24 de novembro de 2014

Desrespeito à vida: mais uma morte no sistema Petrobras

24/11/2014 - Na última sexta-feira, dia 21, faleceu o trabalhador José Luis Beloni, de 57 anos, que havia ficado gravemente ferido em uma explosão no dia 11 de setembro, na Revap (Refinaria Henrique Lage), em São José dos Campos.

Com queimaduras de 1° e 2° graus, o técnico de operação ficou por 71 dias internado na UTI do hospital Policlin. O trabalhador teve complicações em razão das queimaduras, como a falência dos rins e infecções no intestino.

O acidente atingiu também outros cinco trabalhadores, que tiveram alta do hospital dias depois. Segundo trabalhadores da Revap, Beloni foi o mais atingido pelas chamas porque teria ajudado a retirar outros colegas do local do acidente.

Descaso com a vida
Lamentavelmente, Beloni entra para a fria estatística de mortes na Petrobras. Dados da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) apontam que, nos últimos 21 anos, 333 trabalhadores morreram vítimas de acidentes de trabalho em todo o sistema da Petrobras, dos quais 272 eram terceirizados. Somam-se a isso milhares de acidentes graves em várias unidades da empresa no país. Na Revap, em São José, a última morte havia ocorrido em 2012.

Segundo o presidente do Sindicato José Ademir da Silva, tudo na refinaria é um risco. “Os acidentes são iminentes e reincidentes. O baixo efetivo, o excesso de horas extras, assédio moral, pressão psicológica e o gerenciamento negligente com a segurança tornam a Revap um risco constante para os trabalhadores e a comunidade do entorno”, denunciou o Sindicato em nota.

O excesso e avanço da terceirização são absurdos. A rotatividade dos companheiros nesta condição, entre outros pontos, impossibilita treinamentos contínuos, mais eficientes e uma efetivação diária dos padrões formais de segurança. Além da superexploração, os terceirizados se tornam alvos constantes de acidentes”, afirmou o Sindicato.

Não é acidental
A situação denunciada pelo Sindicato é resultado direto da política que vem sendo implementada pelo governo e acionistas privados na Petrobras.

Enquanto a empresa vem sendo utilizada como balcão de negócios e para a corrupção, o processo acelerado de privatização, aliado a uma política de desinvestimento e a ampliação da terceirização (que já representa 80% da mão de obra da companhia), são os fatores que ameaçam a saúde e segurança dos trabalhadores da Petrobras.

Como já denunciou trabalhadores e dirigentes sindicais, sem qualquer critério técnico, que leve em conta a segurança dos trabalhadores e da unidade, a empresa tem reduzido o orçamento das unidades. É assim que cumprem os planos e objetivos do famigerado PROCOP (Programa de Otimização de Custos Operacionais). Tudo para garantir os lucros dos acionistas privados da empresa, que já controlam quase a metade das ações.

Essa situação reafirma que só os próprios trabalhadores podem mudar essa realidade. O caminho é lutar por uma Petrobrás 100% estatal, sem acidentes e sem mortes.