28 de abril de 2016

No dia mundial contra acidentes no trabalho, ato na Heineken lembra morte de quatro trabalhadores

28/4/2016 - Nesta quinta-feira, dia 28 de abril, data mundial de luta contra acidentes e mortes no trabalho, um ato na cervejaria Heineken, em Jacareí, lembrou a morte de quatro trabalhadores na fábrica há exatamente três meses. Foi um ato em homenagem aos operários mortos após a explosão de uma caldeira e também às milhares de vítimas de acidentes de trabalho no Brasil e no mundo.

Organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação do Vale do Paraíba, CSP-Conlutas e Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, a mobilização reuniu cerca de 150 pessoas, entre trabalhadores, cipeiros e dirigentes sindicais de várias categorias, que cobraram da Heineken explicações sobre a causa do acidente.

Durante o ato, os trabalhadores seguraram cartazes com os nomes das vítimas da explosão e cobraram melhores condições de segurança, contratação de funcionários e fim da terceirização.

“Já se passaram três meses e, até agora, a empresa não deu nenhuma explicação para a perda da vida destes trabalhadores. Enquanto isso, as condições inseguras persistem na fábrica, com caldeiras velhas e recauchutadas em operação”, afirmou Luciano Antônio, diretor do Sindicato da Alimentação.

Apenas este ano, sete trabalhadores morreram em acidentes na região, dentre eles, cinco eram terceirizados. Na Fibria, também em Jacareí, um trabalhador morreu em razão do vazamento de resíduos de celulose.

Em todo o mundo, segundo estimativas da OIT (Organização Internacional do Trabalho), morrem cerca de 2 milhões de trabalhadores por ano vítimas de acidentes e doenças do trabalho.

“Não dá para aceitar tragédias como essas, muito menos considerar como se fossem fatos inevitáveis. A realidade na maioria das empresas é de condições inseguras de trabalho, com cortes de custos que afetam a saúde e segurança dos trabalhadores”, afirma Toninho Ferreira, presidente do PSTU de São José dos Campos e suplente de deputado federal, que esteve presente.

“A nossa luta é para que as empresas e o poder público, que têm obrigação de zelar pela vida dos trabalhadores, garantam condições seguras de trabalho. Mas, acima de tudo, nossa luta é pelo fim do capitalismo, esse sistema que trata a vida de um trabalhador apenas como uma peça que estraga e pode ser substituída”, afirmou.




Explosão
Em 28 de janeiro deste ano, uma das caldeiras da Heineken explodiu enquanto trabalhadores terceirizados realizavam reparos. Ao invés de trocar a caldeira antiga por uma nova, a fábrica adaptou o equipamento.

Mesmo com a tragédia, a empresa continua a adotar esse procedimento, visto que novos reparos continuam sendo realizados em caldeiras já obsoletas. Até o momento, ainda não foi emitido qualquer laudo que esclareça as causas do acidente.