27 de fevereiro de 2014

Nota do PSTU sobre o esforço para a construção de uma frente de esquerda para as eleições de outubro


27/2/2014 - Foi realizada recentemente uma reunião entre dirigentes do PSTU e do PSOL para debater a proposta de constituição de uma Frente de Esquerda envolvendo estes dois partidos e o PCB. Na reunião, iniciamos o debate acerca do programa e perfil político da frente, dos critérios sobre arco de alianças e financiamento da campanha e sobre o espaço dos partidos na chapa presidencial e em estados como o Rio de Janeiro onde há, até agora, um veto do PSOL à coligação com o PSTU na eleição proporcional.

No debate feito foram identificadas visões distintas acerca do programa e do perfil político que a frente apresentaria nas eleições. Os companheiros do PSOL defenderam um programa e perfil político da campanha que tivesse como centro a busca de uma identidade com o senso comum da população, para facilitar a disputa do voto. O PSTU defendeu que a campanha da frente buscasse sim, fazer a disputa dos votos da melhor forma possível, mas sem abdicar da defesa das mudanças, profundas e radicais, que precisamos fazer no Brasil para que o povo possa ter uma vida digna.

Esta diferença se materializou, por exemplo, numa visão distinta de como apresentar um programa que garanta o atendimento de uma demanda muito presente nas mobilizações de junho passado, a Tarifa Zero no transporte coletivo para garantir o direito ao transporte a toda população. O PSOL defende uma proposta que mantém o sistema privado de transporte, onde a Tarifa Zero seria financiada com o aumento de impostos. O PSTU defende a suspensão imediata do pagamento dos juros aos banqueiros para financiar o sistema, mas também a estatização dos serviços de transportes para acabar com as máfias que controlam o setor e roubam o povo cotidianamente. Esta mesma diferença de enfoque se translada ao resto do debate programático e à definição do perfil político da campanha da frente.

Ficamos de dar continuidade a este debate, para vermos a possibilidade de chegarmos a um patamar que pudesse ser comum aos dois partidos, em uma próxima reunião marcada para a primeira quinzena de março. Por outro lado, os representantes do PSTU deixaram claro aos dirigentes do PSOL que o anúncio realizado na véspera, de que o candidato à presidente da chapa seria do PSOL, assim como o candidato à vice, não sinalizava a constituição de uma Frente de Esquerda. Criava um quadro de adesão dos demais partidos à candidatura do PSOL, denotava desrespeito para com os demais partidos que, por óbvio, era inaceitável. Também sobre este assunto ficamos de voltar a conversar na próxima reunião agendada para março.

Passada a reunião, o PSOL agendou e realizou o lançamento, neste 24 de fevereiro , de sua pré-candidatura à presidência e vice-presidência em ato político na cidade de São Paulo.

O PSTU pensa que, em política, o que se fala é importante. Ainda mais importante é o que se faz, pois indica objetivamente a escolha que se fez. O PSTU tem defendido e segue defendendo a Frente de Esquerda, respeitado o acordo de programa, critério sobre arco de alianças e financiamento da campanha e respeito ao espaço de cada um dos partidos. O PSOL também tem falado em defesa da Frente de Esquerda. Mas o que está fazendo indica claramente outra escolha.

Ao fechar completamente as condições para que se possa construir uma Frente que respeite o espaço de cada partido, o PSOL atua para inviabilizar a Frente. Indica que não quer ou não acredita na discussão para buscar um acordo de programa que possa ser expressão das lutas sociais que ocorrem em nosso país. Um programa para mudar tudo isso que aí está, como reclamavam as manifestações de junho e julho passado. Que possa ser a expressão de um projeto socialista para o Brasil. Só isso explicaria a atitude concreta de fechar a chapa presidencial sem nenhum respeito pelos demais partidos com quem diz querer fazer a Frente.

O PSTU irá a próxima reunião marcada com o PSOL, ainda imbuído da defesa da Frente de Esquerda. Mas alertamos para a necessidade de reversão desse quadro, para que haja uma possibilidade real de esta frente vir a se constituir.

São Paulo, 25 de fevereiro de 2014
Direção Nacional do PSTU – Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado