23 de maio de 2014

Rodoviários vão à luta e colocam em xeque empresas e governos


23/5/2014 - A exemplo da forte greve de 48h dos rodoviários do Rio de Janeiro na semana passada, motoristas e cobradores de várias outras cidades também foram à luta.

Depois do início dessa semana ter sido marcado por dois dias de intensos protestos da categoria em São Paulo, nesta quinta-feira, dia 22, outras 13 cidades da região metropolitana paulista, como Osasco e Diadema, segundo informações na imprensa, também registraram paralisações e manifestações da categoria.

Em São Luís, no Maranhão, motoristas e cobradores também entraram em greve no dia de hoje.
Reajuste salarial, melhorias na cesta básica e nas condições de trabalho e medidas contra o assédio moral são, em geral, as principais reivindicações das bases.

Como sempre, empresas, prefeituras e a imprensa fazem um brutal ataque à luta dos trabalhadores, tentando jogar a população contra a categoria e criminalizar a mobilização, com interditos proibitórios e liminares para obrigar a circulação dos ônibus.

Apesar de tudo, as lutas seguem com muita força, inclusive passando por cima das direções sindicais pelegas, como aconteceu no Rio de Janeiro e em São Paulo.

A máfia dos transportes
As mobilizações dos rodoviários são totalmente legítimas. São trabalhadores que chegam a trabalhar até 12h por dia e muitos cumprindo dupla função, em que um mesmo trabalhador é motorista e cobrador, com salários brutos em média de R$ 1.500, para motoristas, e R$ 800 para cobradores.

A população enfrenta um serviço ruim e caro. Nas cidades, a realidade é ver ônibus permanentemente lotados, principalmente nos horários de pico. Os horários são poucos e o número de ônibus em circulação é insuficiente. Esses foram, inclusive, os motivos que levaram à explosão das manifestações de junho do ano passado.

Já as empresas de ônibus vão muito bem. Segundo O Globo, entre 2011 e 2012, empresas de ônibus da cidade de São Paulo chegaram a aumentar seu lucro líquido em até 2.056%. Os dados podem ser verificados nas planilhas de custo das empresas, disponíveis em arquivos da Secretaria municipal de Transportes e divulgadas também pelo Fórum de Transparência e Controle Social de São Paulo.

No caso da Viação Santa Brígida, por exemplo, que opera na área 1 da cidade, demonstrações dos resultados dos exercícios da empresa nos dois anos mostram que seu lucro líquido passou de R$ 340.735, em 2011, para R$ 7.346.690, em 2012. Uma variação de 2.056%.

As empresas também receberam R$ 22,2 bilhões da SPTrans (autarquia gestora da Prefeitura de SP), de janeiro de 2010 a março de 2014, de acordo com dados do Portal da Transparência da Secretaria Municipal de Transportes.

O valor, que representa os subsídios pagos pelo poder público e o valor da tarifa, que é registrada pela SPTrans e depois devolvida às empresas, é equivalente ao necessário para construir 22 “Itaquerão”, estádio de abertura da Copa.

O último acordo pelo aumento dos subsídios mensais ocorreu há menos de um ano, depois dos protestos de junho de 2013. Passaram de uma média de R$ 230 milhões mensais, em 2012, para cerca de R$ 300 milhões mensais pagos atualmente.

Uma reportagem do jornal O Globo também mostrou que metade das capitais do país não tem licitação de ônibus urbano, e que empresas e empresários do ramo estão inscritos na dívida ativa da União com um montante de quase R$ 3 bilhões em dívidas previdenciárias e tributárias. Apesar disso, parte continua a ganhar licitações.

Estatização dos transportes e tarifa zero, já!
O fato é que com a greve dos rodoviários vem à tona novamente a verdadeira máfia que impera nos transportes pelo país. Um setor que se enriquece a custa da exploração e sofrimento da população e dos trabalhadores.

A mobilização coloca em xeque as empresas, mas também os governos, que são os responsáveis pelos contratos de concessão, concedem subsídios e, na maioria das vezes, são coniventes com as empresas do setor, por que em vários casos elas são doadoras de campanhas eleitorais.

Por isso, é absurdo que, como aconteceu no Rio e agora em São Paulo, os prefeitos tratem os rodoviários como criminosos. Os governos devem atender imediatamente as reivindicações.

Enquanto o transporte público estiver nas mãos dos grandes empresários, não será garantido um transporte de qualidade à população. É preciso romper com as máfias das empresas privadas de ônibus, estatizar o transporte, com controle dos trabalhadores e da população e garantir Tarifa Zero.

Todo apoio às lutas dos trabalhadores!

Não à criminalização dos rodoviários em greve!

Atendimento das reivindicações já!

2% do PIB para o transporte público!

Estatização e tarifa zero!