29 de abril de 2014

Mais um caso de corrupção reafirma que o PT e Padilha não são alternativa pra derrotar a direita em SP

29/04/2014 - Há 20 anos o PSDB governa o estado de São Paulo. Ao longo desse tempo, os tucanos construíram um legado de destruição da educação e saúde públicas. O salário de fome dos professores da rede estadual é o triste retrato da educação paulista.

Os tucanos ficaram conhecidos também pela feroz repressão aos pobres, jovens e trabalhadores, como nos recordam a habitual brutalidade da PM contra as manifestações e o massacre aos moradores do Pinheirinho em São José do Campos, em 2012.

Mas não foi só. Os governos do PSDB se destacaram pelos inúmeros escândalos de corrupção e pela privatização de empresas estatais, como o Banespa. Mais recentemente, foi descoberto o “trem salão” tucano, que envolveu desvios milionários de verbas públicas do Metrô e trens de São Paulo durante os governos Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin.

As grandes manifestações de junho de 2013 sacudiram o país. Alckmin enfrentou as manifestações com uma brutal violência policial e foi derrotado por centenas de milhares que tomaram as ruas. Ao lado do prefeito Haddad (PT), foi obrigado a revogar o aumento das tarifas do transporte público.

Após as jornadas de junho, aumentou a vontade do povo paulista de tirar Alckmin do poder. O PT, por sua vez, busca apresentar-se como “alternativa de esquerda” aos tucanos, lançando a pré-candidatura do ex-ministro da saúde, Alexandre Padilha.


Diante desse cenário, uma pergunta é inevitável: o PT e Padilha são realmente uma alternativa? É possível confiar neles para derrotar a direita e realizar as mudanças que São Paulo precisa?

Padilha e o doleiro: um caso suspeito
Segundo a Polícia Federal, existe uma forte suspeita de que o pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, indicou um executivo para empresa de fachada controlada por um conhecido doleiro.

A empresa buscou fechar contratos milionários com o Ministério da Saúde. O nome Padilha aparece no relatório da Polícia Federal que aborda a troca de mensagens entre o doleiro Alberto Youssef, que responde na Justiça Federal por um esquema de lavagem de R$ 10 bilhões, e o deputado licenciado do PT do Paraná, André Vargas.

No dia 28 de novembro do ano passado, André Vargas e Youssef trocaram mensagens de celular. Segundo o relatório da PF, o deputado licenciado diz a Alberto Youssef que Padilha indicou um executivo para o Labogen, laboratório que chegou a firmar parceria com o Ministério da Saúde.

Vargas diz: “Achei o executivo”. Youssef responde: “Ótimo, traga ele para nos reunirmos e contratarmos".
Vargas responde: “Sexta ele estará aí. Dá o número do celular e fala que é Marcos, estará em São Paulo no dia seguinte ou segunda e que foi o Padilha que indicou”.

De acordo com o relatório, Marcos é Marcus Cezar Ferreira de Moura, que foi coordenador de promoção de eventos da assessoria de comunicação do Ministério da Saúde na gestão de Padilha. Em depoimento à PF, Leonardo Meirelles, o sócio do laboratório investigado na operação Lava Jato, diz que Marcus era quem fazia os “contatos institucionais” da firma com o ministério da saúde.

Não é possível afirmar conclusivamente que Padilha esteve vinculado ao esquema corrupto do doleiro Youssef. Porém, é inegável que há uma estreita ligação entre o mega-doleiro, o deputado André Vargas e inúmeras operações de lavagem de dinheiro que envolveram a Petrobras, órgãos e ministérios do governo federal e empresas privadas. É necessário uma investigação ampla, transparente e independente dessas denúncias.

PT: das lutas operárias à corrupção e ao pacto com os poderosos
O PT nasceu das grandes lutas operárias da década de 80 que derrubaram a Ditadura e conquistaram liberdades democráticas. Lula e o Partido do Trabalhadores converteram-se na esperança da construção de um Brasil mais justo, igualitário e soberano.

