12 de agosto de 2014

Dilma e a nova carta ao povo de Deus

Dilma e Eduardo Cunha, líder do PMDB
e da bancada evangélica na Câmara
12/8/2014 - Na campanha eleitoral de 2010, Dilma lançou a Carta ao Povo de Deus, em que na prática firmava o compromisso de governar junto com as igrejas e para elas. Assim, a presidente trocou as pautas de luta contras às opressões a LGBTs e às mulheres por alianças com a bancada religiosa e com os setores mais homofóbicos e conservadores da política nacional.

Como resultado dessas alianças, tivemos o pastor Feliciano na presidência da Comissão de Direitos Humanos (CDH) e a tentativa de se voltar a tratar a homossexualidade como doença, com o projeto de “Cura gay”. A apresentação desse projeto foi um imenso ataque aos LGBT do país, no entanto, Dilma nunca se pronunciou sobre o tema.

Para as pessoas trans, mais ataques. Alexandre Padilha, quando Ministro da Saúde, revogou a portaria que reduzia a idade mínima para iniciar o processo de transexualização de 18 para 16 anos. Essa é uma pauta extremamente importante para essa população, porque as mudanças corporais da adolescência podem trazer sérios problemas como, por exemplo, fortes depressões que podem levar à automutilação e ao suicídio.

É bom lembrar que Alexandre Padilha é o escolhido do PT como candidato nas eleições de outubro deste ano ao governo do Estado mais importante do país, o Estado de São Paulo.

Na vida cotidiana das lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e transgêneros da classe trabalhadora, a opção de Dilma e do PT, de manterem as alianças com esses setores em troca de abandonar as pautas LGBT e o combate à LGBTfobia, tem consequências trágicas.

O resultado é o aumento alarmante de agressões e assassinatos com motivação homofóbica e transfóbica nos últimos dez anos no Brasil. Nosso país é o campeão mundial de crimes dessa natureza, com 40% do total mundial, e, só no governo Dilma, o aumento desse tipo de crime foi de 14%.

Apesar de tudo isso, na última sexta-feira, dia 8 de agosto, Dilma esteve no Congresso Nacional de Mulheres da Assembleia de Deus em São Paulo e, em seu discurso, reafirmou o compromisso feito em 2010 (veja link do discurso de Dilma abaixo).

A presidente iniciou sua fala dizendo: “O Estado brasileiro é um Estado laico. Mas citando um salmo de Davi eu queria dizer que: feliz é a nação cujo Deus é o Senhor”. Com isso, Dilma deixou claro que caso seja reeleita continuará do lado das bancadas homofóbicas.

Em outras palavras, enquanto as lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e transgêneros da classe trabalhadora continuarão a ser agredidos e assassinados cotidianamente, Dilma e o PT continuarão usando as pautas LGBT em negociatas com a bancada evangélica e os setores mais conservadores, machistas e homofóbicos da política brasileira.

É preciso exigir que Dilma rompa com esse setor
Antes de Dilma, quem falou às mulheres da Assembleia de Deus foi o deputado Eduardo Cunha, liderança do PMDB e da bancada evangélica na Câmara. O deputado foi mais objetivo sobre o que querem dessa aliança com o PT.

Em uma de suas falas sobre a revogação da portaria que dispunha sobre aborto legal, Eduardo Cunha disse: "Falo como um servo de Deus, e não como líder do PMDB. No momento seguinte à edição dessa portaria, procurei o ministro Arthur Chioro, da Saúde, relatei o problema, expus as nossas posições. O ministro, em menos de 24 horas, provavelmente consultando a senhora [Dilma], revogou a portaria. Quero agradecer pela sensibilidade de ter entendido que erros podem ser cometidos e por tê-los consertado no momento em que foram alertados".

O deputado disse ainda que é contrário à descriminalização das drogas. Sobre homossexualidade foi mais além: "Os pastores querem ter a liberdade de pregar no seu culto que o homossexualismo é pecado. Isso é um direito democrático", disse ele.

Através de Eduardo Cunha a bancada religiosa deu seu recado. Disse o que quer do Governo Dilma e a presidente em sua fala selou o acordo.

Diante de tudo isso, está claro, que a política do PT, de amplas alianças pela tal “governabilidade”, é que faz com que Dilma escolha estar do lado das bancadas evangélica e ruralista e todos os setores conservadores e homofóbicos que travam o avanço nas pautas LGBT em nosso país.

Assim, para se manter no poder, Dilma e o PT, continuarão de braços cruzados frente ao cotidiano de mortes, agressões e condições precárias de vida e de trabalho que assola os LGBT da classe trabalhadora.

O PSTU entende que as opressões (racismo, machismo e LGBTfobia) que assolam todos os dias a classe trabalhadora servem para aumentar a exploração e assim o lucro dos patrões.  Por isso, defendemos o combate intransigente à LGBTfobia.

O PSTU defende que é preciso um movimento LGBT classista e combativo, que vá às ruas e exija da presidente e candidata à reeleição, Dilma Roussef, medidas efetivas no combate à LGBTfobia.  Em outras palavras, os LGBT da classe trabalhadora precisam se organizar junto à sua classe, ir as ruas e exigir do governo PT:

- Aprovação imediata da lei que criminaliza a homofobia e a transfobia, a PL 122/06 com o texto original.

- Aprovação imediata da Lei de identidade de gênero, sobre o direito ao nome civil para pessoas trans. Mas que essa lei seja acompanhada de medidas efetivas que visem tirar da marginalização mulheres e homens trans;

- Políticas educacionais efetivas para combater a homotransfobia nas escolas;

- Pela despatologização das pessoas trans. Transexualismo não é doença!

- Por cotas para pessoas trans em concursos públicos;

- Pela desmilitarização da polícia já!

Venha conhecer o PSTU, o partido das lutas e do socialismo!


Links: 
Discurso de Dilma no encontro de mulheres da Assembleia de Deushttps://www.youtube.com/watch?v=2n5gRrClqDQ


Secretaria LGBT - PSTU São José dos Campos