30 de janeiro de 2014

Nota de Zé Maria sobre a proposta da Frente de Esquerda nas eleições 2014

30/01/2014 - O PSTU, no final do ano passado, lançou o meu nome como pré-candidato à Presidência da República mantendo e reafirmando, ao mesmo tempo, a proposta de constituição de uma Frente de Esquerda envolvendo, alem do próprio PSTU, também o PSOL e o PCB (veja aqui).

Em entrevistas à imprensa recentemente, o pré-candidato lançado pelo PSOL, senador Randolfe Rodrigues, tem anunciado suas propostas e informa que convidou a ex-deputada Luciana Genro para ser sua candidata à vice, ao mesmo tempo em que diz estar “conversando” com o PSTU e o PCB no sentido da constituição da Frente.

Da parte do PSTU, esclarecemos que não fomos contatados, nem houve qualquer conversa com a direção do PSOL até agora.

Estranhamos essa situação na medida em que a construção de uma Frente pressupõe acordo sobre o programa da candidatura, critérios para financiamento, independência de classe, etc. Já havíamos tornado pública nossa preocupação pela distância programática que existe entre nós e as propostas defendidas pelo pré-candidato definido pelo PSOL.

Assim, não temos como deixar de registrar que a proposta de assegurar tarifa zero para o transporte público com aumento progressivo do IPTU, conforme dito pelo senador em entrevista ao Jornal Zero Hora de quatro de janeiro, o que manteria o controle das empresas privadas, não tem o nosso acordo. Tampouco o governo João Goulart é referência para nossa proposta de reforma agrária.

O transporte público deve ser estatizado para acabar com as máfias que controlam o setor e para garantir um serviço de qualidade a toda população. A reforma agrária que queremos fazer implica no fim do latifúndio e do domínio do agronegócio sobre as terras do país, de modo que elas possam ser usadas para produzir alimentos para o povo.

Esse é o caminho que precisamos adotar se queremos realmente mudar o país e atender as demandas que a juventude e os trabalhadores levaram às ruas nas jornadas de junho passado. Caso contrário, seríamos “mais do mesmo” que aí está. O programa da Frente de Esquerda deve partir das lutas da juventude e dos trabalhadores e suas reivindicações para mudar efetivamente o nosso país. E é a serviço destas lutas para mudar o país que deve estar a campanha da esquerda socialista.

Por outro lado, lembramos que a constituição da Frente de Esquerda pressupõe o respeito ao espaço de todos os partidos que comporão a aliança. Isso significa que, entre outros critérios, caso o PSOL venha a indicar o candidato à presidente na frente de esquerda, obviamente a candidatura à vice deve ficar com o PSTU.

Nas próximas semanas, realizarei uma rodada de debates e palestras por várias regiões do país apresentando as idéias que o nosso partido tem para as eleições presidenciais e também para as tarefas e desafios colocados pela luta da nossa classe durante todo este ano, com destaque para as mobilizações que queremos construir no período da Copa do Mundo.


São Paulo, 28 de janeiro de 2014

Zé Maria