13 de agosto de 2014

Montadoras demitiram mais de 6 mil: Dilma precisa garantir estabilidade no emprego, já!


 13/8/2014 - O quadro de empregos no setor automotivo apresenta baixas a cada dia e pode piorar se o governo Dilma não intervir com medidas concretas em defesa dos trabalhadores. Apenas este ano, já foram 6.700 mil trabalhadores demitidos, um número inadmissível diante dos bilhões de reais em incentivos fiscais concedidos às indústrias nos últimos anos.

Desde 2012, o governo federal já abriu mão de mais de R$ 12 bilhões em impostos somente com a redução de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), num período em que o setor bateu recordes de produção e vendas.

Vale ressaltar que os incentivos às empresas não se resumem apenas à redução do IPI, mas inclui outras medidas como a desoneração da folha de pagamento, juros e financiamentos camaradas junto ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), incentivos como o programa Inovar Auto e a verdadeira guerra fiscal da qual se beneficiam as montadoras, que jogam municípios uns contra os outros com chantagens em torno de investimentos.

Isso é apenas um exemplo de como as empresas do setor têm muita lenha para queimar e, portanto, não há motivos para demissões. Porém, as montadoras querem resguardar seus lucros e, para isso, estão tentando novamente jogar a crise nas costas dos trabalhadores.

Ameaças e chantagens
Não bastassem os 6.700 cortes já realizados, as montadoras ameaçam mais demissões. Em São José dos Campos, a General Motors quer colocar mil trabalhadores em lay-off, medida que já foi usada no último ano e acabou resultando em quase 700 demissões, apesar da luta levada pelo Sindicato e pelos metalúrgicos da planta.

A Volkswagen está com 1.190 funcionários em lay-off em São Bernardo e São José dos Pinhais (PR), e ainda vai colocar outros 4.500 trabalhadores de Taubaté em férias coletivas a partir do dia 25. A Fiat também vai suspender parte da produção em Betim (MG).

Ainda em São Bernardo, 1.200 mil trabalhadores da Mercedes-Benz estão em lay-off. No Rio de Janeiro, outros 200 trabalhadores da MAN e 650 da PSA Peugeot Citroën enfrentam o mesmo problema.

Até julho deste ano as montadoras colocaram quatro mil trabalhadores em lay-off, número que só não supera o de 2009, quando o setor automotivo estava no auge da crise.

É preciso resistir e lutar
Em São José dos Campos, o Sindicato dos Metalúrgicos está mobilizando os trabalhadores contra o lay-off proposto pela GM. O Sindicato, vinculado à CSP-Conlutas, faz um chamado às demais centrais sindicais (CUT, Força Sindical, CTB) a se unirem e mobilizarem os trabalhadores de suas bases na luta contra as demissões que vêm ocorrendo em todo país.

Não pode ser que as empresas continuem chantageando os trabalhadores e essas centrais se omitam por que não querem fazer exigências ao governo do PT.

Os metalúrgicos querem uma reunião urgente com a presidente Dilma Rousseff para cobrar ações como a edição de uma medida provisória que determine a estabilidade no emprego em empresas que recebem incentivos fiscais, proibição de demissões imotivadas, a proibição da remessa de lucros ao exterior e a estatização de empresas que demitirem.

As remessas de lucros das montadoras às matrizes no exterior cresceram 35% no ano passado, comparadas a 2012. Foram US$ 3,5 bilhões em 2013 contra US$ 2,4 bilhões no ano anterior. Somente nos últimos quatro anos, mais de US$ 15,4 bilhões foram remetidos pelas montadoras ao exterior.

A presidente Dilma não pode aceitar que os altos benefícios fiscais concedidos às montadoras sirvam agora para financiar as demissões de pais e mães de família. A presidente tem de se pronunciar e agir concretamente em defesa dos empregos, garantindo estabilidade a todos os trabalhadores.