12 de fevereiro de 2015

Vamos construir nas lutas uma alternativa dos trabalhadores e defender os nossos direitos

12/2/2015 - O governo Dilma (PT), a oposição de direita, o Congresso Nacional e os governadores estão querendo, mais uma vez, que sejam os trabalhadores e a maioria do povo a pagar a conta da crise econômica.

O pacote do governo que dificulta o acesso ao PIS, seguro-desemprego, pensão por morte e o seguro defeso dos pescadores é parte do “saco de maldades” do governo contra os trabalhadores. O ajuste fiscal do governo, que o Congresso quer votar e que governadores e prefeitos também estão aplicando, tira dinheiro dos pobres para dar aos ricos. Retira direitos, rebaixa salários, promove demissões, aumenta tarifas, promove privatizações e desnacionalização de patrimônio e serviços públicos e corta verbas nas áreas sociais, como na saúde, educação e aposentadoria.

Eles querem garantir os lucros dos banqueiros, dos grandes empresários, das multinacionais, o pagamento da dívida aos bancos e a remessa de lucros para fora do país tirando dinheiro dos nossos bolsos.

Nas eleições, Dilma (PT) disse que não mexeria nos direitos trabalhistas “nem que a vaca tussa”. Disse que não aplicaria a política econômica de Aécio (PSDB). O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), por sua vez alardeou que “em São Paulo não falta água. E não vai faltar água”. Mentiras e mais mentiras!

Dilma prometeu fazer diferente do PSDB para ganhar as eleições, mas mentiu e traiu a confiança de muitos trabalhadores ao esconder o seu verdadeiro programa de governo: ajuste contra os trabalhadores para que os ricos continuem lucrando.

A presidente colocou um banqueiro no Ministério da Fazenda e está aplicando a mesma política econômica que aplicaria Aécio (PSDB) em situação de crise: “ajuste fiscal”, quer dizer: mais exploração em cima da classe trabalhadora para garantir alta lucratividade de bancos e grandes empresas. Dilma (PT) faz a mesma coisa, porque o PT governa aliado com banqueiros, empreiteiras, o agronegócio e banqueiros. Governa para eles e com eles, por isso, na hora que a porca torce o rabo faz o que eles querem contra os trabalhadores.

O PSDB também mentiu feio. A crise da água em São Paulo é gravíssima e já afeta a vida diária de milhões de pessoas. Estamos na iminência de uma catástrofe social e a culpa em primeiro lugar é de Alckmin do PSDB.  Vai faltar água também em MG, que era governada por Aécio (PSDB) e no RJ, governado pelo PMDB, aliado de Dilma (PT). Os demais governadores não ficam atrás. Os professores e outros setores do funcionalismo do Paraná estão dando um grande exemplo com a maior greve contra Beto Richa (PSDB) que ataca a educação e todo serviço público para pagar banqueiro.

Não bastasse isso tudo há aumento generalizado de preços. Aumentou o transporte, a luz, a água, os alimentos. E está havendo demissões em massa na indústria, que ameaça se alastrar para os demais setores, especialmente para a construção civil, que, em muitos casos, milhares de operários estão sendo demitidos sem receberem seus direitos trabalhistas.

Chega de roubalheira na Petrobrás! O Petróleo tem que ser nosso!
A corrupção na Petrobras, envolvendo o PT, PSDB, PP, PMDB e as maiores empreiteiras do país é algo muito grave. Seria necessária uma investigação independente, feita pelas organizações dos trabalhadores, para realmente punir todo mundo (do PT ao PSDB e TODOS os corruptos e corruptores). E, junto com isso, defender a empresa, a soberania nacional, os interesses do Brasil e os trabalhadores.

Em meio a essa crise e perante o depoimento do gerente da Petrobras Paulo Barusco à Operação Lava Jato, mostrando que esse esquema de corrupção começou no governo de FHC (PSDB), notícias na rede demonstram que a rede Globo orientou seus jornalistas a não citarem o nome do ex-presidente Fernando Henrique (PSDB) nas suas notícias (a Rede Globo é outra acostumadíssima a mentir).

