4 de abril de 2014

Artigo: O endividamento dos aposentados

4/4/2014 - Números recentemente apresentados pelo governo revelam o preocupante aumento do endividamento de aposentados e pensionistas do INSS com os chamados empréstimos consignados. Essa modalidade de crédito, em que as parcelas são descontadas diretamente no pagamento do benefício, pode se tornar uma armadilha em casos de necessidade ou mesmo alguma emergência, pois o dinheiro irá para o banco de qualquer maneira.

Segundo os dados oficiais, os contratos de empréstimo consignado de aposentados e pensionistas somaram R$ 5 bilhões em fevereiro, montante 31% superior ao mesmo período do ano anterior. Em janeiro, já tinham sido quase R$ 4 bilhões em operações dessa natureza, valor também 9% maior no comparativo com o primeiro mês de 2013. O volume total de dinheiro emprestado aos inativos no ano passado foi R$ 41 bilhões.

Para nós, a interpretação desses dados é clara: com o poder de compra diminuído pela política econômica do governo federal, um número cada vez maior de aposentados e pensionistas é obrigado a contrair empréstimos para suprir suas necessidades. O desvalorizado benefício que recebem não permite fechar as contas do mês.

Nunca é demais repetir que este ano a presidente Dilma deu a aposentados e pensionistas que ganham acima do piso um reajuste de apenas 5,56%, menor até do que a inflação medida pelo IPCA, que foi de 5,91%. Ano após a ano, a história se repete: segurados recebem reajustes inferiores aos do salário mínimo. Quem se aposentou no ano de 2000 ganhando quatro salários mínimos, por exemplo, hoje recebe pouco mais de dois.

O governo do PT tem sido cruel com os aposentados. Estimativas apontam que, se o achatamento dos benefícios prosseguir, em 2025, nada menos que 90% dos aposentados estarão recebendo apenas e tão somente um salário mínimo.

É preciso dar uma basta nesta política econômica, que ataca aposentados, pensionistas e trabalhadores da ativa, mas beneficia banqueiros, grandes empresários e a Fifa com bilhões em isenções fiscais. Às vésperas da Copa do Mundo, precisamos virar esse jogo.

Lauro da Silva, presidente da Admap (Associação Democrática dos Aposentados e Pensionistas) do Vale do Paraíba - www.vozdoaposentado.org.br/