12 de maio de 2015

Cargos e verbas: o vale-tudo do governo Dilma para aprovar o ajuste fiscal

Renan e Eduardo Cunha, do PMDB: negociatas correndo soltas
12/5/2015 - Para garantir a qualquer custo a aprovação das Medidas Provisórias 664 e 665, o governo Dilma (PT) está “abrindo as torneiras” dos cofres públicos. As negociatas com os partidos da base aliada e até da oposição para distribuir cargos e liberar verbas estão correndo soltas, principalmente esta semana quando o governo pretende aprovar a MP 664 na Câmara e agilizar a votação da MP 665 no Senado.

Segundo reportagem do jornal O Globo, a articulação política do governo já negociou cerca de 150 posições na máquina federal. Com o mapa da votação da MP665 em mãos, o Palácio do Planalto desenvolveu uma fórmula pela qual estariam sendo definidas as indicações: tamanho da bancada e a fidelidade ao governo nas votações.

O PMDB, como sempre, é o mais “faminto” de todos. O partido que sem qualquer escrúpulo chantageou publicamente o PT, na semana passada, para a aprovação da Medida Provisória 665, que atacou o seguro-desemprego dos trabalhadores, tem sido beneficiado com cargos em vários escalões.

Segundo a reportagem, as Companhias Docas são as mais pedidas pelos aliados, e despertam o interesse direto do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do líder do PMDB, Leonardo Picciani (RJ). Além das Docas, os deputados da base aliada têm forte interesse pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), Fundação Nacional de Saúde (Funasa), delegacias de Agricultura e superintendências da Pesca.

Considerada a “joia da Coroa” até a Operação Lava-Jato, a Petrobras virou uma espécie de patinho feio nas atuais negociações. Segundo integrantes do governo, não houve pedidos para a estatal. O desinteresse se deveria às investigações pelas quais passa a empresa. Já os cargos no setor elétrico, que concentra empresas e agências importantes em volume de recursos e poder político, passarão diretamente por Dilma. Ela informou a Temer que irá participar de todas as decisões relacionadas à área.

Para garantir aos aliados que os cargos pedidos sairão, mesmo que as nomeações não sejam publicadas na próxima semana, antes da votação da próxima medida do ajuste fiscal, o governo começou a avisar que todas as indicações já foram encaminhadas à Casa Civil. Em seis estados — Pará, Santa Catarina, Goiás, Piauí, Sergipe e Tocantins — foram fechados acordos com os partidos da base para a liberação dos cargos.

Segundo um integrante do governo, o maior beneficiado é o PT, e o segundo, o PMDB, o que obedece a proporção das bancadas da Câmara. São Paulo e Rio de Janeiro são os estados em que há mais dificuldade para as nomeações, pela quantidade de deputados envolvidos e pela importância dos cargos.

O vice-presidente Michel Temer teria sido pessoalmente elogiado pela presidente Dilma Rousseff, que classificou o trabalho dele com as bancadas aliadas, e até mesmo aos partidos de oposição, como fundamental para a vitória da MP 665. Horas antes da votação do texto-base da MP 665, Temer almoçou com um grupo de deputados do DEM, acompanhado do prefeito de Salvador, ACM Neto, e conseguiu que eles votassem a favor do ajuste.

O presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB) atribuiu a vitória do governo à oposição. Na MP 665, votaram favoravelmente deputados do DEM, PV e PSB. "Os votos das oposições foram fundamentais para a aprovação da MP 665", disse o deputado ao jornal O Estado de S.Paulo.

Lamentavelmente, o fisiologismo, a troca de favores em favor de interesses privados, o famoso toma-lá-da-cá, é uma marca do governo do PT, assim como foi do governo do PSDB, PMDB e outros. É assim que os direitos dos trabalhadores brasileiros vão sendo rifados por esse governo traidor e pelo Congresso de picaretas”, criticou o presidente do PSTU de São José dos Campos e suplente de deputado federal, Toninho Ferreira.

Semana após semana temos assistido os ataques e as derrotas que o governo Dilma e o Congresso estão impondo aos direitos trabalhistas, com a aprovação desse famigerado ajuste fiscal. Por isso, os trabalhadores não podem titubear. Precisamos construir uma grande mobilização nacional no dia 29 e construir a Greve Geral”, afirmou Toninho.


Com informações UOL, Estadão e O Globo