintegração ocorreu em Hortolândia. Uma delegação do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e da CSP-Conlutas participou da atividade. Neste momento, é preciso cercar de toda a solidariedade e apoio a luta dos trabalhadores da Mabe.

 “A Mabe quer fazer o mesmo que a Sun Tech tenta fazer aqui em São José dos Campos. Dar o calote e continuar funcionando sob outro CNPJ. Um absurdo. A luta dos trabalhadores da Mabe é mais do que justa e merece todo nosso apoio. Diante da atual crise, em que patrões e governo, jogam a conta para os trabalhadores, como demissões e ataques, o caminho é a luta. Temos de ocupar as fábricas e garantir o funcionamento sob controle dos trabalhadores”, afirma o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e militante do PSTU, Célio Dias, o Celião.