5 de janeiro de 2015

Diretoria da Petrobras deve ser imediatamente demitida e a nova direção eleita pelos trabalhadores

5/1/2015 - A presidente Dilma Rousseff afirmou no dia 22 de dezembro que não está "pretendendo alterar a diretoria da Petrobras", mas somente o seu Conselho de Administração. Defendeu a presidente da empresa, Graça Foster (foto), afirmando que sua demissão “não é necessária” e que as empreiteiras investigadas pela Operação Lava Jato devem ser punidas, mas não destruídas.

Esta postura é um absurdo, ainda mais depois que está mais do que provado que a diretoria e Graça Foster, em particular, tinham total conhecimento sobre irregularidades e superfaturamentos em contratos das empreiteiras com a estatal.

Por isso, toda a direção da empresa, com Graça Foster à frente, deve ser imediatamente demitida pelo governo de Dilma Rousseff e serem convocadas eleições diretas para a direção da empresa, feita entre os trabalhadores, com o objetivo de redirecionar o objetivo da estatal para beneficiar o patrimônio nacional e a população brasileira.

Além disso, todas as empreiteiras envolvidas nos processos de restituição devem ser estatizadas com seu patrimônio confiscado pelo Estado, de maneira a garantir a estabilidade no emprego de todos os seus funcionários e que estes passem a ser funcionários diretos da nova estatal, com todos os direitos e medidas de segurança do trabalho.

A única coisa que pode explicar a preocupação da presidenta com estas empresas é por elas serem as principais financiadoras das campanhas eleitorais, tanto de Aécio como de Dilma. Ao todo, os dois candidatos que foram ao segundo turno receberam R$ 109 milhões, sendo R$ 68,5 milhões para Dilma e R$ 40,2 milhões para o tucano.

A vergonhosa história de roubalheira, fraude e corrupção que vem a público com a Operação Lava Jato somente pode ser explicada pelo constante processo de privatização e desinvestimento que a estatal vem sofrendo. E sua ligação com as empresas privadas.

Privatização que ocorre pela venda das ações da empresa para o capital privado, inclusive na Bolsa de Nova York, e através dos leilões realizados por Fernando Henrique Cardoso, continuados por Lula e Dilma.

Corrupção que, diga-se de passagem, vem desde as épocas da ditadura com os ditadores Emilio Garrastazu Médici e Ernesto Geisel, que beneficiavam grupos empresarias como Odebrecht, Ultra, Mariani e Suzano.

Por isso, é fundamental que os petroleiros da Petrobras, das empresas privadas, e toda população brasileira assumam a campanha por uma Petrobras 100% estatal, sob o controle dos trabalhadores, assim como a volta do monopólio estatal do petróleo.

Acabar com a terceirização
Combater a terceirização, que levou o efetivo do Sistema Petrobras a 86 mil trabalhadores, enquanto o número de terceirizados é de 360 mil, está na ordem do dia. Trabalhadores precarizados, com baixos salários e péssimas condições de trabalho e de segurança, que leva a morte de dezenas nos últimos anos.

Com a terceirização, além do superfaturamento de preços, as empresas dão calotes e "somem", deixando seus empregados sem o pagamento de verbas salariais e rescisórias, com muitas vezes o Estado e a estatal arcando com a responsabilidade subsidiária por tais débitos trabalhistas.

A terceirização também faz os investimentos caírem, particularmente na saúde e na educação, com hospitais desaparelhados e anos sem concurso público, sucateamento as empresas e o sistema público.

Foi esta terceirização que levou a uma relação promíscua com as empreiteiras em obras como a refinaria Abreu e Lima e o Comperj, palcos de inúmeras greves contra as más condições de trabalho e salários. Relações que levam a corrupção e maracutais, e garantem as propinas dos políticos corruptos.

Se a precarização das condições de trabalho for eliminada, com a Petrobras assumindo o conjunto da extração, refino e distribuição do petróleo e do gás, a gasolina e o diesel poderão ser vendidos a preço mais barato, e com isso baixar o valor do transporte e dos alimentos, além do gás de cozinha ser distribuído a preço zero.


Por Américo Gomes, da Fundação Jose Luís e Rosa Sundermann
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