21 de agosto de 2014

Saiu na imprensa: Ana Luiza, candidata a senadora, defende fim do Senado



21/8/2014 - Em campanha na cidade de Osasco na última segunda-feira, dia 18, Ana Luiza (PSTU), candidata ao Senado pela Frente de Esquerda, concedeu entrevista ao jornal Visão Oeste e falou sobre as principais propostas defendidas por sua candidatura.

Uma delas é a extinção do Senado, “uma instituição conservadora, que não representa a população”. Para a candidata, “o Senado cumpre o papel de uma Casa revisora das votações da Câmara. É desnecessário o papel dele, tinha que ser uma Câmara única”.
Ana Luiza defende ainda o financiamento público de campanhas políticas. “Hoje [com o financiamento privado] você não sabe quem vai ganhar a eleição, mas já sabe quem vai governar, porque quem está pagando tem um peso muito grande nas decisões”.

Outra bandeira do PSTU é a reestatização de estatais privatizadas ou sob concessão. “Hoje uma empresa privatizada não é só privatizada, passa a ser internacionalizada, desnacionalizada. Então é muito mais grave o ataque ao patrimônio público”, analisa.

“A gente está vendo a crise da água agora, com a Sabesp. A Sabesp tem uma parte do seu capital aplicado na Bolsa de Nova York. Vamos passar sede aqui, vai faltar água, mas os investidores, em Nova York, vão ter bastante lucro. Isso é gravíssimo”, exemplifica Ana Luiza.

A candidata ao Senado pelo PSTU também critica a ação dos black blocs, que, diz, usam “uma tática equivocada”.

Sobre Marina Silva, candidata à presidência pelo PSB no lugar de Eduardo Campos – morto na semana passada em um acidente aéreo –  Ana Luiza avalia: “Está fazendo a nova cara de uma velha política”.

A candidata afirma ainda que sua principal bandeira é “a luta contra a opressão”. “Além dos problemas sociais, temos a questão de ser um dos países onde se mata mulheres todo dia. Não existe o investimento numa política para conter a violência contra as mulheres”.

Ana Luiza está em quarto lugar, com 3% das intenções de voto ao Senado, segundo a última pesquisa Datafolha, atrás de José Serra (PSDB), que tem 33%, Eduardo Suplicy (PT), com 30%, e Gilberto Kassab (PSD), com 7%. Leia abaixo os principais trechos da entrevista:

Visão Oeste - Quais são suas principais bandeiras para o Senado?
ANA LUIZA - Nosso programa para o Brasil é construir um país para os trabalhadores, partindo das lutas, das greves e mobilizações da classe trabalhadora. Dentro dessa questão mais do Senado, o estado de São Paulo tem muitos recursos e não reverte esses recursos para a população.
Por exemplo, aqui em Osasco há um problema grave na saúde. Mesmo sendo uma cidade que tem uma das maiores arrecadações do estado, não dá aos trabalhadores condições de saúde e de direitos.

E dentro do Senado, do Congresso Nacional, é onde se define orçamento. Mesmo que não se discuta a especificidade dos municípios, dos estados, mas define a parcela da Federação. Então, a ideia é inverter essa lógica, de que 40% vai para os juros da dívida, para pagamento da divida interna e da externa. Entendemos que é preciso suspender esse pagamento da dívida, discutir isso e reverter essa situação para os trabalhadores.

Os trabalhadores e a juventude saíram às ruas em 2013 com essa pauta. Conseguiram, com a mobilização, impedir o reajuste da passagem, mas não era só por R$ 0,20. Era uma pauta grande de direitos reivindicados que até agora não foram garantidos.

Nossa candidatura tem a preocupação de fortalecer essa luta, pelos direitos dos trabalhadores e da juventude. 10% do PIB para a Educação, 10% do PIB para a Saúde, 2% para Transporte, o que permitiria que, pelo menos, pudesse reduzir as passagens e investir na reestatização dos transportes. 
Além disso, também precisamos discutir o próprio papel do Senado, uma instituição conservadora, que não representa a população. O Senado cumpre o papel de uma Casa revisora das votações da Câmara. É desnecessário o papel dele, tinha que ser uma Câmara única. Achamos que ele deve deixar de existir e a gente se propõe a fazer esse debate.