Mas o esquema atual começou com a quebra do monopólio estatal do petróleo e com as medidas de privatização de FHC, que permitiu que as empreiteiras não precisassem participar de licitação para conseguir obras. Isto, evidentemente, não justifica que sob o PT tenha continuado e até aprofundado a privatização e a bandalheira. Uma traição e uma desmoralização, porque o PT quando foi fundado rejeitava aliança com patrão e corrupção, mas hoje governa com eles, para eles e com os métodos deles. Essas mesmas empreiteiras que ganharam os tubos estão demitindo trabalhadores, deixando de pagar salários e direitos. Ameaçam demitir 100 mil operários e estão parando as obras.

Tem gente se aproveitando da confusão. Fundos de pensão internacionais e especuladores tentam privatizar e desnacionalizar de vez a Petrobras, que é a maior e mais avançada empresa do país.

O petróleo é nosso e só os trabalhadores podem apontar TODOS envolvidos nesta bandalheira e defender a prisão e confisco dos bens de TODOS os corruptos e corruptores, a estatização, sem indenização, das empresas corruptas e uma Petrobras 100% estatal e sob controle dos trabalhadores.

Maioria dos deputados se elegeu com dinheiro de empreiteiras
Já os deputados e senadores, que estão cortando dinheiro da educação e da saúde e que se preparam para votar ataques aos direitos trabalhistas, são os mesmos que vão destinar mais dinheiro aos bancos e grandes empresários, e que votaram o aumento dos seus próprios salários em 26%. A maioria deles, 326 deputados, tiveram suas campanhas financiadas por empreiteiras e, pelo menos 43 deles e mais 12 senadores, já estão citados na Operação Lava Jato, começando pelo Presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB).

Esses mesmos deputados, que não têm a menor moral, são os que pretendem votar o “ajuste fiscal” do governo contra os trabalhadores e uma “reforma política”, que restringe as liberdades democráticas e legaliza o financiamento indecente de empresas e bancos para suas campanhas milionárias.

O atual presidente da Câmara, Eduardo Cunha, também eleito com dinheiro de empreiteiras e banqueiros (sua campanha milionária custou mais de R$ 6 milhões), possui largo currículo associado à corrupção. Ele entrou na política pelas mãos de Collor de Melo e, além de tudo, é machista, homofóbico, conservador e autoritário.

Em defesa dos nossos direitos e por nossas reivindicações
Unir as lutas, ganhar as ruas e construir um dia de paralisação nacional

- Pela revogação das MP’s 664 e 665, em defesa do seguro desemprego, do PIS, do seguro defeso para pescadores e da pensão por morte!

-Pela redução da jornada de trabalho, sem redução dos salários e por uma lei que impeça as demissões e garanta estabilidade no emprego;

-Pelo aumento geral dos salários! Redução e congelamento dos preços dos alimentos e das tarifas

-Por uma investigação independente na Petrobras, que garanta a prisão e confisco dos bens de TODOS os corruptos e corruptores; pela eleição direta pelos trabalhadores da diretoria da Petrobrás; por uma Petrobras 100% estatal e sob controle dos trabalhadores; pela estatização, sem indenização, das empreiteiras envolvidas com a corrupção nas obras da Petrobrás e nenhuma demissão de trabalhadores.

-Pela suspensão do pagamento da dívida aos banqueiros e uso deste dinheiro para investimento em obras ecológicas de emergência e sob controle dos trabalhadores e da população para resolver a questão do abastecimento de água e geração de energia;

-Pela proibição da remessa de lucros para o exterior;

-Pela diminuição dos salários de deputados e senadores. Salário de político igual a um salário de um trabalhador, um professor ou um operário.

