25 de novembro de 2014

O machismo mata! Dia 25 de novembro é dia de luta contra a violência à mulher!

Irmãs Mirabal, assassinadas pela ditadura,
tornaram-se símbolo da luta contra a violência
25/11/2014 - Por Jéssica Marques *

O dia 25 de novembro é o Dia Internacional pela Não-Violência à Mulher. Criada em 1981, no 1° Encontro Feminista Latino-Americano e Caribenho, na Colômbia, a data é uma homenagem às Las Mariposas, como eram conhecidas as irmãs Mirabal – Maria Teresa, Pátria e Minerva.

As três irmãs foram brutalmente assassinadas por agentes da ditadura militar na República Dominicana no dia 25 de novembro de 1960. Nesse dia, elas regressavam de Puerto Plata, onde seus maridos estavam presos, quando agentes da ditadura simularam um acidente. Elas foram mortas porque lutavam contra a sanguinária ditadura do país e o assassinato provocou um rechaço internacional em relação ao governo dominicano, fato que acelerou a queda do ditador Rafael Leônidas Trujilo.

A data tornou-se um símbolo da luta contra a violência às mulheres, uma situação que infelizmente é uma realidade mundial. No mundo, uma em cada três mulheres é vítima de abusos físicos. O Brasil ocupa, hoje, a 7ª posição no ranking de violência contra as mulheres.

Esse dado alarmante só revela que estamos vivendo numa situação de barbárie, em que nosso cotidiano é permeado pelo medo e não temos nenhum amparo efetivo do Estado para o combate a essa violência. A cada dia são mais recorrentes as notícias de mulheres que são ameaçadas e violentadas. A maioria de nós já conheceu alguma mulher que foi vítima da violência de gênero. Muitas até já sofremos com esse tipo de agressão.

Quando pegamos um ônibus lotado, caminhamos sozinhas à noite, passamos numa rua mal iluminada ou perto de um terreno baldio, a sensação de estar na iminência de ser atacada nos faz suar frio e querer chegar o quanto antes em casa ou no trabalho. Esse é o dia a dia das mulheres, sobretudo as mulheres trabalhadoras, que são as que mais sofrem com a precarização do transporte coletivo e que vivem nos bairros periféricos e mais abandonados pelo poder público.

Em São José dos Campos, os números de violência também são alarmantes. A cada 12 horas uma mulher é agredida. No último dia 17, duas estudantes foram vítimas de uma tentativa de estupro na Univap, do campus Urbanova. Elas estavam no ônibus circular da universidade e foram ameaçadas pelo motorista do ônibus, que desviou o trajeto levando-as para o “matinho”. As estudantes gritaram e conseguiram que outros alunos e alunas vissem a cena. Ao saírem do ônibus, o condutor ainda disse “fica pra próxima”.

O motorista só foi afastado da empresa e a Univap ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso. Além do transporte precarizado, o campus conta com espaços mal iluminados e terrenos com mato alto, revelando o descaso da universidade em relação à violência contra as estudantes.



No Brasil, apesar da criação da Lei Maria da Penha, em 2006, pouco se avançou no combate à violência doméstica. Esse dispositivo, que poderia cumprir um papel muito importante na criminalização das agressões, na verdade não sai nem do papel. Isso ocorre porque o governo, que deveria encarar como prioridade esse tema tão importante, não investe o suficiente, deixando as mulheres desamparadas.

Outras pautas centrais das mulheres, como a criação de creches públicas e a descriminalização e legalização do aborto, pouco ou nada avançam. Isso acontece porque os partidos que estão no poder estão alinhados com os setores mais reacionários da nossa sociedade, como a bancada evangélica fundamentalista, e esses grupos, calcados num discurso religioso, naturalizam a opressão da mulher e se aproveitam disso, impedindo que essas discussões avancem e que as mulheres tenham melhores condições de vida.

O fato é que patrões e os governos utilizam a opressão para explorar muito mais as mulheres e a classe trabalhadora de conjunto. Nós mulheres recebemos 30% menos que os homens por trabalhos iguais e esse é só um exemplo de como a opressão é utilizada pelo sistema para aprofundar essas desigualdades.

Por todo esse cenário generalizado de descaso com a vida das mulheres, exigimos do governo Dilma o investimento de 1% do PIB em políticas públicas de combate à violência à mulher, para a ampliação e aplicação da Lei Maria da Penha, construção de casas-abrigo, delegacias especializadas, centros de referências e muitas outras medidas que possam dar um pouco mais de dignidade às nossas vidas!

Mas sabemos que não é possível acabar com o machismo e a violência de gênero dentro do sistema capitalista. A luta contra o machismo é também uma luta pela construção de uma sociedade sem classes, onde não haja opressão de um sobre o outro, e as mulheres possam ser livres.

Por isso, almejamos construir um mundo que seja livre de exploração e qualquer tipo de opressão. Lutamos por uma sociedade socialista.

Pela memória das irmãs Mirabal, por Sandra e por todas as mulheres que são agredidas todos os dias vítimas do machismo! Nesse 25 de novembro gritamos alto e exigimos um basta!

Jéssica Marques, militante da Juventude do PSTU de São José dos Campos