9 de fevereiro de 2015

Sindicalismo classista ou chapa branca: eleição no Sindicato dos Metalúrgicos de São José põe dois projetos em debate

9/2/2015 - O ano começou agitado. Ataques aos direitos trabalhistas e previdenciários por parte do governo Dilma, custo de vida nas alturas com aumentos na conta de luz, na passagem de ônibus e preço dos alimentos, demissões nas montadoras e uma série de outras dificuldades que estão recaindo sobre as costas da classe trabalhadora.

É nesse cenário que um dos sindicatos mais representativos e atuantes do país, o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, realiza eleições nos próximos dias 24 e 25 de fevereiro para definir a diretoria, que ficará à frente da entidade de 2015 e 2018.

Duas chapas disputam o voto da categoria. A Chapa 1 é a chapa do Sindicato/CSP-Conlutas , que reúne dirigentes da atual gestão e novos trabalhadores da base.  A Chapa 2 é a chapa de oposição formada pela CUT e CTB.

Dois projetos para a entidade
O Sindicato dos Metalúrgicos tem 59 anos de existência e é reconhecido pelo perfil combativo na defesa dos empregos e direitos. Sua história coleciona grandes mobilizações como nas Diretas já e pelo Fora Collor, bem como contra as privatizações, as flexibilização dos direitos trabalhistas e o banco de horas. É um dos fundadores da CSP-Conlutas.

Atualmente, a entidade está na luta pela revogação das medidas provisórias 664 e 665, que limitam o acesso ao seguro-desemprego, pensão por morte, auxílio-doença e PIS/Pasep, bem como exige da presidente Dilma que garanta estabilidade no emprego para os trabalhadores, principalmente de empresas que recebem benefícios fiscais do governo federal, como é o caso das montadoras.

A base da categoria reúne grandes empresas como GM, Embraer, Gerdau, Chery, Ericsson, Avibras, entre outras, e a quinze dias das eleições, a campanha tomou as fábricas, com a disputa entre dois projetos.

Com o lema “Renovação, experiência e luta. Organização de base na defesa dos salários, empregos e direitos”, a Chapa 1, da CSP-Conlutas, defende em seus materiais um sindicalismo independente de patrões e governo e a democracia operária, denunciando fortemente os ataques dos patrões e do governo Dilma.

Já a chapa da oposição, ligada às centrais governistas CUT e CTB, cala-se sobre os graves ataques da presidente Dilma, chegando a defender o governo. Como sempre, ao invés de criticarem os ataques dos patrões e o governo contra os trabalhadores, repetem o discurso patronal contra o sindicato, com críticas à política da entidade de não reduzir direitos.


Uma chapa formada pela base
A Chapa 1, da CSP-Conlutas, foi formada a partir de um amplo processo democrático, com realização de prévias e assembleias.

Os trabalhadores das principais fábricas da categoria puderam escolher democraticamente os companheiros e companheiras que formariam a Chapa 1. Num exemplo de democracia operária, as prévias permitiram a formação de uma chapa forte, representativa e ligada à categoria.

Mais de 50% da chapa é composta por novos ativistas. Destaque para seis trabalhadoras metalúrgicas, numa importante representação feminina para fortalecer o trabalho de defesa das mulheres na próxima gestão.

Num inédito processo de formação, a Chapa 1 realizou plenárias semanais com os candidatos e ativistas envolvidos na campanha sobre temas variados, como história do movimento operário, burocratização, machismo e conjuntura. Tudo para avançar a consciência classista dos ativistas.

O presidente do PSTU de São José, Toninho Ferreira, ressalta a importância da entidade para a região e as lutas dos trabalhadores do país.

A história deste sindicato foi construída nas lutas dos trabalhadores no Brasil, bem como em apoio às lutas dos trabalhadores de outros países também. Uma história marcada pela independência de classe, democracia operária e internacionalismo”, afirma Toninho que foi presidente da entidade no início da década de 90, por dois mandatos.

Essa eleição é um momento decisivo para defendermos esse sindicato, que tem resistido a diversas tentativas de retirada de direitos e rebaixamento salarial, ao contrário do que ocorre em outras regiões, onde os sindicatos são dirigidos pela CUT e CTB", destacou. 

"Diante do cenário que se avizinha com o agravamento da crise e dos ataques aos trabalhadores, manter esse sindicato no caminho da luta é fundamental. Nos somamos à defesa desse importante instrumento dos trabalhadores e reafirmamos todo nosso apoio à Chapa 1”, disse Toninho.