É necessário que todas as centrais sindicais e movimentos sociais chamem uma luta unificada em defesa dos nossos direitos, pelas nossas reivindicações e contra a política econômica do governo Dilma (PT) e da direita, do Congresso Nacional, dos governadores e prefeitos. Que os ricos paguem pela crise! Que tirem dinheiro dos banqueiros e grandes empresários e não dos trabalhadores, da saúde ou da educação!

Nós fazemos um chamado à CUT, MST e militantes honestos do PT a romper com o governo e construir uma mobilização unificada que bote abaixo essa política econômica, esse “ajuste fiscal” e coloque TODOS corruptos na cadeia.


Construir nas lutas uma alternativa de poder dos trabalhadores para governar o país
Impeachment não é a solução, a saída está na mobilização

A última pesquisa demonstra que a maioria dos trabalhadores e do povo está indignada com o governo Dilma (PT), com o Alckmin (PSDB) e com “os políticos”.

Nós do PSTU, defendemos o voto nulo no segundo turno das eleições e dissemos na campanha eleitoral que a candidatura do PT ao aliar-se aos banqueiros e grandes empresários assume os interesses deles. É por isso que o governo Dilma (PT) defende o mesmo programa do PSDB diante da crise econômica capitalista. As candidaturas diretamente burguesas como as de Aécio (PSDB), ou nos estados, o PMDB, ou o PP, governam em benefício dos mesmos banqueiros, empreiteiras, agronegócio e multinacionais.

O PSDB todos já conhecemos de outros carnavais, das privatizações, dos escândalos de corrupção da reeleição e tantos outros, dos ataques aos aposentados, da criminalização das nossas lutas. Mas também existe uma outra parte da direita que está aliada ao PT, como Sarney, Maluf, Collor, Michel Temer, Jader Barbalho, Renan Calheiros e outros. É por terem uma mesma opção política e econômica que o governo e a oposição de direita brigam um montão, mas no final estão bem juntinhos na defesa dos ataques aos nossos direitos.

 É por isso que afirmamos que é preciso que os trabalhadores para enfrentar os capitalistas (banqueiros, grandes empresários, multinacionais e agronegócio) precisam romper com o PT e construir uma alternativa dos trabalhadores. Esse governo não está “em disputa” como defendem várias organizações, que atuam para “blindar o governo”. Os trabalhadores para defender seus direitos e garantir mudanças precisam derrotar esse governo e a oposição de direita, porque ambos defendem os interesses dos patrões.

É por isso também que o “impeachment” não é a solução neste momento. Sabemos que, como nós, muitos trabalhadores estão justamente indignados, especialmente, com as mentiras de Dilma (PT) na campanha eleitoral.

Mas a defesa de um “impeachment”, como alguns hoje levantam, não resolve o problema. Isso porque este Congresso, de maioria de corruptos e representantes dos mesmos banqueiros, grandes empresários, multinacionais e ruralistas, não nos representa. Não pode ser esse Congresso e esses deputados definam se esse governo eleito permanece ou não. De que adianta entregar o país nas mãos do vice-presidente Michel Temer (PMDB)? Ou, pior, do deputado Eduardo Cunha (PMDB), Presidente da Câmara?

A classe trabalhadora pode tirar Dilma (PT) para colocar um governo seu, que defenda nossos direitos. O caminho para isso é a luta, a mobilização social, a greve unificada e não o impeachment. Não queremos nem o playboy do Aécio (PSDB), que defende esse mesmíssimo “ajuste fiscal” do governo do PT e menos ainda setores que defendem a volta da ditadura militar (fim do direito de greve, das liberdades democráticas e arrocho brutal sobre os trabalhadores).

Só a classe trabalhadora, através da sua mobilização, pode construir uma alternativa dos trabalhadores, um poder dos debaixo, e, daí sim, tirar e por no governo quem quiser, mas controlado por nós e não mais um representante de banqueiros e multinacionais.

O Brasil precisa de um governo dos trabalhadores, sem patrões!