A raiva acumulada com o desastroso governo neoliberal de FHC levou Lula ao poder em 2002. Mas quando o PT subiu a rampa do Palácio do Planalto levou junto velhos partidos da direita, conhecidos políticos corruptos, multinacionais, empreiteiras e banqueiros.

O pacto do PT com os poderosos burgueses e corruptos cobrou seu preço. Já em 2005, estourou o escândalo do mensalão, no qual os principais dirigentes do partido foram pegos em negociatas corruptas com partidos e políticos de direita. Desde então, foram inúmeros casos de corrupção que envolveram políticos do PT, ministros, partidos da base aliada, empreiteiras e bancos. Nesse momento, vem à superfície os escândalos da Petrobras, de André Vargas e do doleiro Youssef. Outros mais seguirão aparecendo.

A oposição de direita, corrupta e privatista até a médula, tão bem representada pelos tucanos e demos, festeja eufórica a cada denúncia que envolve o PT e seus aliados governistas. Afinal, desse modo, o monopólio da corrupção não fica como exclusividade sua e pode ser utilizado como arma no teatro eleitoral. É o sujo falando do mal lavado.

É triste dizer, mas os governos do PT também frustaram as mudanças sociais que o povo tanto queria. Após as gigantescas manifestações de junho de 2013, os brasileiros descobriram que a vida não andava bem: a educação pública abandonada, o sistema de saúde destruído, o transporte público entregue ao caos, o endividamento familiar crescente e a inflação persistente. Enfim, o Brasil estava longe de ser aquela maravilha prometida nas propagandas eleitorais de Dilma na TV. Para piorar, veio a Copa do Mundo recheada de estádios superfaturados que só os ricos terão acesso. Foi a gota d´agua.

Em São Paulo, não foi distinto. Nas eleições municipais de 2012, Haddad (PT) apareceu como uma alternativa na capital paulista a José Serra. Venceu e angariou esperanças de mudanças. Pouco depois de eleito, frustrou boa parte de seus eleitores. De mãos dadas com Maluf, aliou-se a Geraldo Alckmin e enfrentou duramente as manifestações que pediam a redução das tarifas. Hoje, Haddad amarga uma ampla rejeição popular na capital.

Nas eleições ao governo de SP desse ano, o PT quer novamente se apresentar como alternativa à velha direita corrupta e privatista. Dessa vez o nome escolhido foi o de Alexandre Padilha.

Em nossa opinião, Padilha não representa uma alternativa real ao PSDB de Alckmin. Infelizmente, o PT abandonou os interesses dos trabalhadores e da maioria do povo para governar com as empreiteiras, partidos de direita, banqueiros e corruptos. Os aliados de Padilha são Maluf, Sarney, Collor, Renan Calheiros, doleiros e banqueiros.

Não podemos esperar nada dessa aliança espúria. Em resumo, Padilha e o PT não são uma alternativa para derrotar a direita e realizar as mudanças que São Paulo precisa.

É preciso uma alternativa de esquerda e socialista em SP!
Nas eleições é necessário apresentar uma alternativa socialista e classista para os trabalhadores e à juventude, que se contraponha à direita tradicional (PSDB) e também ao PT e seus aliados da direita (Maluf, Temer, Sarney). Do mesmo modo, essa alternativa deve se opor às demais alternativas da burguesia, como a aliança de Eduardo Campos e Marina Silva (PSB/Rede).

Por isso, em São Paulo, defendemos a construção de uma Frente de Esquerda e Socialista nas eleições de 2014 entre o PSTU, PSOL e PCB. O programa da Frente deve partir das reivindicações levantadas em junho e se combinar com a defesa de medidas anticapitalistas que atendam às demandas mais sentidas dos trabalhadores, da juventude e da maioria do povo.

Um ponto de destaque do programa da Frente de Esquerda deve ser a defesa da estatização das empresas de ônibus e a garantia de um sistema de Metro e trens 100% estatal a serviço do povo. Desse modo, será possível garantir a necessária ampliação e a qualidade do transporte público, a redução das tarifas cobradas e a garantia do passe-livre para estudantes e desempregados.

Por Toninho Ferreira, presidente do PSTU de São José dos Campos