25 de março de 2014

Ato "50 anos do golpe militar: a perseguição e resistência dos trabalhadores" acontece nesta quarta



25/3/2014 - A menos de uma semana de se completar 50 anos do golpe militar, que instaurou uma ditadura no Brasil por vinte anos, a história de trabalhadores perseguidos pelo regime será contada num ato que acontece nesta quarta-feira, dia 26, na Câmara Municipal de São José dos Campos.

O ato “50 anos do Golpe Militar: a perseguição e a resistência dos trabalhadores” é promovido pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos juntamente com a Câmara.

Na ocasião, serão apresentados relatórios confidenciais produzidos em reuniões entre os militares e empresas da região.  Também serão apresentadas as “listas sujas”, em que aparecem nomes de trabalhadores que lutavam por direitos.

A atividade será dividida em dois momentos. Às 9h, acontecerá um ato unitário com a presença da presidente da Comissão Nacional da Verdade, Rosa Cardoso, do presidente da Comissão Estadual, deputado Adriano Diogo, além de representantes das Comissões da Verdade do Sindicato dos Metalúrgicos e da Câmara Municipal de São José dos Campos.

Às 13h haverá apresentação de documentos produzidos por órgãos de repressão da ditadura e depoimentos de trabalhadores perseguidos pelo governo militar.

Manifestação
Às 18h, o movimento estudantil, ativistas da juventude e o Muda - Movimento Urbano de Debate e Ação realizarão um ato para marcar os 50 anos do golpe e contra a criminalização dos movimentos sociais, em frente à Câmara.

Pela punição dos torturadores e empresas que financiaram a ditadura
Há 50 anos, em 31 de março de 1964, um golpe militar instaurava no país um regime repressivo anti-operário que durou mais de 20 anos.

O golpe teve apoio e participação de setores empresariais, políticos conservadores, do governo dos Estados Unidos, através da CIA, além do alto clero católico. Tinha o objetivo de derrotar o movimento dos trabalhadores que crescia e questionava os grandes latifundiários e interesses das grandes empresas.

Uma das primeiras medidas da ditadura foi intervir nos sindicatos. Prenderam, torturaram, fizeram desaparecer e assassinaram milhares de trabalhadores no campo e na cidade, acabando com as liberdades democráticas.

O regime acabou com a estabilidade no emprego e impôs um brutal arrocho salarial aos trabalhadores e ao povo.

Foram anos de feroz repressão contra todos (as) aqueles (as) que ousavam pensar e falar contra a ditadura.
Artistas, intelectuais, estudantes, religiosos, trabalhadores e camponeses, ninguém escapava da fúria dos militares. Esse período deixou sequelas profundas na sociedade brasileira.

Depois 20 anos, o regime militar chegou ao fim após um longo período de lutas, em que a classe operária jogou um papel decisivo com suas greves e mobilizações.

Hoje, passados 50 anos do golpe, é fundamental resgatar a memória da luta dos trabalhadores contra o regime. Relembrar as vítimas, mortos, desaparecidos, presos, torturados, cassados e demitidos. E, sobretudo, exigir reparação do Estado pelos danos causados aos trabalhadores e suas famílias.

Lamentavelmente, diferentemente do ocorrido em outros países da América Latina, no Brasil não foi punido nenhum militar ou torturador do regime, nenhuma empresa ou empresário que colaborou com o golpe e com os militares, perseguindo e demitindo trabalhadores.

Pelo fim dos aparatos de repressão
Hoje, passados 50 anos do golpe, parte da estrutura de repressão montada pelos militares ainda continua atuando.

A tortura continua nas delegacias das periferias das grandes cidades. As polícias militares reprimem e matam trabalhadores e jovens. A Abin (Agência Brasileira de Inteligência)  continua vigiando os movimentos sociais e uma nova legislação sancionada pela presidente Dilma (PT) autoriza a infiltração da polícia em organizações e movimentos sociais.

Em um momento em que a juventude e os trabalhadores tomam as ruas na luta por direitos, o PSTU entende que uma nova onda de criminalização dos movimentos sociais, por parte do governo federal e dos governos estaduais, busca atacar as liberdades democráticas duramente conquistadas com o fim da ditadura militar.

Além da famigerada Lei de Segurança Nacional, que voltou a ser utilizada, novas leis são feitas para criminalizar os trabalhadores e suas lutas, inclusive com a permissão de intervenção do exército em manifestações. Centenas de ativistas estão sendo alvo de processos fraudulentos.

O PSTU se soma às manifestações que ocorrem em repúdio à ditadura militar no aniversário dos 50 anos do golpe.

Consideramos importante resgatar o papel dos trabalhadores na luta contra o regime, bem como exigir a reparação dos danos causados pela ditadura aos trabalhadores e suas organizações.

Reivindicamos a revogação da Lei 12.850, sancionada pela presidente Dilma, que autoriza a “infiltração por policiais em atividade de investigação” e outras legislações repressivas.

Pela defesa do direito à livre manifestação e organização dos trabalhadores! Ditadura nunca mais!

- Punição dos torturadores e seus mandantes!
- Pela punição de todas as empresas que comprovadamente colaboraram com o regime militar e indenização e reparação aos demitidos!
- Revogação de toda a legislação que tem sua origem no regime militar, como a Lei de Segurança Nacional, a lei que acabou com a estabilidade no emprego e demais leis repressivas!
- Fim da Polícia Militar e abertura de todos os arquivos da ditadura!
- Por Memória, Verdade, Justiça e Reparação!