8 de outubro de 2015

Metalúrgicos enfrentam arrocho salarial imposto por patrões e governo

8/10/2015 - É com luta que os metalúrgicos de São José dos Campos e região estão respondendo às tentativas dos patrões e do governo de arrochar ainda mais os salários e retirar direitos. A campanha salarial da categoria se intensificou nos últimos dias com paralisações de advertência e muitas assembleias nas fábricas.

E não é pra menos. A exemplo do que vem ocorrendo em várias outras categorias país afora, os empresários insistem em apresentar propostas rebaixadas, que não cobrem sequer a inflação do período, que para metalúrgicos é de 9,88% (setembro de 2014 a agosto de 2015).

Já os metalúrgicos, diante da alta da inflação e do endividamento, pedem reajustes que vão de 13,59% e 15,81%.

Além de propostas rebaixadas, as empresas ainda querem dividir em duas vezes o reajuste pela inflação, a exemplo de empresas do setor eletroeletrônico, trefilação, laminação, refrigeração e máquinas (7,88% em setembro, mais 2% em fevereiro). Nas fábricas de autopeças a proposta é de apenas 8%.

No setor aeronáutico, a proposta é ainda pior. A Embraer, que lidera o setor e bateu recordes de vendas, quer dar apenas 7,4% de reajuste aos trabalhadores. Uma proposta infame diante do crescimento 32,14% nos lucros da empresa no segundo trimestre deste ano (R$ 380 milhões) e do recorde histórico no número de pedidos de aeronaves (US$ 22 bilhões).

Greves
Apesar das dificuldades nas negociações, os metalúrgicos demonstram que não vão abaixar a cabeça. Com greves de 24 horas, os trabalhadores já pararam três fábricas da região em uma semana.
Até o momento, as paralisações ocorreram na Eaton e Hitachi, em São José dos Campos, na Armco, em Jacareí. Os metalúrgicos prometem novas greves nos próximos dias caso propostas melhores não sejam apresentadas.

De sua parte, os patrões se utilizam de todo tipo de chantagem e recorrem até mesmo ao uso da força policial para tentar conter o direito de luta dos trabalhadores. Na última semana, a greve na Eaton fez uso de um aparato totalmente desproporcional da Polícia Militar para reprimir a mobilização, com dezessete viaturas e até um helicóptero Águia.

Os policiais agrediram ativistas e diretores do Sindicato com cassetetes e gás de pimenta. O presidente do Sindicato, Antônio Ferreira de Barros, o Macapá, chegou a ser imobilizado e algemado pelos PMs. Apesar da ação injustificável da polícia, os metalúrgicos mantiveram greve até o fim.

Luta contra o governo
Contudo, a luta da Campanha Salarial não é apenas contra os empresários. O governo Dilma também está na mira dos trabalhadores, que estão sendo duramente penalizados pelo ajuste fiscal, retirada de direitos, alta da inflação e demissões.

Até o final de seu mandato, Dilma deixará de cobrar R$ 458 bilhões em impostos das empresas, com medidas como a redução do IPI e a desoneração da folha de pagamento. Todo esse dinheiro beneficiou exclusivamente as empresas, que aumentaram seus lucros e agora usam do argumento da crise para promover mais reestruturação produtiva, demitindo e reduzindo salários e direitos.

Unificar as lutas
Outras duas importantes categorias, petroleiros e bancários, também estão em campanha salarial.

Bancários entraram em greve nacional no último dia 6 e estão enfrentando a ganância dos banqueiros (os que estão obtendo lucros bilionários em meio à crise). Reivindicam 16% e os bancos tiveram a cara de pau de propor 5,5%.

Os petroleiros também estão em luta. Desde o último dia 24 de setembro, os sindicatos da base da FNP (Federação Nacional dos Petroleiros) têm realizado paralisações, atrasos e atos.

A categoria tem se mobilizado pela campanha salarial, na qual a Petrobras/governo Dilma apresentou proposta que sequer repõe a inflação e traz várias retiradas de direitos, mas também lutam contra a política de cortes de investimentos e privatização que o governo Dilma (PT) está promovendo.

Vergonhosamente, a CUT, segue rebaixando as campanhas salariais das categorias. Em metalúrgicos, por exemplo, sem lutar, está aceitando índices menores que a inflação e dividido em parcelas. Em petroleiros, a FUP (Federação Única dos Petroleiros), ligada à central cutista, também se nega a mobilizar e unificar a luta na categoria. Tudo para proteger o governo Dilma (PT) e defender os lucros dos patrões.

O PSTU reafirma o apoio a todas as lutas em curso. É preciso unificar todas as greves e mobilizações dos trabalhadores para a construção de uma grande greve geral que barre os ataques das empresas e, sobretudo, do governo Dilma, do PT, PMDB e a oposição de direita chefiada pelo PSDB.

Por Manuela Moraes