13 de junho de 2014

Na abertura da Copa, mesmo com repressão, nove capitais têm manifestações

Manifestação no Rio
13/6/2014  - Em outros tempos, não daria para imaginar um dia de abertura de Copa Mundo com protestos, principalmente no Brasil. Mas aconteceu. Nesta quinta-feira, dia 12, em pelo menos dez capitais do país, ocorreram protestos contra as injustiças da Copa.

No país do futebol, os brasileiros naturalmente assistiram e torceram com o jogo de estreia entre Brasil e Croácia, mas isso não impediu que manifestantes fossem às ruas em atos convocados por diversas entidades dos movimentos sociais.

Apesar da campanha ufanista que o governo vem tentando impor e da repressão policial, as lutas já são uma marca desta Copa no Brasil, e tiveram destaque na imprensa, principalmente a internacional.

Ocorreram manifestações em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Maceió, São Luiz, Teresina e Belém. Trabalhadores de diversas categorias, muitas em luta, estudantes, aposentados, sem-teto e ativistas participaram dos protestos. Os maiores atos ocorreram no Rio (cerca de 5.000 pessoas) e em São Paulo (1.500 manifestantes).

Com faixas e bandeiras, os manifestantes exigiram mais investimentos dos governos em saúde, educação, corrupção e denunciaram as injustiças da Copa. As mortes dos operários nas obras dos estádios da Copa também foram lembradas.

Rua do Sindicato dos Metroviários sitiada, em SP
Sindicato dos Metroviários foi sitiado pela Tropa de Choque
Em São Paulo, o ato contra as injustiças da Copa incorporou a luta pela readmissão dos metroviários demitidos pelo governo Alckmin e reuniu cerca de 1.500 pessoas.

A manifestação começou a se reunir em frente à sede do Sindicato dos Metroviários, na Zona Leste, e desde cedo, um forte aparato policial cercou toda a região. A rua do sindicato foi bloqueada pela Tropa de Choque.

Operários mortos nas obras da Copa foram lembrados
Num flagrante desrespeito ao direito constitucional de manifestação, a PM informou que não permitiria uma passeata pela Radial Leste e nem mesmo o ato na rua do sindicato.

Foi preciso muita negociação, para que os manifestantes, que aumentavam a cada momento, pudessem ocupar a rua. O ato foi realizado em frente ao Sindicato, com os ativistas encurralados pela PM.

Existe uma decisão política de impedir as manifestações durante a Copa, mas nós vamos fazer o nosso ato”, denunciou o dirigente da CSP-Conlutas, Atnágoras Lopes. “Dilma, escuta, na Copa já tem luta!”, gritavam os ativistas.

Repressão
Apesar de o ato se manter pacífico, o aparato policial aumentava cada vez mais. Quando um grupo, formado por setores como os Black Blocs, começou a montar pequenas barricadas de lixo ao final da rua, a Tropa de Choque, sem qualquer aviso ou negociação, começou a atirar com balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo.

Em frente ao Sindicato, o ato prosseguia de forma pacífica. No entanto, a Tropa de Choque também investiu contra a manifestação de forma generalizada, ignorando os apelos da direção do ato no carro de som.

Apesar da repressão, o ato não se dispersou e os manifestantes continuaram o protesto dentro do Sindicato. Contudo, após algum tempo, com os manifestantes sitiados dentro da entidade, a organização decidiu determinar o encerramento da manifestação diante da ameaça de a Polícia Militar de “limpar” a rua e até invadir o Sindicato, o que poderia causar uma tragédia.

Até agora os governos não conseguiram obter dividendos políticos com a Copa. Não têm como justificar as injustiças cometidas, o desperdício do dinheiro público, enquanto abandonaram a saúde, educação e os serviços públicos. Esta Copa já pode ser conhecida como a Copa das lutas, dando continuidade às reivindicações que tomaram as ruas desde junho do ano passado”, avalia Toninho Ferreira, presidente do PSTU de São José dos Campos.

Desesperados, os governos tentam calar a voz das ruas com repressão. Em São Paulo e em outras capitais, o que vimos foram manifestantes sitiados como na época da ditadura. Um absurdo. Mas isso não nos calará. É nas ruas, nas lutas e nas greves que podemos conquistar nossas reivindicações. O povo já aprendeu isso e por isso na Copa está tendo luta”, disse.

Lamentável papel dos “Black Blocs”
É impossível falar da brutal repressão policial ao ato desse dia 12 sem, no entanto, denunciar o lamentável papel cumprido por setores minoritários, como os Black Blocs.  Em São Paulo, por exemplo, apesar do forte aparato repressivo que cercava os manifestantes, esses setores insistiam em provocar a PM e forçar um enfrentamento maior que só beneficiaria a polícia, colocando em risco os participantes do ato.

Lamentavelmente, fica cada vez mais evidente o papel nefasto desses setores que, com atitudes isoladas e total irresponsabilidade, servem de linha auxiliar da repressão para acabar com os protestos e as manifestações de rua.

Já passou da hora desses jovens repensarem seus métodos de ação se, de fato, seus objetivos, forem em defesa das reivindicações das manifestações.

Informações: www.pstu.org.br