26 de setembro de 2013

Lugar de mulher é na luta e no 1º Encontro Nacional do Movimento Mulheres em Luta!

26/9/2013 - Nos dias 4, 5 e 6 de outubro acontece em Sarzedo/MG o 1° Encontro Nacional do Movimento Mulheres em Luta (MML). Trabalhadoras, estudantes, aposentadas e desempregadas de todo o país irão discutir a realidade e os problemas que afetam as mulheres e buscar avançar em sua organização para conquistar suas reivindicações.

A exemplo do encontro regional do MML em São José dos Campos, que reuniu mais de 100 mulheres no último dia 15 de setembro, em todo o país estão acontecendo encontros e plenárias preparatórias, onde as mulheres estão discutindo vários temas que farão parte do debate do Encontro Nacional. São esperadas cerca de mil mulheres em Sarzedo.

O encontro do MML é parte de um processo vivo de reorganização que foi impulsionado pela retomada das lutas no país a partir de junho. É por isso, que neste encontro estarão em debate as principais lutas das mulheres atualmente como por creches, contra a violência, em defesa da saúde pública e as campanhas salariais.

Em sua mesa de abertura, o encontro vai contar com a presença de Lola, do Blog “Escreva, Lola, escreva”, que ganhou repercussão nos embates com os comentários machistas dos comediantes Rafinha Bastos e Danilo Gentili.

A ativista indiana Soma Marik, professora universitária que é parte da luta contra os estupros na Índia, também participará do 1° Encontro Nacional do MML. Com sua presença, será encaminhada uma grande campanha classista no Brasil e em nível internacional contra a violência às mulheres.

Está confirmada ainda a presença de Elisabeth, esposa de Amarildo, o pedreiro da construção civil, morador da Rocinha, no Rio de Janeiro, que há dois meses está desaparecido e foi visto pela última vez sendo abordado pelos PMs da UPP da Rocinha. Elisabeth vai nos contar sobre sua luta, que virou uma luta de todo o país e com isso demonstrar que o Estado brasileiro segue sendo muito cruel com a classe trabalhadora, o que tem forte impacto sobre as mulheres trabalhadoras.

A luta contra o machismo e a exploração
Durante a campanha eleitoral, a presidenta Dilma Roussef prometeu realizar diversas transformações na vida das mulheres. Muitas confiaram em Dilma, acreditando principalmente que, pelo fato de ela ser mulher, ela seria mais sensível às demandas das mulheres trabalhadoras e pobres.

Infelizmente, o que vimos desenvolver-se no seu governo foi a mesma lógica presente em outros governos, que priorizou as demandas dos empresários e banqueiros, em detrimento das demandas das mulheres trabalhadoras.

Sua proposta de construção de mais de seis mil creches ainda não foi cumprida. Para construção de 12 mil novas creches, seriam necessários menos recursos do que os investidos nos estádios da Copa. Os projetos relacionados ao combate à violência contra a mulher recebem muito menos recursos do que a dívida pública, que vai diretamente ao bolso dos banqueiros. Por isso, mesmo com a Lei Maria da Penha, o número de assassinatos de mulheres não diminuiu.

As mulheres sofrem com a violência doméstica, um problema crescente no Brasil. Em 30 anos, mais de 90 mil foram mortas, sendo que metade disso foi na última década. Em quatro anos, os casos de estupro cresceram 157% e as principais vítimas são mulheres trabalhadoras, que utilizam o transporte público, onde se dão muitas ocorrências, ao voltar tarde do trabalho ou sair antes do amanhecer e ter de passar por ruas mal iluminadas.

No que diz respeito aos direitos reprodutivos das mulheres, assistimos a debates que são verdadeiros retrocessos, como a proposta do “Estatuto do Nascituro” que transforma a vítima do estupro em culpada e a obriga a viver com o fruto dessa violência e até mesmo com uma pensão do estuprador!

Nos estados e municípios, os governos tanto do PT quanto do PSDB/DEM/PMDB (oposição de direita) pouco avançam em programas de combate à violência, construção de creches e melhorias significativas no atendimento especializado à saúde da mulher.

Por tudo isso, o 1º Encontro Nacional do MML pretende organizar as lutas que respondam a essa realidade e defendam os direitos das mulheres trabalhadoras, jovens, aposentadas e desempregadas.

Um encontro construído pela base
O MML tem como princípio a independência financeira, buscando financiamento através de suas atividades e pela relação política com as entidades da classe trabalhadora.

Por isso, na construção do seu 1° Encontro, pelo país o MML está realizando campanhas para arrecadar fundos. Em São José, as trabalhadoras estão arrecadando nas fábricas, locais de trabalho e escolas contribuições para garantir os custos da ida da delegação ao encontro nacional.