Tem também a questão dos salários dos senadores e deputados. É um acinte, um Congresso que vota um salário mínimo de R$ 724, vota para os seus parlamentares R$ 26 mil, R$ 27 mil. E, além desse salário, eles têm diversas regalias.

V.O. - A senhora citou as mobilizações de 2013, mas o PSTU também foi hostilizado nas manifestações.
ANA - As pessoas não nos conhecem. Então, fizeram uma analogia com todos os demais partidos. Hoje já não existe mais polêmica conosco. No começo, houve uma generalização da política.
V.O. - Como a senhora vê a ação dos black blocs?
ANA - Consideramos que a tática que eles implementam é errada e prejudicou muitas ações nossas. Ter aquela atitude de quebrar um vidros, um carro, justificou a agressão policial. A polícia sempre nos agrediu. Ela estava sempre procurando um argumento para agredir os trabalhadores e eles [os black blocs] acabaram dando esse argumento. É uma tática equivocada, não concordamos com o método deles.
  
Agora, a gente também não concorda que haja uma criminalização, que forjem provas, que generalizem, que acusem todo mundo de ser black bloc, enquanto deixam de punir os corruptos das empresas do cartel do Metrô, as mesmas empresas que agora estão financiando a campanha à reeleição do governador Geraldo Alckmin.
V.O. - Uma das principais bandeiras do PSTU é a reestatização das empresas privatizadas ou sob concessão. Em uma economia globalizada, é possível fazer isso sem gerar caos na economia?
ANA - Totalmente. O capitalismo sempre atuou de maneira globalizada.  Hoje, uma empresa privatizada, não é só privatizada, passa a ser internacionalizada, desnacionalizada. Então é muito mais grave o ataque ao patrimônio público.

A gente está vendo a crise da água agora, com a Sabesp, uma empresa que tem parte do seu capital aplicado na Bolsa de Valores de Nova York. Vamos passar sede aqui, vai faltar água, mas os investidores, em Nova York, vão ter bastante lucro. Isso é gravíssimo.

V.O. - As pesquisas apontam a senhora em quarto lugar nas intenções de voto. Na sua frente estão Eduardo Suplicy, tradicionalmente o candidato do eleitor mais à esquerda e dois nomes mais conservadores, José Serra e Kassab. A senhora se apresenta como uma alternativa à esquerda ao Suplicy ou o foco é tirar votos dos conservadores?
ANA - Nós queremos ganhar votos de todos eles. Sabemos que existe diferença. Kassab e Serra são representantes da direita tradicional de São Paulo. O Suplicy tem outras características, mesmo dentro do PT, ainda é um dos que se relacionam com os movimentos sociais. Em lutas dos trabalhadores ou pela democracia, se você chama, ele vem. Só que uma coisa é ele como figura, isoladamente, nos movimentos sociais, outra é quando ele entra no Senado. 
Quando ele entra no Senado, faz o que o PT manda. Ali, ele se alia com Sarney, com Collor, e vota esse orçamento que dá a maioria dos recursos para os banqueiros. Ele, como parte do PT, leva a mesma política que nos oprime e retira direitos.
V.O. - A candidatura do PSTU à presidência, Zé Maria, sinceramente visa mais marcar posição, fortalecer o debate, do que esperar uma vitória. Entre os três principais candidatos colocados hoje, Dilma Rousseff, Aécio Neves e Marina Silva, há alguém que a senhora avalie como ‘menos pior’, alguém para apoiar num eventual segundo turno?
ANA - Nós vamos votar nulo no segundo turno. Achamos que Marina  não rompeu com os empresários, ainda que seja a candidata que vai refletir os anseios de mudança, seja pelo seu perfil, pela sua história ou pela referência de ser uma herdeira de Chico Mendes.

E ela tem como um dos seus financiadores a Natura, uma empresa de cosméticos que destrói as florestas para pegar matéria prima para seus cremes e perfumes em grande escala.

Marina está fazendo a nova cara de uma velha política de conciliação. Vai criar muita expectativa e iludir bastante os setores mais descrentes.