15 de janeiro de 2016

A reforma da Previdência e os ataques que estão sendo preparados pelo governo Dilma para 2016

15/1/2016 - Agora veio da boca da própria Dilma. Após o recém-empossado ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, e do ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, terem afirmado que a reforma da Previdência seria prioridade do governo no próximo período para a implementação do duro ajuste fiscal, foi a vez da presidente Dilma oficializar esse objetivo do governo.

A afirmação ocorreu na entrevista coletiva realizada durante café da manhã com jornalista na quinta, 7, em Brasília.

"Vamos ter que encarar a reforma da Previdência", disse Dilma.  "Não é possível que a idade média de aposentadoria no Brasil seja 55 anos", reafirmou. A presidente defendeu o estabelecimento da idade mínima para a aposentadoria ou a fórmula 85/95 "progressiva". Dilma não só defendeu a medida, como conclamou a oposição a apoiar mais esse ataque aos trabalhadores brasileiros. "A responsabilidade também é da oposição em encaminhar de um jeito do quanto pior melhor, que tem sido a característica no último ano, ou ter uma atitude construtiva com o país", afirmou.

Reafirmando a prioridade absoluta do governo no ajuste fiscal, Dilma definiu três objetivos principais para o governo, além da reforma da Previdência: ampliar os cortes, aumentar impostos principalmente através da CPMF, e o leilão de aeroportos, portos, ferrovias e hidrelétricas. Defendeu ainda a permanência da DRU (Desvinculação das Receitas da União), mecanismo que permite ao governo redirecionar 20% do orçamento para o pagamento da dívida.

Tudo para garantir o superávit primário de 0,5% definido para 2016. O superávit é o dinheiro “economizado” pelo governo para pagar os juros da dívida aos banqueiros, ou seja, recursos desviados de áreas como saúde e educação que vão direto para os bolsos de meia dúzia de banqueiros internacionais. Dilma deixou claro que não economizará esforços para isso.

Sobre a suposta "guinada à esquerda" defendida por setores ligados ao PT e ao governo, Dilma chegou a fazer graça: "Olha, para mim não falaram isso". Respondendo sobre a nota do presidente do PT criticando a política econômica do governo, disse, em tom de galhofa, que "todo mundo pode soltar nota, eu também solto".

Levy saiu, mas ajuste ficou
O anúncio de Dilma sobre uma nova reforma da Previdência e do aprofundamento do ajuste fiscal prova de uma vez por todas que a política econômica recessiva e de ataques sistemáticos aos direitos dos trabalhadores não era obra do ex-ministro da Fazenda, Joaquin Levy, mas do próprio governo Dilma. Mostra ainda que a tese da "guinada à esquerda" do governo com a saída de Levy não passa disso que Dilma fez ao comentá-la: uma piada.

O governo prepara um pacote de ataques para 2016, que tem a reforma da Previdência como ponta de lança, mas que vai muito além disso. Trata-se de um verdadeiro plano de austeridade a exemplo dos planos aplicados na Europa e que tem como único objetivo jogar os custos da crise nas costas dos trabalhadores.

Fora todos eles
Se Dilma fica, enfrentaremos um duro ajuste fiscal, o aumento galopante do desemprego e um ataque sem precedentes aos nossos direitos previdenciários. Se Dilma sai, mas entra Temer ou Aécio, o problema continua o mesmo. A única forma de derrotar essa política do governo Dilma, que é a política da burguesia e do imperialismo em nosso país, é botando para fora Dilma e as alternativas que nada representam de novo, como Temer ou Aécio.

É preciso, na luta, construir uma alternativa dos trabalhadores que dê uma saída à crise que faça com que os ricos paguem por ela. Neste sentido, ganha cada vez mais importância a plenária convocada pelo Espaço Unidade de Ação para o próximo dia 22 de janeiro, em São Paulo, que discutirá o fortalecimento de um pólo dos trabalhadores à crise, a esse governo e ao PSDB e PMDB.

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