4 de março de 2015

Seis motivos para cruzar os braços e ir às ruas no dia 6

04/03/2015 - 1  Tesourada nos nossos direitos



A maioria dos trabalhadores que votou em Dilma “contra a direita” está se sentindo traída. Isso porque as primeiras medidas tomadas pela presidente reeleita para enfrentar a crise econômica atacam, sobretudo, os setores mais explorados e pobres da classe trabalhadora. Medidas que a petista prometia não realizar na campanha eleitoral.
Entre elas está o aumentou do tempo de serviço para seis meses para que o trabalhador receba o abono salarial (PIS). Antes o trabalhador precisava trabalhar o mínimo de 30 dias. Além disso, o pagamento, que era de um salário mínimo, passa a ser proporcional ao tempo trabalhado. Dilma também aumentou o tempo mínimo de serviço para que o trabalhador possa receber o seguro-desemprego. Dos atuais seis para 18 meses. Essa medida afeta, sobretudo, a juventude pobre e negra. Eles vão ser obrigados a aceitar qualquer emprego e qualquer salário para voltar ao mercado de trabalho, o que vai rebaixar ainda mais os salários de todos os trabalhadores.
O governo também diminuiu pela metade a pensão por morte recebida pelas viúvas e atacou o auxílio-doença. Este benefício, que era de até 91% do salário, passa ser a média das 12 últimas contribuições. O corte no orçamento feito pelo governo é de mais R$ 65 bilhões este ano e vai afetar educação, saúde, reforma agrária, habitação etc.
Todas essas medidas mostram que Dilma (PT) joga a crise nas costas dos trabalhadores. Faz justamente aquilo que dizia que o PSDB faria caso ganhasse as eleições. Ataca os direitos dos mais pobres para garantir os lucros dos grandes empresários e banqueiros.
 Impedir novos ataques

A Câmara dos Deputados desarquivou um projeto que permite a terceirização em todas as atividades das empresas, do setor privado e público. O projeto também permite que uma empresa terceirizada possa subcontratar outra empresa em um processo sem fim e acaba com o vínculo entre a contratante e a terceirizada, deixando os trabalhadores terceirizados desprotegidos, por exemplo, em caso de um calote.
Além disso, o Ministro da Previdência Social, Carlos Gabas, disse que é preciso “retardar a aposentadoria” e defende o fim do Fator Previdenciário para adotar a fórmula 85 (mulheres)/95 (homens). Essa fórmula estabelece aposentadoria integral somente para quem soma do tempo de contribuição e idade atingir 95, no caso dos homens, e 85, para as mulheres. Na prática, aumenta o tempo de contribuição e impõe uma idade mínima.
3  Corte de verbas da saúde e educação

Só no ano passado, o governo gastou R$ 978 bilhões com juros e amortizações da dívida pública. Isso representa 45,11% de todo o orçamento efetivamente executado que foi dado aos banqueiros e especuladores da dívida. Essa quantia corresponde a 12 vezes o que foi destinado à Educação, 11 vezes aos gastos com Saúde, ou mais que o dobro dos gastos com a Previdência Social.
O ajuste fiscal de Dilma e os cortes no orçamento mostram que esse governo tem apenas um compromisso: manter os lucros dos banqueiros e empresários. Não foi por acaso que Dilma escolheu Joaquim Levy, ligado aos governos do PSDB, para pilotar o Ministério da Fazenda e o “ajuste fiscal”. É ele que está tesourando o dinheiro da saúde, educação e dos serviços sociais para engordar os bolsos de banqueiros e especuladores. 
4  Demissões e desemprego

As mesmas grandes empresas que se beneficiaram com bilhões em subsídios do governo e isenção de pagamento de imposto tentam agora demitir em massa, como a Volkswagen tentou fazer em São Bernardo ou a General Motors em São José dos Campos. Nas duas montadoras os operários entraram em greve e impediram as demissões.
 Muitas construtoras e terceirizadas das obras da Petrobras ou do PAC também realizam demissões em massa. De acordo com levantamento da Fenatracop (Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada), já são 20.116 trabalhadores das obras da Petrobras demitidos em todo o país. Contando com a família desses operários e dos trabalhadores em atividades terceirizadas, esse tsunami de demissões pode afetar diretamente a vida de 80 mil pessoas.
5  Corrupção

Escândalos de corrupção viraram uma rotina e atingem empreiteiras, o governo do PT, PMDB. A corrupção na Petrobras é consequência da privatização da petroleira. Hoje quem dá as cartas na empresa são os seus acionistas privados que abocanham a maior parte dos lucros da petroleira.
Ao chegar ao poder, o PT adotou o mesmo clientelismo e relações promíscuas com os grandes partidos e com as empresas e bancos. O governo Dilma também não fugiu à regra, loteando ministérios e cargos das estatais.
Na maior cara de pau, o PSDB tenta posar como defensor da honestidade. Mas ninguém esquece que, em oito anos de governo tucano, FHC foi um comprador descarado de votos para a emenda da reeleição. Também foi comandante das privatizações das estatais Vale do Rio Doce e Telebrás, uma das maiores negociatas envolvendo dinheiro público da história.  Ou seja, o PSDB é o sujo falando do mal lavado. Como diz o ditado a velha canção: “se gritar pegar ladrão, não fica um meu irmão”.
 6  Inflação e aumento das tarifas

O povo tem testemunhado um aumento generalizado do transporte, luz, água e dos alimentos. Prefeitos e governadores aproveitaram as férias para impor um aumento no transporte público muito acima da inflação. Em São Paulo, a passagem passou de R$ 3 para R$ 3,50 (mais na página 4), aumento de 16%, três vezes a inflação do último ano.
Já a energia teve um aumento gigantesco. A Agência Nacional de Energia Elétrica estima que neste ano a conta de luz vai aumentar 45% em média. Com o ajuste fiscal, o governo vai deixar de repassar subsídios às empresas privadas (R$18 bilhões só no ano passado) e esse dinheiro que elas embolsam, e no mais das vezes mandam para fora, agora sairá do nosso bolso.

Fonte: www.pstu.org.br