10 de novembro de 2014

Suspensa greve na Embraer, mas segue a luta por reajuste e demais reivindicações

10/11/2014 - Numa assembleia que reuniu 8 mil realizada nessa segunda, 10, e marcada pela pressão e intimidação por parte da direção da empresa, os trabalhadores da Embraer em greve desde a quarta-feira, 5, votaram pela suspensão da paralisação. Mesmo com a greve suspensa, a luta pelo reajuste superior aos 7,4% oferecidos pela empresa e a Fiesp (que garante apenas 1% de aumento real) segue.

Os trabalhadores reivindicam 10% de reajuste (3,4% de aumento real), o congelamento do valor do desconto do convênio médico, que a Embraer quer dobrar, além da estabilidade no emprego. O índice deve agora ir a dissídio na Justiça, assim como as demais reivindicações, como a redução na jornada para 40h semanais e o pagamento dos dias parados.

Assédio moral e intimidação
Após a deflagração da greve que paralisou os 10 mil trabalhadores da unidade de São José dos Campos (SP), a direção da Embraer, conhecida pela sua truculência, empreendeu uma megaoperação de intimidação e assédio moral para pôr fim à mobilização. Além de ligações para as casas dos trabalhadores, a pressão era exercida através das redes sociais e até por whatsapp.

Na assembleia que reuniu todos os turnos da empresa na manhã dessa segunda, era grande o número de chefes e olheiros da empresa. "Diante daquela situação, propusemos que, ao invés de votar a continuidade da greve ali, que fizéssemos um plebiscito com voto em urna, para que os trabalhadores pudessem escolher livremente os rumos da greve sem a pressão das chefias", explica Herbert Claros, trabalhador da empresa e vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e região.

Mesmo com a pressão e o clima tenso da assembleia, a proposta do plebiscito perdeu por uma reduzida margem. Logo após, a suspensão da greve foi decidida por aproximadamente 60%, numa votação que dividiu a assembleia. "Mesmo com aquela situação, em que havia até câmeras da empresa filmando os trabalhadores, o fim da greve não teve ampla maioria da assembleia, mostrando a disposição de luta dos trabalhadores", afirma Herbert.


Greve histórica
O fim da greve na unidade de São José dos Campos não significa o fim da luta pelo reajuste. Além da disposição dos trabalhadores na empresa, a mobilização segue, inclusive com a possibilidade de paralisações nas demais unidades.

"Foi uma greve histórica, a maior desde a privatização da Embraer em 1994, e que contou com uma enorme adesão mesmo com todo o assédio", explica o vice-presidente do sindicato. "Inclusive para muitos operários lá, jovens, era a primeira greve que participavam".