28 de maio de 2014

Com organização exemplar, trabalhadoras metalúrgicas obtêm vitórias

Assembleia que aprovou greve na Sun Tech - Foto: Manuela Moraes

28/5/2014 - As trabalhadoras metalúrgicas da Sun Tech, de São José dos Campos, da Blue Tech e 3C, de Caçapava, encerraram suas greves nesta quarta-feira, dia 28, depois de aprovarem a proposta de PLR (Participação nos Lucros e Resultados).

As metalúrgicas conquistaram suas reivindicações. Na Sun Tech e na Blue Tech, a PLR fechada foi de R$ 6.000. Na 3C, o valor fechado foi de R$ 2.300.

A conquista veio depois de uma forte mobilização que atingiu quase que ao mesmo tempo as três fábricas do setor eletroeletrônico, que são terceirizadas da LG, e somam 900 trabalhadoras.

Na Blue Tech, a greve começou na quinta-feira, dia 22. Na Sun Tech, teve início na sexta, dia 23, e na 3C, na segunda, dia 26.

Assembleia na Blue Tech, em Caçapava. Foto: Sindmetalsjc/Flávio Pereira
Organização e disposição de luta
A mobilização nas três empresas compostas majoritariamente por mulheres chamou a atenção. Foram greves fortes, marcadas pela unidade e participação ativa das trabalhadoras, que não só aderiram à paralisação, mas participaram das negociações e de piquetes na porta da fábrica.

Nas três empresas, 22 ativistas, entre cipeiras, delegadas sindicais e integrantes de comissões de PLR, estiveram à frente da organização da mobilização.

Trabalhadoras reunidas no Sindicato
Segundo a cipeira da Sun Tech, Aline Bernardo, as trabalhadoras estavam dispostas a lutar pelas reivindicações desde o início.

O ritmo de trabalho tá demais. Tem muitas trabalhadoras lesionadas. A produção nem se compara com a do ano passado. Já o salário não dá para comprar o necessário. No supermercado, tudo aumentou. Por isso, quisemos uma PLR maior e sem metas”, contou.

No ano passado, na Sun Tech e a Blue Tech, a PLR foi de R$ 4.200. Na 3C, foi de R$ 800.

Para Aline, a organização foi fundamental. “O Sindicato deu todo apoio, mas quem segurou a onda foram as meninas. E isso foi muito importante”, disse. “Muitas vieram para o piquete, mesmo todo mundo tendo aderido à greve. Quisemos mostrar para os patrões que estávamos unidas. E foi isso que fez a empresa ver a nossa força e negociar”, disse.

Para a diretora do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos Rosangela Calzavara, as greves nas três empresas de trabalhadoras é um grande avanço.

Mais do que a conquista econômica, é um exemplo do que é capaz a organização de base. São as trabalhadoras que tomam para si a condução de suas lutas. Uma grande vitória”, disse.