12 de agosto de 2015

Greve na GM contra demissões entra no terceiro dia. É preciso cercar esta luta de solidariedade e apoio!



12/8/2015 - A greve na GM de São José dos Campos continua. Pelo terceiro dia, os metalúrgicos aprovaram a continuidade da paralisação contra as demissões feitas pela montadora. Os trabalhadores reafirmaram que a greve segue por tempo indeterminado até que a empresa suspenda as demissões e inicie negociações com o Sindicato.

Nesta quarta-feira, dia 12, como há muito tempo não se via, familiares de trabalhadores demitidos, esposas e filhos(as) foram à assembleia na porta da fábrica. Uma das esposas de um metalúrgico demitido falou no caminhão do Sindicato e fez um chamado aos demais trabalhadores para também somarem suas famílias.

Minha família veio comigo para mostrarmos que estamos unidos nesta luta em defesa dos empregos. O que a GM fez é de uma covardia tremenda e uma demonstração de total falta de respeito às pessoas. É uma falta de ética e de respeito a valores básicos. Temos de nos unir e mostrar nossa força para anular as demissões”, disse o metalúrgico Pedro(*).

O sentimento dos trabalhadores é de frustação e indignação. Liguei para um colega no sábado para dar apoio depois de saber de sua demissão. Na segunda fiquei sabendo da minha, por que fui atrás me informar. Até ontem tinha gente sendo informado por whatsapp. Um absurdo o que a GM está fazendo e ela não está preocupada com os trabalhadores. Por isso, temos de lutar, pois é a única chance de reverter as demissões”, disse outro metalúrgico demitido, que também levou a companheira e os filhos.

O Sindicato marcou para a próxima sexta-feira, dia 14, uma nova assembleia, às 8 horas, na fábrica e indicou a realização de uma manifestação. O objetivo é engrossar a mobilização com ainda mais familiares e realizar
uma atividade pública para esclarecer a população sobre os ataques que a GM está fazendo.


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Exigir dos governos que intervenham para anular demissões
O Sindicato reuniu-se nesta terça-feira, dia 12, com o secretário estadual de Emprego e Relações de Trabalho, José Luiz Ribeiro, para discutir a situação dos trabalhadores. A entidade cobrou uma reunião com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e a intervenção do governo para reverter as demissões.

“Assim como o governo federal, o governo do estado também beneficia a indústria automotiva com programas de incentivos. O poder público não pode se omitir numa situação tão grave como esta. As empresas já têm benefícios demais. Agora é hora de o governo agir em defesa do trabalhador”, afirmou o presidente do Sindicato, Antônio Macapá.

Nesta quarta-feira, a reunião é com a Prefeitura de São José dos Campos.

Os governos Dilma (PT), Alckmin (PSDB) e Carlinhos (PT) foram fiadores da GM durante as negociações em 2013 que também discutiram demissões e investimentos. Todos os governos defendem medidas de incentivos e isenções às montadoras. É preciso exigir que cobrem a empresa e intervenham para anular as demissões e garantir os empregos.

O que a GM está fazendo é um terrorismo contra os trabalhadores e com toda a população. Até agora a empresa sequer informou o número oficial de demissões, que o Sindicato estima passar de 500. É preciso denunciar os ataques da montadora e esclarecer que esta multinacional quer aumentar a exploração no país a níveis chineses e não tem nenhum compromisso com a geração de empregos ou com a cidade”, afirmou Toninho Ferreira, presidente do PSTU de São José dos Campos e suplente de deputado federal.

Vamos cercar de solidariedade a greve na GM. Os sindicatos e movimentos populares de todo o país devem se manifestar em apoio aos companheiros, exigindo da empresa e das autoridades medidas concretas para reverter as demissões e para garantir o emprego. Só a luta pode reverter essa situação”, afirmou.

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